LEVEL 01 - Prólogo + 1. Reprovação

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"I could spend my life

In this sweet surrender

I could stay lost in this moment forever

Every moment spent with you

Is a moment I treasure

Don't wanna close my eyes

I don't wanna fall asleep

'Cause I'd miss you, babe

And I don't wanna miss a thing"

     I Don't Want to Miss a Thing - Aerosmith 


Prólogo

Desviei de um chute forte, o que me fez recuar alguns passos e defender dos ataques seguintes do meu oponente. Ele estava desesperado e provavelmente dali pra frente usaria táticas mais agressivas. Nossas intenções manuais eram duvidosas. Eu tinha a vantagem por ter mais vitalidade naquele momento, deveria manter-me concentrado. Arriscava prever o que faria, observando de relance os dedos dele. Uma tática defensiva talvez fosse a melhor alternativa, avaliei.

Quando me distraí por um momento com algo ao redor, ele tentou me acertar mais um chute aéreo que eu consegui defender com sucesso. Revidei usando um golpe elétrico especial, descarregando toda a energia que eu havia acumulado ao longo da briga. Aquilo poderia ser o fim da disputa. Porém, ele esquivou facilmente!

O tempo era limitado e após duplas derrotas de ambos os lados estávamos nessa expectativa entre avançar e recuar calculando quem cometeria o menor deslize para ser atingido. Ele desferiu uma rajada de energia. Eu defendi. Mesmo aquilo consumindo um pouco da minha força vital era melhor do que arriscar esquivar em sua direção. Ele avançou usando uma sequência de chutes, demonstrando todo potencial do seu estilo de luta.

Era o último oponente daquele trio de homens apelões. Não tínhamos apostado nada na disputa que era só por diversão. Minhas mãos suavam e meus batimentos cardíacos estavam bem acelerados. Eu gostava daquela adrenalina.

— Me recuso a perder pra um viado desses! — Halley resmungou entre dentes.

Consegui esquivar de outra tentativa de ataque aéreo. Foi a oportunidade que vi de desferir a sequência de golpes de chutes baixos, socos altos e finalizei com uma descarga elétrica que consumiu o resto da energia dele. O derrotei!

— Então cara... Já era! Benimaru manda! — Provoquei.

Estava com um pirulito na boca e quase me engasguei ao gargalhar tentando aliviar a agitação e o nervosismo. Logo voltando minha atenção para o jogo que agora continuaria contra o computador controlando o trio de lutadores seguinte. Halley me deu uma cotovelada de leve e se afastou da máquina de The King of Fighters 97. Passou para o outro lado e se aproximou do meu rosto.

— Amanhã tem revanche! — Ele falou bem perto do meu ouvido.

Fiz uma careta de desdém para ele, em seguida afastando-o com o cotovelo. Ele revirou os olhos saindo do local em seguida.


O Arcade era um espaço no centro do bairro. Com máquinas de jogos arcade. Pois é, não foram muito criativos ao nomear o local. Era até limpo e bem organizado para ser um lugar gerido e frequentado predominantemente por garotos. O ambiente tinha uma mistura de perfume amadeirado juvenil com cheiro de suor e cigarro. Às vezes alguns perfumes persistiam mais e impregnavam em algumas das máquinas, o que era interessante, conseguir relacionar o cheiro de uma pessoa a um daqueles jogos. Também achava peculiar o fato de adolescentes se perfumarem tão fortemente para disfarçar odores de fumo, álcool, e outras coisas...

ARCADEWhere stories live. Discover now