Em uma tarde ensolarada, Deisy gloves estendia suas roupas no varal, com seus olhos atentos as crianças que brincavam no quintal. O dia era tácito e Deisy tinha um gosto de premeditação na língua. Parecia que algo pairava sobre o ar e os raios solares se perpendiculavam espessos sob a pele. Nathaly e Nick, seus dois filhos, suas preciosidades, brincavam agitadamente enquanto o dia escapava do horizonte, mas nem sempre fora assim.
- Brad! Onde está você? Querido...
- Estou aqui, amor. O que quer?
- Nossa casa precisa de reformas, sabia? Há tempos que temos buracos no telhado e rachaduras nas paredes. Será que você poderia dar um jeito nisso?
- Amanhã vou a cidade. Tenho que falar com Bob e aproveito e compro o que preciso para reparar os danos que nossa casa sofreu.
- Ok! Essas tempestades tem ficado fortes ultimamente, não acha?
- Sim, talvez seja um castigo por escolhermos parar aqui, nesse fim de mundo. O importante é sobreviver, não é?
- Pare de bobeira, Brad. Sobreviver não é vida, é fugir e contar sempre com a sorte da morte não nos encontrar. A vida aqui não é das melhores, mas temos saúde e nossos filhos estão bem, concorda?
- Pode ser.
- Não seja rancoroso. Era só isso que eu queria te dizer, pode voltar ao que estava fazendo.
Brad era um fazendeiro, cuidava de plantações, suas apostas eram em milho, cana de açúcar e trigo, mas o negócio não ía muito bem. A cidadezinha de St. Louis havia sendo castigada por tempestades que não eram comuns naquela região. Chuvas fortes, vendavais, tornados passavam assombrando e levando traços de esperança. Viver em um lugar assim, quem gostaria? Brad estava de saco cheio, odiando tudo aquilo. Já se passara 10 anos, desde que chegaram a cidade.
As pessoas em St. Louis eram calmas, não havia muita disposição, mas os olhares eram rápidos, captavam todo tipo de situação e movimento. Em St. Louis, sua vida era um livro trancado com sinais de arrombamento. Era assim que você se sentiria indo a St. Louis. O comércio girava inteiramente em peças e veículos agrícolas, mas também havia lojas de conveniência, bares, farmácias, um banco e com toda certeza uma grande igreja local. A cidade não era tão grande, ficava fácil andar e sair no mesmo lugar, porém as fazendas eram grandes e pintavam a vista superior de St. Louis de tons esverdeados e caramelizados. O cheiro de orvalho fresco impregnava muitos lares e os acabamentos exteriores escorriam gotículas de insatisfação.
Na manhã seguinte, Brad tomara seu café, pensando nas coisas que poderia ter feito, se não tivesse ido morar em St. Louis. Ele olhava para as crianças, que pareciam não se importar com toda a monotonia que exalara por todo o local.
- Amor, vou a cidade e falarei com Bob. Tenho assuntos a resolver sobre a colheita e comprarei o que precisamos para fazer o que você havia pedido.
- Okay, não demore.
Deisy pareceu não se importar muito, me soou fria, em outros momentos ela teria pedido para que eu comprasse outras coisas, como passar no pequeno supermercado do Valter. Talvez ela tenha se chateado, pelo fato de eu viver sempre resmungando sobre este lugar e de tudo que acontece e de que nada realmente acontece. O silêncio tomou conta daquela cena, que parecera mais uma das sketches de *David Lynch.
Peguei meu velho carro, antes de dar partida, dei uma boa olhada na plantação e na velha casa que houvera sido drasticamente desgastada. O caminho até a cidade não era longo, mas exigia atenção, grupos de animais atravessavam as ruas como se na cidade não houvesse ninguém.
- Olá Bob! Bom dia!
- Oi, Brad. Como vão as coisas, a família e seus filhos?
- Estão bem, e você?
- A cretina da Valeska quebrou todo o cercado da minha casa, discutíamos pois o filho dela sempre jogava coisas no meu quintal.
- A bonitona da Valeska? Mas que tipo de coisas?
- Do tipo que você não iria querer no seu quintal. Acredita que a piranha saiu com um pedaço de pau e arrebentou toda a cerca que dividia os lados?
- E o que você fez? Ficou parado olhando?
- O que você acha que eu fiz Brad? [[Dei uma porrada bem na cara dela, fiz o filho dela pegar toda aquela porcaria com a boca.]] Pensamentos me afloraram, mas não fiz nada. Jamais bateria em uma mulher.
- Por que você não deu parte a polícia?
- HAHA! Aqueles tiras sacanas da main street não fazem nada, eles viriam aqui, mascariam seus chicletes sabor merda, anotariam coisas sem sentido e iriam embora.
- Até que para uma cidade parada, Valeska se mostrou bem agitada.
- Agora vou ter que reerguer toda aquela bagunça.
- Mas e você Brad, como está?
- Desanimado com muitas coisas, mas a principal é que minhas plantações estão muito danificadas com todas essas tempestades. Não sei o que fazer, perdi muita coisa.
- A verdade é que se essas tempestades não passarem, todos nós em St. louis estaremos perdidos, é um dos nossos principais meios de trabalho. Brad, isso vai passar. Tempestades não duram o ano todo, certo?
- Espero que passe. Esperava que você tivesse um conselho a dar sobre a colheita deste mês. Perdi todo o trigo, partes do milho e sobrou mais cana de açúcar.
- Brad, colha tudo que você puder colher, e não plante mais. Temos que esperar isso passar, pois quanto mais você planta, menos colherá. Terá prejuízos inimagináveis.
- Ok Bob, acho que farei isso. Acho não, na verdade, eu farei isso.
- Tenho que passar na loja do Ralph. Minha casa está com buracos e rachaduras, minha mulher reclama.
- Mulheres são assim, Brad. Dê a elas uma casa e filhos, e ganhe com isso uma lista enorme de pedidos.
- Deixa eu ir lá, um abraço e um bom dia Bob.
Aquela conversa com Bob fizera eu repensar sobre algumas coisas. Minha vida estava como num trânsito parado em que o sinal nunca liberava o tráfego. Minha mulher parecera disposta a vida que tinha, mas não parecera disposta a entender a vida que eu não tinha. Essa coisa de uma casa, carro e filhos fazem as pessoas se acomodarem. Minha família é importante, eu sei. Mas naturalidade não se constrói princípios etéreos. Se natural era ter todas essas coisas, o que mais haveria depois disto? Acho que muitos não pensam assim.
O comportamento de Valeska foi um tanto curioso. As pessoas daqui são sempre muito frias e sem muito envolvimento com coisas que não sejam óleo quente, plantações, diesel e foices. Fico imaginando, que tipo de problemas Valeska tem passado? Foi um ato atípico desta cidade.
Chegando a Loja de Ralph, notei que estava cheia. Todos compravam materiais, peças, ferramentas para conserto de suas casas. O estrago tinha sido grande em toda a cidade.
- Brad Gloves por aqui! Ah, presumo que sua casa tenha sido acariciada pela mãe natureza. [[Disse Henry, um velho conhecido da cidade, em tons de sarcasmo.]]
- Pois é! O azar aqui é para todos.
- Olá Ralph, bom dia! preciso de uns materiais para conserto da minha casa, essa última tempestade nos causou grandes problemas.
- Fica à vontade Brad.
Comprei tudo de que precisava para a reforma, com muito aperto e insistência, pelo grande fluxo de pessoas. Quando coloquei as coisas no meu carro, e olhei para os campos esverdeados, refleti e pensei em passar no mercadinho do Valter. Talvez Deisy gostasse desse ato surpresa.
- Olá Valter. Como vão as coisas?
- O negócio caiu um pouco, tenho recebido poucas mercadorias. Você sabe, tempestades. Você sabia que encontraram agora pouco, próximo a Nolan street, dois corpos?
- Fala sério Valter, dois corpos aqui em St. Louis, no meio da rua? Essa cidade é calma demais para isso.
- Te digo a verdade, recebi essa notícia agora, poucos instantes antes de você entrar. Não foi bem na rua, foi dentro de uma casa.
- Mas pera aí, na Nolan Street moram algumas famílias, me veio uma pessoa a cabeça agora. Eu estive lá há uma hora e conversei com Bob, que me falou sobre...
- VALESKA! Foi na casa da Valeska. [[Em tons de muito nervosismo, Valter derrubara o café, que esfriara rapidamente.]]
- Meu Deus, Valter. Eu estava lá há pouco tempo, porém Bob me contou sobre uma discussão com Valeska, e de que ela havia quebrado o cercado dele. Será que ele...? Meu Deus, estou em choque! se realmente são dois corpos... o filho dela, Crimson...
Rapidamente, a situação da cidade de St Louis se tornara agitada como num filme do *Tarantino. A notícia se espalhara rapidamente, as pessoas andavam com passos largos, os olhares eram fugazes e intolerantes. O medo se apossara e o céu se estendia inquieto. Primeiro as tempestades, segundo Valeska apresentando um comportamento fora do normal, e agora dois corpos. O estridente choro das pessoas me fizera tremer. Será que Bob poderia ter se vingado de Valeska e matado mãe e filho? Bob não me parecera a ponto disso, mas pessoas escondem suas reais intenções e ninguém nunca percebe, até acontecer. Ou talvez, Valeska tivera passado por um grande estresse, o comportamento dela não fora normal. E assim, mais um problema surgira em St Louis.
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Estranhezas do ser
Misterio / SuspensoUm fazendeiro, chamado Brad, está muito cansado de sua vida no interior e começa a descobrir assassinatos na pequena cidade de St. Louis. Ele tem que lidar com seus demônios e os problemas da cidade. O Mal dorme à espreita.
