Após tanta deliberação e conversa silenciosa dentro da minha mente a qual ninguém parecia conhecer, tudo parece bem vago na madrugada que virara manhã rápido demais.
Assim como o Sol nascendo, o que era tranquilo, certo e escuro começa a se abrir em algum lugar do meu corpo que eu não sei exatamente onde é. Assim como a dor nas coluna que senti e não soube especificar semanas atrás. Algumas pessoas dizem que é no peito, mas tudo o que sinto é ele pesar no ritmo de quando lembro de palavras-machado. E dói.
Palavras-machado, termo que acabei de inventar, são as frases que dançam na minha cabeça quando ela está tão oca quanto um côco. Elas batem na parte interior do meu cérebro como um objeto afiado e me fazem abrir os olhos quando estou prestes a dormir. Esse conjunto de palavras combinados com intenções maléficas (sejam minhas ou de outras pessoas em relação a mim), com um toque de lembranças em tom sépia que minha mente dramática pinta acima dos meus olhos não é nostálgica como devia ser todo momento que se sucede à mim, nesse momento, deitada às 5h55 de uma sexta-feira de julho. São objetos de tortura que, apesar de amaciadas com o poder que tenho de mentir para mim mesma, causam o impacto de um machado sobre o tronco. E um dia ele cai.
Eu realmente não quero escrever nada mais que não seja real sobre mim, e, juro à mim mesma, o que mais me incomoda é a parte mais verdadeira. Tudo o que falei de errado e tudo o que tenho vergonha de dizer. Até mesmo quando o que não sai da maneira correta é planejado. Hoje, aos meus dezesseis (e quão ridículo é pensar que sabe de algo aos dezesseis), tenho a plena certeza de que não sei quem eu sou. Mas alguém realmente sabe?
Eu existo? Me alimento de verdade? Fingi alguma vez? Enganei a mim mesma? Acabo não resistindo às tendências e ao que o mundo me diz ser legal, e, apesar de achar tão monótono todo tipo de conversa fiada sobre a profundidade de tudo, eu me encontro rasa demais, e simplesmente não sei como parar. É ter que silenciar pessoas num aplicativo de celular para que eu permaneça fiel a verdade que escrevo, é minha hipocrisia gritando como um pequeno ser de fogo dentro da minha caixa torácica. É saber que, mesmo que as palavras que escrevo tornem os sentimentos sólidos e que me preenchem agora, vão embora assim que uma crítica aparecer borbulhando no ar.
É saber que, por mais que eu pense, observe, crie teorias com palavras bonitas e filosofias tiradas de filmes os quais eu desenho no meu caderninho de capa-dura, nada, absolutamente nada, tira de mim a minha verdade. E a minha verdade é que eu estou apavorada por não ter certeza de quem eu sou.
Afinal, o que nos faz sermos quem somos? Tenho plena certeza de que não somos nós mesmos. Seriam as pessoas à nossa volta? As circunstâncias? Nossos gostos, Atitudes? A vida nos molda. Somos bonequinhos de massinha de modelar e nos comunicamos mais com o mundo do que com nossas próprias almas. Assim, é difícil saber a genuidade do que falamos ou de como agimos. E eu não sei qual parte das minhas atitudes é verdadeira. No momento, sou uma bagunça de cores, palavras, ações impensadas e planejadas até demais. Quietude ou escândalo. Sempre algum dos dois, nunca no meio. Eu sou o Grito ou Silêncio? O Palpite ou a Observação? O elegante Nublado ou o radiante Ensolarado? Eu não sei. Eu não sei, realmente. Pare de me perguntar isso.
O maior presente que o Universo nos deu foi a nossa mente. Mas que belo presente de grego, digo eu.
Sempre que vejo um filme novo, decido se vou gostar dele pela última cena. Devo lembrar a mim mesma que minha vida não é um filme, e eu nunca sei qual será a minha última. Se fosse esta, de agora, eu não acho que me daria muitas estrelas. Mesmo assim, estou feliz por pensar. Acho que é impossível estar satisfeita quando seu cérebro é um farol que, quando ilumina uma área, escurece outras. Só gostaria de ser um farol com menos coisas para iluminar. Ou que eu simplesmente não me importasse em iluminar merda alguma.
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A Inevitável Prisão de Ser
Short StoryTodas as pessoas tem em si partes que se sobressaem, mas nem todas as pessoas que te conhecem o descreverão da mesma maneira. Depende de como você se mostra e o que desperta em cada um com a sua existência. Esse livro é de uma garota de dezesseis an...
