— Homem, 20 e poucos anos, acidente de carro, inconsciente. Já está no oxigênio, tem uma possível fratura nas costelas, escoriações no braço esquerdo. – disse o paramédico da ambulância rapidamente.
Sou uma resistente, apenas obedeço normalmente, mas dessa vez não era diferente.
— Façam um raio x de corpo inteiro, para vermos a gravidade das lesões.
— Sim, doutora. - respondeu a enfermeira.
***
Enquanto a enfermeira encarregada levada o homem para a sala de exames, fui atrás do prontuario. Havia uma confusão na sala de espera, vi os seguranças já se aprontando para entrar em ação. Conhecia o procedimento deles, retirar a qualquer custo os que interferem na imagem do hospital. Merda o cara estava machucado. Me aproximei daquele bolo de pessoas discutindo, era um senhor de cabelo grisalho, que falava muito rápido, perguntando como estava um rapaz, pedido desculpas. Fiz um sinal para os seguranças se afastarem e me aproximei do senhor.
— Calma senhor, vamos sentar um pouco. - falei mantendo a calma. Guiei ele em direção as macas de emergência.
— O senhor está mais calmo? Vou cuidar dos seus ferimentos, enquanto conversamos OK? - ele estava uma pilha de nervos, alcancei um copo com água para ele.
— Eu bati... em um carro... ele capotou... sou motorista de caminhão. - ele disse devagar.
— Senhor, não abaixe a cabeça até eu dizer, estou dando pontos em suas sobrancelha. - ele tinha um pequeno corte, acima da sobrancelha levaria apenas uns 4 pontos.
— Continue me contando o que aconteceu. - falei tentando encoraja-lo.
— O sinal estava aberto, ele estava em grande velocidade, não consegui parar, Deus me perdoe. - seus olhos estavam marejados.
— Preciso de um documento seu e algum número para entrar em contato com a sua família. - infelizmente eu não podia consola-lo dizer que ele não tinha culpa, a única coisa que podia fazer era cuidar de sua saúde. - ele me entregou sua identidade junto com um papel amassado que continha um número de celular.
— Deite-se e descanse um pouco qualquer coisa é só apertar o botão que alguém virá.
— Obrigado, menina. - ele falou enquanto eu me retirava do pequeno espaço fechando as cortinas dando um pouco de privacidade para ele.
Na recepção falei com a enfermeira Marta pedi que ela ficasse de olho no Sr. Frederico. Peguei o telefone e liguei primeiro para família do senhor, logo após para a do rapaz que deu entrada mais cedo. Já eram 3:30 da manhã. Entrei em contato com a família do rapaz, seu pais aparentavam estar desesperados pelo telefone. Encontrei com eles na sala de espera.
— Boa noite, Sr. e Sra. Zolkin. Sou a doutora Hoffman.
— Querida não precisa de formalidades, só quero saber do meu filho, por favor. - falou em um tom calmo, mas cheio de angústias. O marido a consolava acariciando suas costas.
— Poderia ter sido muito grave, ele sofreu apenas escoriações leves no corpo, e fraturou duas costelas, ficará cerca de 48 horas em observação. Ele está fora de perigo, vocês poderão ver ele assim que ele acordar.
— Graças a Deus, minha filha, obrigado por cuidar do meu menino! - disse com os olhos marejados e me abraçou. Nos primeiros segundos fiquei sem reação, fazia tempo que alguém me abraçava, retribui o seu abraço com todo carinho que tinha.
— Ele está bem é um homem forte, não tem com o que se preocupar. - ela me soltou, dei um passo atrás.
— Quando ele acordar, chamo vocês. - disse saindo dali. É só um abraço não tem com o que se preocupar.
Fui direto para o quarto que ele estava. O seu rosto não tinha uma expressão de dor, essa hora os remédios já deviam ter terminado o efeito; me aproximei e enquanto checava os aparelhos acabei reparando; ele tinha um corpo de dar inveja em muitos homens, barriga definida, cabelo castanho claro, um barba sexy. Ele soltou um gemido, sua expressão mudou para dor.
Sexy é pouco.
— Oi, como se sente? - eu disse em tom ameno, tentando não assusta-lo.
— Como se um caminhão tivesse passado por cima de mim. - ele falou franzindo as sobrancelhas.
Que cara rabugento.
— Na verdade um caminhão bateu no seu carro. - tive que soltar uma risadinha, não resisti. Ele pareceu não gostar.
— Você é a médica então? - falou em um tom autoritário.
— Sim, sou a responsável pelo seu caso. - falei para ele sobre seu estado físico, pareceu que um bicho o mordeu.
— Então, deverá ficar de cama pelos próximos dias, sem esforço físico e tomar o anti-inflamatórios nos horários estipulados.
— Só isso? Posso ir pra casa agora então. - disse isso tentando se levantar. Ele só pode estar testando a minha paciência. Coloquei a mão no seu peito o empurrando para que ele não se levantasse.
— Aí, isso dói.- reclamou. Bem feito, babaca.
— Não, não pode! Você sofreu um acidente grave, poderia ter ficado em coma, vai passar no mínimo 48 horas aqui, o tempo que eu achar necessário. - disse com meu tom mais profissional.
— Seus pais iram vê-lo em breve.
Sai do quarto decidida, não vai ser uma mauricinho filhinho gostoso de papai que vai passar por cima da minha autoridade aqui dentro.
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Ruína
Romance-Vai começar de novo? - falo vendo seus olhos pegarem fogo. -Começar o que de novo? Me diga. - ele se aproxima de mim e eu recuo. Acho que contato agora acabaria com as minhas chances de vencer a discursão, e ele acabaria se achando na razão. - v...
