- Bom dia Lary, sente-se. Posso chamá-lo assim? – Pergunta o Psiquiatra intrigado por ver um psicopata de perto.
- Assim está ótimo, posso tomar um café? – Diz Lary olhando para uma cafeteira chique em cima da mesa cinza do Doutor Fernando que continua:
- Então...hã...Lary o que você tem feito ultimamente?
- Apenas lido muitos livros.
- Que tipo de livros? – Indaga o psiquiatra com a mão no queixo.
- Livros de Medicina.
- Ah, verdade, você é médico não? – Pergunta o doutor fingindo não saber.
- Sim, claro.
- Então você é um homem realizado profissionalmente. – Diz o profissional com um riso de canto de boca.
- Pode-se dizer que sim. – Lary retribuindo o sorriso.
- Você sabe por que está aqui não sabe?
- Tenho uma vaga ideia – Responde Lary com um olhar perdido olhando fixamente para uma bela luminária pendurada no teto do consultório. Ao perceber o interesse de seu paciente e para quebrar o gelo Dr. Fernando continua:
- Gostou? Comprei em Paris em 2011 – Alegra-se o doutor como se fosse algo muito estimado.
- Na verdade não, acho que essa luminária dourada tem um estilo diferente do seu escritório branco e cinza – Responde bocejando como um psicopata. O psiquiatra então resolve usar uma tática mais direta.
- Bem Lary como é o seu relacionamento com os colegas de trabalho?
- Um pouco conturbada – Lary desvia o olhar para a janela observando o trânsito caótico.
- Você poderia me explicar melhor? – Pergunta o psiquiatra querendo aprofundar essa questão e forçando Lary a refletir sobre.
- Bem, acho que o problema não está em mim e sim em todos os outros. – Voltando o olhar para o doutor.
- Todos os outros?! – Diz o psiquiatra energeticamente e franzindo a testa.
- Sim, todos os outros.
- Mas qual é o problema com todos os outros? – Diz o psiquiatra coçando o nariz.
- Todos os outros são pessoas muito limitadas. – Lary diz isso pegando uma caneta que está em cima da mesa e a observa. Dr. Fernando acha a atitude curiosa, mas não comenta nada para não o intimidar.
- Limitadas? Conte mais um pouco sobre isso.
- Acho que a maioria das pessoas são ruins. – Diz Lary com um semblante triste.
- Ruins para você?
- Também, mas acho que são mais ruins para o mundo. A maioria não deveria existir.
O psiquiatra assusta-se um pouco com a resposta, porém se dá conta que seu paciente outrora desconfiado está começando a se abrir e falar mais um pouco.
- O que te desagrada nos colegas de trabalho? – Instiga o psiquiatra.
- Creio que muitas coisas me desagradam. Você vai escrever o que digo aqui?
- Não, tudo que conversarmos nesta sala ficará entre nós. Mas você poderia exemplificar uma dessas coisas para mim?
- Contanto que tudo que eu disser ficará entre nós... – Diz Lary ajeitando a coluna na cadeira.
ČTEŠ
Carenagens: Sobre Motos e Sentimentos
ParanormálníLarry Hussen, psicopata clínico, adora viver perigosamente aos cento e oitenta por hora em sua Harley Davidson. Vê o mundo numa perspectiva original e distorcida e enxerga, na maioria das pessoas, uma inutilidade característica. Porém, pela imprevis...
