SEM REVISÃO
-Não, chega disso! Para! Eu não quero mais, me larga!- saio correndo, fujo sem saber ao certo o rumo que vou tomar. Juro que se ver João mais uma vez em minha frente, irei surtar, precisei empurra-lo para fugir, ele caiu sobre a mesa de vidro, eu espero que ele tenha se machucado.
Depois de correr muito, paro enfrente a praça do bairro em que eu morava antes dos meus pais morrerem, eu vinha aqui quando criança, minha Mãe sempre estava comigo, sempre me protegia, me amparava quando eu caia e ralava o joelho. A praça sempre foi muito movimentada, agora está calmo, vazio, ninguém brincando ou casais namorando, imagino que seja umas 22h as ruas do bairro estão vazias.
Fecho os olhos e lembro dos Pesadelos que me atormentam desde que perdi meus pais, as únicas pessoas que eu tinha.
Sento no banco da praça e choro, o suficiente para que limpe minha alma. Lembro que quando meus pais morreram, há quatro anos, minha rocha foi meu melhor amigo, João. Depositei toda minha confiança nele, no primeiro ano foi maravilhoso, até que ele se apaixonou por mim, depois que passou o primeiro ano as agressões começaram, ele tinha um ciúme doentio. Então, tive que apanhar e ser humilhada durante 3 anos e todos os dias.
Olho para o céu e fico pensando para onde vou, não conheço ninguém além de João, ele me deixava trancada em casa, durante 3 anos eu jamais sai. Começo chorar novamente.
- Moça, está tudo bem? Você precisa de ajuda?- uma senhora de cabelos grisalhos e bagunçados, com uma expressão de sofrimento no rosto, me toca e eu acabo me assustando.
- Olá, sim, eu preciso muito de ajuda.- limpo minhas lágrimas com a costa da mão e recebo um olhar confuso.
- Venha filha, me acompanhe! - sigo a, sem saber se devo ou não confiar. Mas se é a única forma de fugir do psicopata do João, eu irei! Afinal, ela não parece ser uma má pessoa.
- Me chamo Ivete e você? Como se chama? -. Ela diz abrindo o portão de entrada de uma casa perto da praça, uma casa simples porém mal iluminada e com alguns gatos na janela da frente, confesso que sinto um pouco de medo nesse lugar.
- Querida? Entre, vamos! Como se chama? - ela diz me despertando e tendo minha atenção novamente.
- Ah, desculpe! Me chamo Marina.- digo dando um sorriso sem jeito e sem mostrar os dentes.
- Sente-se, fique a vontade. Vou preparar o quarto de hóspede para você.- quando termina de falar, se vira e vai embora, subindo a escada.
Fico observando o local, a casa é úmida, tem gatos espalhados por todo o local e tem um cheiro não muito agradável, já que possui muitos animais.
Fico sentada até que ela retorna e me chame para ir ao quarto de hóspede.
O quarto parece confortável, mesmo com a pouca iluminação, a parede é clara, o piso é de madeira, no quarto já tem um banheiro, e os móveis são simples: guarda-roupa embutido, uma cama de solteirão, criado mudo e uma penteadeira.
- Fique a vontade, vou deixar você descançar.- Ela dá um sorriso e sai fechando a porta.
Vou andando pela casa até parar enfrente ao espelho do guarda-roupa.
Fico observando meu rosto, nem pareço a mesma Marina de 4 anos atrás.
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Liberdade I : Buscando Um Novo rumo
Romance"Buscando um novo rumo que faça sentido nesse mundo louco com o coração partido, eu tomo cuido pra que os desequilibrados não abalem minha fé, pra eu enfrentar com otimismo" Marina tem 22 anos, após fugir de um marido louco e possessivo, tudo o que...
