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alaska young

i got a feeling that i'm not gonna be here for next year, so let's laugh a little before i'm gone

em frente ao espelho, realizando os aspetos finais da minha maquilhagem, decidindo estar pronta para ir ao encontro da minha melhor amiga, com o seu namorado e o meu suposto melhor amigo, nate. 

friendzone, por definição uma situação que ocorre quando, numa situação de amizade, um dos elementos da relação tem um interesse, não recíproco, romantico ou sexual pelo outro. eu achei que isso seria uma coisa impossível de me acontecer, mas acho que me enganei.

ele sabe, afinal ele é meu melhor amigo então conto-lhe tudo, e ele disse que só me vê como amiga mas que não queria que acontecesse o que normalmente acontece, que é as pessoas afastarem-se. eu respondi-lhe que eu não era normal, ele riu, e eu afirmei que isto não mudaria em nada a nossa amizade. ele sorriu e abraçou-me fortemente. 

dói estar com ele e fingir que não sinto nada a mais, mas sinceramente... doía, agora? eu já nem tenho a certeza dos meus sentimentos por ele, já que o meu cérebro foi lentamente aceitado o facto de ele não sentir nada por mim e de que as fantasias produzidas por mim antes de dormir não passariam disso mesmo, fantasias.

depois de me encarar uma última vez no espelho peguei na minha carteira, no meu maço de cigarros e no telemóvel, coloquei-os numa bolsa pequena a tira colo e saí de casa.

o caminho ainda seria longo até chegar ao ponto de encontro, implicando uma viagem de comboio e algum tempo a pé para chegar ao centro da cidade onde era sempre onde me encontrava com amigos e ía à escola.

chegando à estação começou a chover e eu agradeci por estar debaixo de toldos que me protegiam da água. olhei para o relógio e reparei que ainda faltava 15 minutos para o comboio chegar então tinha perfeitamente tempo para fumar antes de partir, já que não fumava com a minha melhor amiga por respeito a ela e à sua decisão de não fumar. 

abri o maço e retirei um cigarro. meti-o entre os lábios e procurei pelo o isqueiro, rapidamente me apercebendo que me tinha esquecido dele.

olhei em volta, tentando encontrar alguém que pudesse dar indícios de ter um isqueiro. foi quando reparei num rapaz encostado a um poste, a mexer no telemóvel. 

aproximei-me lentamente e chamei a sua atenção, para que olhasse para mim em vez de para o telemóvel.

- hey, desculpa incomodar mas... hum... tens um isqueiro? - pedi, deve ser estranho pedir assim o isqueiro a um estranho mas... enfim, necessidades.

ele apenas me encarou. interessante, moreno de olhos castanhos, completamente o oposto de mim, mas algo nele deixava-me intrigada. depois de uns segundos, que para mim pareceram uma eternidade, a encarar-me ele soltou um riso abafado e retirou do bolso de trás das calças um isqueiro.

- obrigada. - eu respondi, passando para a minha posse o objeto, acendendo o cigarro e inspirando, aproveitando aquela sensação de calma e prazer que eu tanto adorava sentir. 

- bem, o meu comboio está a chegar, tenho de ir, dá aí o isqueiro. - ele diz apressado assim que reparou na presença do comboio à sua direita.

- claro, desculpa. - respondo simplesmente, estendo-lhe o seu pertence e dando mais uma tragada no meu cigarro.

e, aproveitando o facto de ele estar de costas para mim, fico por ali mesmo vendo-o afastar-se de mim sem nunca olhar para trás.

nesse momento o meu telemóvel vibra, fazendo-me despertar do transe em que me encontrava.

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⏰ Last updated: Feb 05, 2019 ⏰

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