- Oi, meu nome é Vênus e eu sou viciada em heroína. - Digo sem nenhum ânimo para aquele monte de estranhos.
Eu odeio isso, já faz quase dois anos que venho a essa grupo de apoio que não me ajudam em merda nenhuma.
Eu nem sei se posso chamar isso de grupo de apoio, desde que eu entrei ja morreu 4 pessoas nas recaídas.
A Milly comanda o grupo de apoio, ela é viciada em cocaina e adivinha por quanto tempo ela está limpa...
Pausa para o suspense...
3 semanas.
Ela é a que mais tem recaidas, eu sou a unica que ate agora conseguiu se controlar e de verdade, so me controlo pelo Alex, é so por ele tambem que venho aqui.
Quando Alex me deixou morar com ele, disse que eu teria que ir a uma terapia em grupo, mas aqui parece mais um hospício em grupo.
Eu venho aqui uma vez por semana e falo sempre as mesmas coisas.
Sou viciada em heroína, comecei com 15 anos, meu pai batia na minha mãe e em mim e ensinava meus irmãos a fazer o mesmo dizendo que era assim que eles tinham que tratar uma mulher, então fugi assim que me tornei uma viciada.
Na verdade é uma história muito grande, eles acham que sabem de toda minha vida.
Agora um garoto mimado está nos contando que teve uma recaída porque ficou bravo com seu pai que não quis deixar ele comprar mais um carro.
Que garoto prático, ele fuma maconha uma vez por mês pra chamar atenção dos pais e depois vem para cá tirar a minha paz.
Depois de meio hora finalmente acaba aquela merda e eu pude sair para respirar.
Acendo um cigarro enquanto espero Alex aparecer. Antes mesmo do cigarro acabar ele parou o carro na minha frente.
- Ai deusa, desculpa a demora, eu tô todo atrapalhando hoje e a gente ainda ta atrasado para festa. - Ele diz tudo rápido já abrindo a porta pra mim enquanto me apressava batendo no banco para que eu entrasse logo.
- São cinco da tarde. - coloco o cinto.
- Você sabe que eu demoro pra me arrumar.
Resolvi não dizer nada, mesmo a festa sendo só as oito da noite.
[...]
- Olha aquele ali, que lindo. - Ele aponta para um garoto com carinha de criança, era bonito, mas parecia uma criança. - Será que é gay? - ele pergunta.
Estamos na festa de uma amiga da faculdade do Alex, eu tô num mal humor do cão e o Alex com um fogo no rabo que tá começando a me irritar.
Começo a olhar em volta a procura de algo interessante, até que eu vejo um homem encostado na parede perto das bebidas me olhando. Ele estava com um copo na mão, era alto estava em um canto escuro então não consegui ver muito seu rosto, mas seu cabelo parecia ser claro.
Começo a encarar ele também na espera que ele desvie o olhar, mas não acontece, ele não parece incomodado com meu olhar.
- Vênus - Alex me grita e da um tapa no meu braço.
- Que foi Alex? que saco... Achou o cara bonito? chega nele, se ele não for gay, investe em outro.
- Nossa, você é muito chata, nunca mais te chamo para as festas. - Ele cruza os braços e olha para frente com a cara fechada.
- Ah, que ótimo.
Ele bufa e tira um cigarro do bolso da calça.
- Vai fumar para ver se melhora. - Ele coloca o cigarro na minha mão.
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Ares
RomanceVocês já estiveram com alguém que te deixava sempre com aquele frio na barriga por viver com ele ser sempre uma aventura? Aquela pessoa que nunca tinha dias iguais, e todo dia era uma surpresa nova, mas que apesar de tudo te fazia bem, que acalmava...
