Instantaneamente, Amei...

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Se era real? Sim.
Se permanece... Bom, isso já é outra história.

Eu não sou louco. Eu me amo antes de amar qualquer outra pessoa. Mas você? Você muda a realidade a minha volta. A razão. A verdade. A emoção. Tudo fica tão diferente quando teus olhos param de frente ao meu. Como se o mundo ao nosso redor se dissolvesse e ficássemos só nós. E falta tanto pra isso ser verdade. Porque você me consome. Você suga minha alma e meus desejos com suas palavras cortantes. Acha que mente pra mim ao me afastar ou correndo pra os braços de outro alguém, quando na verdade só faz isso pra não se magoar. Egoísta. Rude. Bruto. Mentiroso. E isso me atrai mais em você. Essa falta de lucidez, de sentido, de razão...

Ou talvez seja passageiro. De momento. Como uma vela que tentamos deixar ligada à frente de um ventilador na velocidade máxima. Você me apaga, me expulsa, me puxa e empurra num vai e vem de sentimentos, que me fez perceber a incerteza do que sinto, mas que me dá certeza de que eu quero ser feliz ao teu lado, sem destruir a felicidade ao teu redor. E é aí que percebo que o quero é impossível.

Eu sou fogo, você, água. Você é pedra, e eu, sou ar. Eu sou defesa, você, ataque. Você é estratégia, e eu, sou tática. Eu sou loucura, você, sanidade. Você é percepção, e eu, sou falta de noção. Eu sou garoto perdido, você, Peter Pan. Você é muito, e eu, sou apenas grande. Eu sou compasso, você, contra-tempo. Você é partitura, e eu, sou cifras.

Minha loucura não deve lhe perturbar. Minha distância é a cura pras nossas doenças. Só não é melhor que o remédio que nossos lábios colados em uma dança estranha com tanto sentimento passando no meio. Lágrimas. Amor. Ódio. Saudade. Medo. Insegurança. Luxúria.

Vem. Me deixa fazer tua boca de pista de pouso. Te mostro as linhas do meu castelo mental.

É um perigo te permitir andar por meio de meus pensamentos. Eu sou mistério, você, livro aberto. E eu prefiro assim. Não é bom me conhecer. Meu multifaceado me deixa mais interessante de se entender, mas afasta quem me conhece. No fim, sou apenas eu. Sem cena. Sem esconderijo. Sem mentiras. Sem medos. Sem anseios. Te tomo por minhas loucuras e te levo a sanidade. Te tomo por meus desejos e te satisfaço. Te entrego no meu egoísmo e permito saíres vivo do perigo que é me ter tão perto e tão distante. Sou fronteira, você, divisa. Tão igual, e tão diferente.

Sai. Não volta. Tá lendo isso por que?

Não escrevi essa mensagem pra que você refletisse. Escrevi pra que não entendesse. Pra te embaralhar. Pra mentir na tua cara te contando a verdade. Você é sinceridade, e eu, engano.

Então instantaneamente me apaixonei. Sim. Cometi esse erro. O amor é uma escolha. Se aproximar. Se afastar. O amor é lutar. O amor é desistir. O amor é se arrepender. O amor é querer vencer tudo. O amor é você. O amor sou eu.

Você é o ódio, que eu amei tanto de perto, mas que odiei ver tão longe, pra te proteger do meu amor.

Vou me deitar. Você é cama, e eu, sou descanso. Eu sou preguiça, você, lençol quentinho que me esconde dos meus monstros. Não. Não se esconda de mim. Eu sou monstro, você, meu medo.

Volta. Eu quero que você leia.

Escrevi isso pra você refletir. O que eu posso te pedir mais? Você nunca entendeu o que eu fazia, porque vai entender agora? Já chega. Me cala, e me empurra com carinho. Mas se afasta com calma. Você é cachorro fofinho, e eu, sou criança pequena com medo de levar dentada mas que quer muito te alisar. Te dar carinho. Te amar. Te alimentar. Te dar banho. Cuidar de ti.

Eu ouço ruídos. Passos. Você decidiu me deixar, né? Bom. Assim me arrependo somente de ter te amado. Não de ter te deixado. Não de ter te magoado. Não de ter mentido. Não de ter segurado tua mão por tão pouco tempo. Não de não ter lutado. Não de ter desistido. Não de somente ter me importado com você e não comigo. Não com o que eu queria.

Volto a me pegar sorrindo pensando em nós dois juntos. Você é reflexão, e eu, sou atitude. Tão bom tudo que vivemos, né? As manhãs. As tardes. As noites. Eu sou sol, você, lua. E por você me deixar te iluminar tanto, acho que você ficou tão parecido comigo. Se perdeu na minha essência, e na minha mistura, e na minha junção, e na minha composição, e na minha imparcialidade.

Instantaneamente, te odiei. Te ver tão igual a mim foi um baque. Tão sujo. Tão limpo. Tão descartável. Tão necessitável. Tão música. Tão história. Tão lenda. Tão esquecível. Tão multifaceado. Tão claro. Tão escuro. Tão eu. Tão você. Me perdi na minha paixão insana e te amava por ser tão você sendo eu mesmo. 

E vi que eu queria lutar. Mas você queria desistir. Eu sou oponente, você, lutador. E dessa vez eu não queria ganhar por WO. Não aceitava essa nota fora da escala. Não me aceitava sendo tão você e você querendo tomar meu lugar. Me defender. Me proteger. Me ensinar. Me mostrar que sou imaturo. Você é fila, e eu, sou lugar desocupado.

Eu tanto fiz que nada tive. Só lágrimas. Só tristeza. Paixão pelo vazio. Ódio pela realidade.

Distância. Você está tão inacessível. Tão inatingível. Tão intocável. Tão intangível. Tão longe. Eu sou caminho, você, medida. Faz uma estrada no nosso meio e percorre teus braços no meu corpo, enquanto eu faço uma escada e mexo de novo com tua cabeça. Você é espaço, e eu, sou altura. Eu vou desfazer as merdas que fiz. Mentiras. Loucuras. Desprezos. Tudo vai virar uma única coisa.

Certifique-se de não terminar de ler isso. Tão certo quanto o oxigênio entrando nos seus pulmões, eu estou liberando CO2 dos meus. Socorro. Eu sou desespero, você, acalento. Você é insolubilidade, e eu, sou H2O.

Odiei te amar.

Amei te odiar.

Ou talvez eu só esteja tentando encontrar sentido na vida. Eu sou perdição, você, achados e perdidos. Vem, senta perto de mim de novo.

Nossas aulas de música.

Nossas tardes de corrida.

Nossas noites de carícias escondidas.

Eu sou timidez, você, show. Você é Headphone, e eu, sou volume alto. Sou música de amor, com um toque sensual, você, música de jogo 8 bit na fase do mestre. Você é um Amor Instantâneo, e eu, sou um garotinho bobo com flor na mão apaixonado. Não olhe pras pétalas. Eu arranquei-as e joguei no meio do caminho. Não faz com que a flor fique mais bonita, mas mostra que o que temos agora, tem uma história. Me grita e me goza. Me dá prazer com teu corpo e com teus lábios, e te cansa de mim, pra eu conseguir te conquistar de novo.

Você é chocolate, e eu, sou dopamina.

Então, outra vez o que temos reaparecerá. Como o nascer do sol. Ou como o aparecer de uma Lua nova, reiniciando seu ciclo. Como seu sorriso ao me olhar. Ou como o meu a te olhar. Ou como as carícias que nos arrepiavam, ou como as corridas que tinham suas histórias, ou como as músicas que fiz questão de te ensinar.

Aí eu sei. Você vai amar, bem como eu te amo. E vai amar me odiar, ao ponto de me amar outra vez. E aí eu vou poder fazer tudo certo. Sem corações partidos. Sem palavras erradas. Sem mentiras. Sem esperanças. Sem medos. Sem novidades. Sem sons. Sem lágrimas. Eu vou poder ver as coisas ao meu redor normais.

Instantaneamente...

Instant LoveWhere stories live. Discover now