Olá! Antes de começar, indico iniciar a música do vídeo a cima, caso goste de ler com som, claro. ;)
O vento soprava agitado, levando de encontro ao rosto da jovem pálida o frio da praia branca, onde desde pequena gostava de ficar observando a dança das ondas até o impacto nas rochas pontiagudas. As mesmas rochas que em breve abraçariam seu corpo desprotegido. Não, não era preciso mais nenhum tecido, dali ela queria levar apenas as lembranças dos dias em que corria pela casa simples e abraçava o pai. Como estaria ele? Talvez nos encontremos, pensou. A grama rala e úmida a fazia sentir pequenas cócegas na sola dos pés descalços, isso levou-a a abrir um pequeno sorriso no canto dos lábios. As lágrimas eram salgadas, não queria mais sentir aquele sabor. Não mais. Seus longos cabelos cor de neve esvoaçavam, deixando um último rastro de seu doce perfume, que percorria todo o longo penhasco.
A luz fraca daquele fim de tarde ainda iluminava a terra. Genevieve nunca parou para observar como era linda aquela dádiva dos Deuses, chamavam-lhe de vida. Mas a sua era tão infeliz, por quê? O que havia feito para merecer tal fardo? Para ela, ser uma Nascida de Invérnia não significava nada além de dor e vazio. Seus pulmões pareciam ignorar o frio cortante que emanava do chão e alcançava o ar. Uma fina camada de neve cobria-lhe as sobrancelhas e endurecia-lhe o nariz. Respirar estava cada vez mais difícil. Na verdade, mais difícil era não conseguir suportar a pior das maldições, a de odiar a si mesma por ter sido fraca.
A jovem garota parou por um momento, havia chegado ao topo. Agora podia ouvir claramente o barulho das águas densas e dos pássaros ao horizonte. Não tinha mais dúvidas de sua escolha, mas decidiu por mero acaso conciliar sua partida com o último raio de sol daquele dia. A noite certamente iria proteger seu frágil corpo e afastar os curiosos, somente pela manhã conseguiriam assistir com espanto o esvair de seu sangue escarlate. Sangue especial, todos diziam.
— Não! – deixou escapar um grito. — Nada é especial, nunca foi. Logo nos veremos, pai.
O grande astro de fogo também se despedia da garota, que saltou, de costas para o chão que lhe aguardava. Seu corpo desceu rápido, e, em seu último suspiro, ao sentir uma ponta rochosa tocar-lhe a coluna, algo aconteceu. Um calafrio intenso lhe percorreu. Genevieve podia ouvir um som parecido com chicotes se debatendo no ar, quando uma espécie de casulo formado por energia lilás a envolveu. Tal energia parecia comprimir-lhe a carne, até que sentiu-se plenamente suspensa por um vórtex etéreo, sendo puxada com brutal força ao desconhecido. Teria sido uma morte rápida? Um presente do Universo? Ela não sabia, mas caso o fosse, os Deuses haviam lhe negado o direito à dor, e isso era o suficiente. No entanto, mal sabia Genevieve que sua jornada só estava começando.
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Hey! Primeiramente gostaria de agradecer a você que tirou um tempinho pra ler minha história. Pretendo publicar com responsabilidade e pontualidade, um capítulo por semana. Geralmente meus capítulos são longos, então talvez sejam divididos em parte 1 e 2 sempre que forem postados.
Até a próxima, nos vemos em Templetera. ;)
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Templetera - O Legado dos Hereges - Livro 1
FantasyBrian carrega uma dor que lhe consome desde o dia em que perdeu o pai. Marcado pelas sombras do passado, ele decide se mudar com a mãe doente para a pequena cidade de Galway, na Irlanda, após descobrir sobre um tratamento que pode curá-la. O jovem...
