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Estou de volta à nossa antiga casa. Sete anos atrás. Não tenho saído muito, apenas para ir à escola. A luz do sol também não aparece já faz semanas, ele não deixa que abramos as cortinas. Ele tem agido estranho ultimamente, anda inquieto e apreensivo, não permite que saiamos de casa, acendamos as luzes, nem ele próprio aparece fora daquele ninho que chama de quarto. Nesse dia, especificamente, estava mais agitado que o normal, saiu do quarto com o cabelo extremamente bagunçado, olheiras profundas e a barba por fazer. Ficava espiando pelas cortinas, como se houvesse alguma coisa lá fora e ele tivesse medo que o visse.

– Estamos quase sem remédios, vou comprar alguns! – Eu falei enquanto abria a maçaneta da porta.

– Frankie, não! – Ele gritou para mim, mas já era tarde.

Realmente havia alguma coisa lá fora. Dois militares na frente da nossa casa, talvez estivessem rondando a manhã inteira. Mal deu tempo de vê-los, eles me empurraram para o chão e adentraram a casa. Quando entrei de volta, a cena era uma confusão total: os militares estavam correndo atrás dele, enquanto gritava:

– Chloe! Pegue as crianças e fuja!

Ouvi um barulho de tiro.

Outro.

Corri na direção do barulho e o encontrei ajoelhado no chão, encostado à parede. Sangue escorria de sua coxa e peito. Minha expressão deve ter sido de extremo terror porque ele logo suavizou o semblante e sorriu para mim, o sorriso que sempre abria quando me via com medo. Apesar de seu estado lamentável, ele tentava me acalmar:

– Frankie... Está... Está tudo bem. – ele tossiu – Vai ficar tudo bem, fuja daqui.

Outro tiro. Fechei meus olhos e comecei a gritar.

Acordo com o barulho do sinal tocando. Estou de volta à realidade. De volta ao terceiro ano da Escola do 21° Distrito dos Estados Unidos, sentada na carteira do canto da sala. Todos estão saindo para o intervalo e, como sempre, me olham com cara feia. Fico esperando todos passarem.

– Não esqueçam: amanhã é o último dia de aula. À noite haverá a formatura de vocês. – Diz o Sr. Johnson.

Quando finalmente me levanto, escuto-o me chamando.

– West. – Suspiro.

– Sim?

– Você dormiu a minha aula inteira. De novo. Acabou de voltar de uma suspensão, o que está querendo?

– Qual é, Sr. Johnson, o que isso tem a ver com o senhor?

– Eu quero te ajudar. Eu gosto de você, mas você não colabora.

– Fala sério. – Dou as costas e vou em direção à porta, ainda consigo ouvi-lo quando saio.

– Cuidado, West.

Estou no meio de uma briga com a máquina de refrigerante (que não quer me dar a droga da latinha) quando encontro quem eu menos gostaria de encontrar: Rose Waters e sua corja.

Ela é o tipo de garota perfeita: o cabelo perfeito, o rosto perfeito, o corpo perfeito, as roupas perfeitas, as melhores notas e, para completar, é filha de um militar. Como não querer ser amigo dela? Talvez só sendo Frankie West.

– Olha só, galera, Frankie West está tendo mais um de seus surtos de raiva!

Escuto Ethan Tanaka falar. Ele é provavelmente a pessoa mais irritante do mundo. Com aqueles olhinhos puxados, cabelo lambido e um sorriso debochado. Ele veio do Japão com sua família quando era pequeno, devido à superlotação do país e às guerras civis.

Chama VermelhaStories to obsess over. Discover now