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A tevê acoplada no canto superior da sala fazia um barulho incesante, as vozes do jornal ditando as notícias diárias como sempre. Numa dessas notícias, óbvio, estava a batida de tecla no caso do garoto sentado de trás para o aparelho, mãos e pés algemados numa caixa de aço impenetrável para que não liberasse nenhum de seus poderes. Shouto também vestia roupas que impediriam e retornariam o dano à si mesmo, numa possível tentativa de impedi-lo de usar sua individualidade qualquer que fosse a situação apresentada caso tentasse distribuí-la pelo corpo.
- Desligue isso. Imediatamente - o homem de voz entoando imensa raiva se fez presente, dirigindo ordens aos outros oficiais do posto. - Ele não pode ter contato com o exterior, já se esqueceram?
- Pensei que, como humano, fosse direito meu ao menos ouvir das notícias diárias - o até então calado bicolor chutou as palavras num sorriso irônico, repassando os acontecimentos mais uma vez na cabeça antes de se calar pelos próximos segundos.
- Você perdeu esse direito quando infringiu nos de seus iguais, Todoroki Shouto, e agora irá pagar por is...
- Midoriya Shouto, por favor - o interrompeu, voltando seu olhar novamente ao azulado que ajeitava seus óculos, incomodado pela posição do outro. - Assim como não sou digno de portar este nome segundo meu pai, este nome não é digno de carregar meu legado.
- Legado, é? - outra voz adentrou o recinto, e Shouto sentiu os pelos se eriçarem quando reconheceu o tom debochado que só Bakugou Katsuki possuía.
Mas o herói - vilão - não demonstrou sentimentos, apenas revirando os olhos e voltando a ficar calado. Mais uma vez as cenas de dois meses atrás passavam por sua mente, o impedindo de querer fazer qualquer outra coisa além de se matar.
- Podemos começar? - com a televisão desligada e o loiro sentado a seu lado, Iida perguntou. Seu timbre deixava claro a raiva pelo ex colega de classe, mesmo que tentasse se controlar.
- Hn... - foi a resposta do presidiário, e logo os olhos heterocromáticos puderam ver um livro de casos sendo aberto, as perguntas destinadas à si sendo re-lidas por ambos os heróis profissionais.
- Todo- Digo, Midoriya Shouto... - ele parou seus dizeres como que para pensar se fazia certo em chamar um criminoso da forma que este desejava. Era sua primeira vez numa delegacia, afinal, e só voltou à sua pergunta quando viu um bufar de Bakugou e então seu assentir de cabeça. - Qual era seu envolvimento com "Deku" - novamente parou, verificando no livro se havia lido certo -, e qual sua parte na Liga dos Vilões?
- Você quis dizer qual 'é' meu envolvimento com Deku, não? Aliás, este país dá a garantia de um advogado até para criminosos como eu, que eu saiba. Ou isso também mudou, da mesma forma que minha possibilidade de mobilização?
- Não estamos aqui para discutir tempos verbais, Midoriya. E você estaria acompanhado de um advogado caso tivesse aceitado um. Agora, responda às perguntas, e sem rodeios.
Shouto ficou calado por alguns segundos novamente. Ele não se lembrava de ter recusado um advogado, definitivamente não. Então, será que...?
- Se ao menos minhas mãos estivessem livres, você poderia ter o prazer de ver a aliança de compromisso em meu dedo anelar. Mas creio que até isso vocês tomaram de mim, não? - incitou, ajeitando-se na cadeira da forma que podia e chamando atenção de outros policiais na saleta.
CZYTASZ
Stockholm
Fanfictionsín·dro·me (grego sundromê, -ês, reunião) substantivo feminino 1. [Medicina] Conjunto de sintomas que caracterizam uma doença. 2. Conjunto dos sinais e sintomas que caracterizam determinada condição ou situação. Estocolmo • [Psicologia, Psiqui...
