Acredito que não exista perfeição, vejo apenas a existência do quase. Tudo e todos ao nosso redor, são moldados pela imperfeição, é isso que nos mantém reais. E eu, não sou diferente. Possuo o problema de não conseguir interagir com as outras pessoas. (Não vejo como um, já os meus pais sim.) Eles se culpam por todas as vezes em que brigaram e tivemos que presenciar, eu e meu irmão. Acho que eles estavam tão focados em demonstrar o ódio que um sentia pelo outro, que até esqueciam que estávamos lá. Assistindo à tudo. Na maioria das vezes, eu corria para o meu quarto, trancava a porta e me escondia debaixo da cama. Esperando que tudo terminasse o quanto antes. Eles nunca tinham tempo para mim, e quando tinham, dedicavam ao meu irmão, o Jonas. Me sentia o excluído da família, optava pelo isolamento. Trancado em meu quarto, ignorando as outras pessoas, preferindo a companhia dos livros. Mas é claro que nada dura por muito tempo. Em todos os colégios existem um garoto "estranho". Aquele que se sente diferente diante dos outros. O que se sentava no fundo, distante do resto da classe, sendo o alvo das brincadeirinhas e risadas perversas. Em minha escola eu era esse garoto. Já da para imaginar que eu não tinha amigos, né? O único que realmente gostava de mim, era o Jonas. Era o que eu tinha o mais próximo de uma amizade. Ele nunca me deixou sozinho. Sempre foi o meu herói. "-Só não deixo que ele saiba disso, ele é muito convencido". Eu acreditava que ele era tão protetor por ser a obrigação do irmão mais velho. "Proteger o irmão caçula". Descobri que estava enganado, ele era assim por me amar verdadeiramente. Ele preenchia o vazio que meus pais causaram por não arrumarem tempo para demonstrar o amor que sentiam por mim, se é que eles sentiam algo. (Aprendi a não me importar com essa situação)
Ontem meus pais anunciaram que estávamos prestes a nos mudar. Foi tipo assim, "—Acorde, já está tarde, temos uma notícia para você". —Disse minha mãe. Abri os meus olhos, bocejei e levantei da cama. Ela saiu do quarto e foi em direção a sala, e eu respirei fundo. Fiquei sentado por alguns segundos, criando coragem para me levantar. Depois de muita resistência, cedi e fui até a sala. Ao chegar, me deparo com a cena em que meu pai estava sentado no sofá. Eu apenas atravessei a sala até chegar no sofá em que o mesmo estava sentado, em seguida sentei ao lado dele.
—Vamos nos mudar amanhã, será algo bom, você vai adorar a nova cidade. (Disse a minha mãe com toda serenidade, enquanto colocava a mão sobre o colo do meu pai). —O meu sono já tinha sumido com essa notícia, só existia a expressão de surpresa.
—Nos mudar? —Perguntei em um tom de surpresa, enquanto olhava fixamente para eles.
—Sim, vamos. Claro que seu pai não irá conosco, nem o Jonas. Ambos possuem assuntos para serem resolvidos por aqui. Quero dizer, o Jonas. Já que seu pai aceitou um emprego internacional, e só precisa ficar uns dias por aqui. E seu irmão precisa terminar a faculdade. (Para o meu pai esse emprego caiu como uma benção. O quanto mais longe estivesse da família; era melhor para ele).
—Está tudo certo, não precisa se preocupar. Agora vá se vestir para tomar café da manhã.
Ela nem se quer permitiu que eu questionasse, minha opinião nunca era válida nessa família. Só me restava aceitar tudo isso, era melhor que morar debaixo da ponte. Ontem o meu dia já começou assim. Ao acordar e ter uma notícia que mudará completamente a minha vida. Ainda ter que fingir que nada tinha acontecido, que ninguém precisa da minha opinião para se decidir. Estava na cara que eles estavam planejando isso há muito tempo. E eu, é claro, fui o último a saber. Ontem mesmo descobri que a nossa casa já estava para ser vendida, e a nova já tinha sido comprada. O que restava era empacotar tudo. Parecia que éramos criminosos e tínhamos que fugir as pressas. Não para eles que tramaram tudo, mas pra mim que fui o último a saber. O que resta é guardar o que me pertencia dentro de algumas caixas!
—Acorda. —Disse a minha mãe após entrar no meu quarto, enquanto se dirigia até a janela para abrir as cortinas, permitindo que a claridade se tornasse um incômodo.(Uma pequena técnica que ela achou para poder me tirar da cama).
KAMU SEDANG MEMBACA
Sobre mim
AcakEnquanto ainda não pensei numa descrição detalhadamente, ou perfeitamente elaborada. Que tal da uma lida? Conhecer a história do Erick, e ver que não ser perfeito não significa que você não pode ser feliz. O que precisa acontecer é dar uma chance p...
