Há sempre uma razão para cada coisa. Uma razão pelo qual o céu é azul, uma outra pelo qual o coração bate e ainda uma do por quê a conheci. Lembre-me do meu primeiro amor brilhando que nem estrelas, o brilho entre os seus olhos invejava as mesmas. Ela sorria, eu sorria também e nem entendia o porquê, mas ainda assim o fazia.
Como nos conhecemos? Podemos dizer que foi meio que "nada romântico".
Lembre-me do meu primeiro amor.
Lembre-me de alguém me despertando por dentro e me salvando do nada que me tornara cada dia mais, pois sobrevivia dizendo estar bem, mesmo desconhecendo o significado da tal palavra.
O que é verdadeiramente "estar bem"?
É esbanjar sorrisos? é fingir? Mentir?
De como a conheci realmente nem importa, porque ela nunca me amou desde o princípio e sempre que tentasse fazer com que ela me amasse, nunca funcionava. E eu irritava-me por isso. Eu podia encher os teus pensamentos dizendo de quão felizes fomos, e de como foi mágico o momento que a conheci, e de como vivi os melhores momentos da minha vida, mas deixa-me pôr-te a prova sobre algo...
O que aconteceria se alguém te dissesse que o mundo em que estás não é o mesmo onde pertences? Criarias um só teu ou te conformarias? Caso o criasses onde o meterias? E aceitarias partilhá-lo?
Eu punha o meu mundo dentro de mim mesmo, e em tempos eu me perdia nele de tal maneira que ignorava por completo do mundo onde frequentava, de tal maneira que criei uma personalidade para iludir as pessoas e eu assim poder viver no meu próprio mundo.
Lembre-me de quando eu tinha apenas 13 anos, de ser uma criança pouco faladora, frequentávamos a mesma igreja, mas nem nos notávamos assim tanto, ela era a "pequena" Natália. Seria estranho eu dizer que se eu não cruzasse a vida dela ela teria esse sentimento de "primeiro amor" com o meu melhor amigo - sim, triste, mas real -.
Eu era o típico garoto armado em conquistador, e ela uma tímida menina, forte e firme nas suas crenças. Uma coisa que mudou os nossos caminhos, que talvez seja considerado por muitos o motivo da existência do romance. O fator que interligou as nossas vidas foi quando os pais dela decidiram pôr ela a estudar no estrangeiro, nem doeu, por que haveria!? Até porque nem havia intimidade entre nós na altura, talvez para o meu amigo doesse mais do que para mim, mas foi neste instante que começou a nossa amizade. Ela pelos vistos tinha uma ideia completamente errada de mim, e levei um longo espaço para convencer ela do contrário, e foi precisamente no dia 11 de setembro de 2013 que eu ganhei coragem e a pedi em namoro contando que ela não iria aceitar, mas para a minha felicidade não foi assim que aconteceu.
Eu era apenas mais um garoto querendo descobrir o mundo dos adolescentes, queria me aventurar e viver, nunca pensava em fazer planos para o futuro e muito menos amar no verdadeiro sentido da palavra, me interessava pouco em mulheres, mas já era considerado mulherengo, por que até nem sei, já ela era linda, tinha um brilho no olhar que cintilava sempre que pensava em mim, olhos que brilhavam tanto que envergonhavam o sol de maneiras inimagináveis, suas bochechas quase sempre demostravam sentimentos de alegria e o seu sorriso era que nem céu estrelado.
Desde o princípio, na música e nos livros, eu sempre via e ouvia que "quando te encontrares com o amor irás ter o melhor sentimento do mundo", muitos diziam o contrário, mas quando descobri esse sentimento, foi algo estranho pois não estava a ser eu, pois assim como toda gente, eu ainda acho que cada pessoa tem um padrão, uma identidade, e essa identidade tem traços, ações únicas, e quando começas a fugir das tuas ações normais, acabas confundindo ela - a tua identidade -, aí nasce a dúvida.
Por isso foi difícil aceitar que estava amando, pois desconhecia o amor. O que é o amor para um rapaz de 15 anos? Para adolescentes é uma fantasia, mas até que ponto a fantasia pode transformar-se em algo puro? Um amor verdadeiro, talvez?
Lembre-me quando ela me ligou pela primeira vez, eu era tão tímido, eu estava na gráfica fazendo um trabalho para o meu pai quando o telefone chamou, número desconhecido por sinal, eu atendi "alô", ouvi um sorriso do outro lado, assustei-me pelo tempo de espera de resposta:
- Oi, sou eu, a Natália, tens uma voz muito fofa, nunca imaginei.
Eu corei na hora. E desde esse dia eu acreditei que sim, é essa pessoa que quero por perto, para sempre. Ao luar, eu ficava horas e horas falando ao celular imaginando ela ao meu lado, lembre-me do meu primeiro amor como um flashback, demostrava pouco o amor que ela sentia por mim que na maioria das vezes pensava em desistir, e desisti, não porque quis, mas sim porque eu sentia que não era correspondido como eu gostaria que fosse.
E quando terminamos (sim, terminamos), estava eu olhando para as estrelas, lembro-me de amar antes de ela ir embora de vez. O que faço com o amor que ela deixou dentro de mim?
Por essa razão afastava-me, mesma razão pelo qual eu mentia cada vez mais para mim próprio, cada vez mais, e mais, até preencher o vazio. Depois de mais de duas semanas sem falarmos, eu temia que o tempo que eu não tinha dado atenção mudasse o que ela sentia, e mudou, peguei no meu celular e mandei a seguinte mensagem:
- "Desculpa por todo tempo sem atenção, eu não prometo que não será sempre assim, e se de alguma maneira não quiseres continuar, manifesta-te agora, pois já não terás volta".
Obvio que agi que nem um idiota, um idiota que achava que relacionamento era igual à partida de futebol onde se o teu parceiro não quisesse continuar o jogo acaba e ninguém podia fazer nada para mudar. Desistir sem ao menos lutar, esse era eu, e de nada me orgulho.
Foi como uma explosão, a terceira guerra mundial, eu temia que mudasse alguma coisa e mudou, voltei a amar em segredo como sempre fazia, doía muito, mas tive que aguentar e ser o "amigo", amigo esse que estava aí para tudo, quando ela saia com outros eu à direcionava como se proteger, evitar momentos indesejáveis, coisas que um "amigo" faria.
Aventurei-me inúmeras vezes, com várias garotas, umas mais marotas que outras mas sentia que faltava algo, nada a ver com sentimentalismo nem coisa parecida, mas sentia que com ela era diferente, pois sempre dava maior atenção a ela do que nas outras garotas, como se o resto do mundo fosse apenas resto, literalmente, e por essa razão meus relacionamentos davam errado, não por culpa dela, mas pelo que ela me fazia sentir. Amor.
CITEȘTI
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