Capítulo I

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      O cheiro do cigarro é forte, a fumaça passa pelas gretas da parede de madeira, ela vem do quarto de algum adulto da casa, um lugar velho e empoeirado que um dos familiares herdará dos antigos da família, o relógio está fazendo o seu ''TIC-TAC'' alto, ele é antigo, sujo e há teias de aranhas por todas as partes, faz barulho mas seus ponteiros não se mexem, as horas são as mesmas a muitos anos, ninguém vai jogá-lo fora, é uma herança deixada por alguém importante, um conhecido da família. A noite está silenciosa, não tanto quanto eu gostaria mas é o suficiente. Ouço o uivo dos lobos da floresta, por perto, eles vagam a noite de lua cheia, eu deveria fazer parte da noite de hoje, é uma data especial para muitos , é uma grande e tediosa rotina para todas as luas cheias, desta vez, não irei participar, e mesmo que participasse, aqueles que moram aqui nem sequer notariam minha ausência.

      Meus pensamentos fluem profundamente a noite, até o momento em que adormeço e um sonho me traz tamanho incomodo, tenho o tido durante muitas noites e sempre me dão medo, não deveria temer nada, mas eles, eu os temo.  A última lembrança  que tive com essa situação, escutei gritos de dor, agonia e desespero, me falavam palavras horríveis, eu implorava por ajuda, mas ninguém me ouvia, mexia meus braços, meu corpo, nenhum sinal, não os sentia, uma respiração ofegante, uma mistura de medo, cansaço e dor, perdendo a consciência devagar e adormecendo. O único que sabe sobre meus sonhos estranhos é o meu psicologo, e que por esse motivo me faz tomar alguns remédios e calmantes, não quer dizer que eu o obedeça e tome as pílulas.

      Estava prestes a pegar no sono depois de pensar tanto, quando o ruído das paredes rangendo me fez despertar, levantei-me da cama e andei até a cozinha com passos silenciosos, enquanto estava pegando um copo para beber água avistei uma sombra com olhos brilhantes olhando fixamente pra mim, era como se eu soubesse que aquela sombra queria algo mas a ignorei. Peguei o copo de água e me dirigi para meu quarto, deite-me na cama e comecei a pegar no sono, e, eles estavam novamente lá, dessa vez era uma multidão enfurecida, haviam correntes sendo arrastadas e alguém sussurrando coisas terríveis, eles me torturavam mas não eu conseguia ver seus rostos, eu gritei, fiquei desesperado, eu corria mas não via saída, eu estava lá com eles novamente, perdido.

     Na manhã seguinte acordo sentindo fortes dores de cabeça,  era como se  eu tivesse bebido uma quantidade grande de bebida alcoólica, me sinto com medo do escuro mesmo dormindo nela, a lembrança de um pesadelo me é vaga, mas sei que aconteceu algo, não como se alguém tivesse entrado pela minha janela e com vontade de tirar a minha vida mas sim uma sensação de que alguém ainda estava ali me observando e querendo o meu pior, eu não vou me abater novamente, vou deixar que os dias passem vivendo-os como sempre fiz.



Dias comunsWhere stories live. Discover now