Acordei animada naquele dia. Era a primeira vez que iríamos a uma cartomante. Rodrigo, Carol e eu.
A curiosidade falava mais alto para mim, é claro, afinal apenas queria ter certeza que não estava alucinando e que meu amigo nutria sentimentos pela minha pessoa.
O detalhe é que Rodrigo sempre foi aquele cara fechado, e na dele, então muitas vezes suas atitudes comigo pareciam apenas as de um bom amigo. Porém a cartomante tiraria minhas dúvidas e eu poderia dar o primeiro passo sem medo, ou não daria passo algum.
***
O lugar era mais longe do que imaginávamos. Carol inclusive pensou em dar meia volta e ir para casa, dizendo que poderíamos ser assaltados a qualquer momento. No entanto, a convenci do contrário e depois de uma longa caminhada por uma rua estreita e mal iluminada – mesmo sendo de dia – chegamos à casa indicada no papel que eu arrancara de um poste dias atrás.
Era uma residência simples e até certo ponto me fizera lembrar as casas de filmes de terror. Mas isso passou quando uma senhora apareceu na porta e nos convidou a entrar. Ela passou os olhos por nós atentamente e depois sinalizou com a mão na direção do sofá, diante de uma pequena mesa.
— Qual de vocês quer ver a sorte primeiro? — perguntou.
Carol e Rodrigo imediatamente olharam para mim, afinal era a mais ansiosa para ir ao local. Concordei com um olhar e disse que seria a primeira.
— Qual o seu nome completo? — indagou ao acender um incenso de flores e colocava uma vela rosa em um pires.
— Luna Souza Bittencourt — respondi enquanto ela embaralhava as cartas e fazia o sinal da cruz.
Ela espalhou as cartas sobre a mesa alternando o olhar atento entre mim e o que estava a ler naquelas figuras que me pareciam indecifráveis.
— Amor... Sucesso... Tragédia. — Essas três palavras foram tudo que ela disse.
Isso poderia ter me assustado se eu não estivesse tão concentrada em uma misteriosa e exuberante rosa vermelha gentilmente colocada entre livros, em uma estante atrás da vidente. A flor emanava mistério, pois estava fora d'agua e ainda assim mantinha-se com um tom de vermelho muito vívido. Era surpreendente exatamente por sua cor.
— Luna, você tem um grande amor na sua vida — continuou a mulher, alheia à minha distração. — E ele é correspondido. Vejo um forte vínculo entre vocês. — Fez uma pausa. — E você também está para realizar um grande feito em sua vida profissional. Mas como você pode ver as cartas terminam em morte... E no seu caso isso significa mais do que o fim de um ciclo. Significa uma tragédia.
Desviei o olhar da rosa por um instante, agora assustada.
— Que tipo de tragédia?
— Nem tudo as cartas revelam! — respondeu ao recolher o baralho. — Quem será o próximo? — Voltou a embaralhar.
Carol tomou coragem e sentou em meu lugar quando voltei para o sofá, ao lado de Rodrigo. Segui admirando aquela rosa vermelha. Estava tão concentrada nela que quase não percebi quando meu amigo pegou minha mão e entrelaçou seus dedos aos meus.
Antes de permitir que Rodrigo tivesse sua sorte lida a cartomante notou meu olhar fixado na rosa vermelha.
— Vejo que gostou da rosa — comentou.
— Ela é encantadora. Quase como se tivesse algo mágico! — respondi, admirada.
A cartomante ignorou meu comentário, como se fosse a maior besteira do mundo, concentrada em tirar as cartas para meu amigo.
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13 contos de amor ou não
Short StoryUma deixou de acreditar no amor, a outra quer tê-lo de volta e se vingar, enquanto a terceira deseja nunca ter se apaixonado. Existe também uma garota em crise, forças sobrenaturais, amores não resolvidos e o nascimento do sentimento em um mundo dis...
