Tic... Tac... Tic... Tac...
Sinto-me uma bomba prestes a explodir. A pressão da escola está a dar comigo em doida.
Tic... Tac... Tic... Tac...
- Oh Catarina, não empurres!
- Talvez se ela fosse mais magra, coubéssemos os três no corredor, Margarida!
Até que ponto é que estes comentários, acompanhados de risos, me vão fazer, realmente, rebentar?
Ando sozinha até à máquina de comida, pois este é o meu único porto seguro, neste momento. O caminho parece demasiado longo e as bocas, que se abrem e fecham a gozar com a estrutura do meu corpo, que vão surgindo começam a parecer cada vez mais distantes.
Insiro a moeda e ela cai no sitio do troco. Volto a meter a moeda e ela cai novamente. Quando vou buscá-la, novamente, para a voltar a por, sinto um toque que fez com que parecesse que a máquina me sugara.
- Calma, Catarina! Há que chegue para todos! Não precisas de abraçar a máquina!
A minha cara ficou lavada em lágrimas e saio a chorar. Deveria estar a correr a 5 km/h, mas, naquela altura, pareciam 90.
Ouço a voz de um rapaz a ecoar o meu nome, seguido do som de passos a correr. Não queria acreditar que me podiam estar a seguir.
- Catarina!!
- Dri, podes ligar a câmera?
Adoro gravar "Maquilha e Fala". Sinto que consigo estar muito mais perto dos meus subscritores e gosto que eles saibam o que ando a passar.
- Oi Babes! Hoje trago-vos mais um "Maquilha e Fala" onde vou, basicamente, mostrar-vos que produtos é que ando a usar e falar um pouco sobre o que se anda a passar! - enquanto isto, a Dri está sentada atrás da câmera a ver-me a colocar a base, o corretor e as sombras. - Fica aqui dito e esclarecido, que eu vou acabar o curso em Março!
Montes de outros produtos de maquilhagem são colocados na minha cara, mas de modo que esta não deixe de parecer natural. Quando era mais nova, a maquilhagem era um refúgio para mim, pois sentia que era como se fosse uma máscara. Uma máscara bonita que me protegia de todos os meus defeitos e de os mostrar a quem pudesse usá-los para gozar comigo. Agora já não. Uso-a para me sentir bem comigo própria, sem querer saber da opinião dos outros.
- E este foi o vídeo de hoje! Deixem like e subscrevam o canal! Byeeeee
- Essa maquilhagem está brutal, Catih!- a Dri consegue sempre meter um sorriso na minha cara.
- Thanks, Dri!
- Catih, desculpa, mas tu sabes que tenho um jantar com o Bruno, por isso tenho mesmo de ir!
- Hum, okay! Eu acompanho-te à porta!
A Dri é sempre uma ótima companhia e consegue sempre a pôr-me a chorar de rir quando estou com ela, portanto fico sempre triste quando nos despedimos.
Depois de a deixar, sento-me no sofá onde duas questões são lançadas na minha cabeça: editar ou ver episódio da "Herdeira"? Começo a pensar que vou ter de editar o vídeo que tinha acabado de gravar e a ideia começa a ficar um bocadinho longe do que me apetecia fazer. E todos os episódios da Herdeira, que tinham saído esta semana, eu já tinha visto. Decido então ligar ao Josh para irmos tomar um café. Afinal, o meu coffe count de hoje está baixo.
- Hey, Catih! Como estás?
- Hey, Josh! Estou bem e tu? Olha estava a pensar se não querias ir tomar um café or something like that.
- Desculpa, mas estou aqui com a minha mulher e uns amigos! Agora não dá mesmo! Combinamos para outra altura?
- Sim, claro! Não faz mal!
- Então, adeus!
- Adeus!
Josh e Dri ocupados. Acho que vou dar uma volta sozinha ao Parque Eduardo Sétimo.
Chamo o Cabify e, mal ele chega, meto-me no carro e faço um instastory.
O trânsito era a razão de estarmos parados há mais de 10 minutos na Avenida da Liberdade e não via o motivo dele. Abro a janela para respirar um pouco, pois já estava a ficar mal-disposta, e deparo-me com uma menina com a cara pintada. Ela lembrou-me da confusão que o Wonderland Lisboa, que fica no Parque Eduardo Sétimo, faz nesta altura do ano. Penso numa maneira de escapar aos gritos de miúdos e o pânico dos pais na multidão e só me vem à cabeça correr, mal fecho a porta do carro.
Corro o suficiente para pensar que um bocadinho mais de exercício, durante a semana, não era mal pensado.
Encontro umas babes pelo caminho que querem tirar uma foto comigo. Suada, tiro a foto e continuo a correr até chegar à fonte, localizada na saída do parque.
Sento-me e consigo ver o panorama do parque. Ver miúdos aos gritos e pais em pânico já não era um problema para mim, pois não tinha que passar por eles. Vejo cães a correrem de um lado para o outro e isso anima-me, não sei porquê.
- OMG! CATIH! PODES TIRAR UMA FOTO COMIGO?- uma rapariga de óculos azuis e cabelo loiro acaba de me berrar aos ouvidos.
- Claro!
Podia importar-me com o facto de ser, constantemente, chamada para tirar fotografias, mas não. Adoro todo o carinho que me dão e isso faz com que os meus dias fiquem mais alegres, de certo modo.
- Desculpe, por acaso não tem uma caneta?
Viro-me para trás e vejo um homem, que parecia ter uns vinte e poucos anos, de estrutura média com o cabelo castanho. Os seus olhos azuis refletem a roda gigante, situada na entrada do parque.
- Hum... Let me see. Sim! Tenho! Tome.
- Muito obrigado! Já lha devolvo!
Vi-o a sair para ir ter com os seus amigos e só penso que ele é demasiado crescido para jogar ao verdade ou consequência. Continuo a olhar para ele e reparo que, afinal, ele está a desenhar alguma coisa. Não consigo ver o que é, pois ele ainda está a uns 10 metros de mim, mas parecia estar a desenhar a roda gigante do parque.
De repente, ele olha para mim. Não percebo o porquê até ele desviar os olhos em direção à minha mala. O meu telemóvel estava a tocar e toda a gente no parque parecia ter reparado menos eu.
- Oi, Catih! Onde estás?
- Mary! Estou no Wonderland, porquê?
- Estás no Wonderland? Ainda bem, estou a passar por aí de carro. Daqui a 2 minutos encontramo-nos na porta!
- Mary!
Não deu tempo de lhe perguntar o que se passava, pois ela desligou-me logo o telemóvel. Esqueço-me do rapaz com a minha caneta e começo a correr até à porta.
Vejo logo o carro preto da Mary e dirijo-me a ele. Entro no carro e sento-me ao lado dela.
- Mary, o que se passa?
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Foi este o primeiro capítulo! Quero que saibam que isto foi tudo inventado e que nada disto foi tirado de algum sítio.
Espero que tenham gostado e continuem a ler!
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Light Camera Action
FanfictionFicámos habituados a imaginar um sorriso logo após o vídeo acabar. Ficámos acostumados a pensar que o "Oi Babes" era dito cheio de alegria. Muitas vezes não é assim. Esta fanfic vai levar toda a tropa de babes a conhecer o outro lado da câmera. O l...
