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Capítulo 1

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Ela, Hayden Menegrinn estava a caminho do cemitério de sua cidade. Ele, Jorge Watson será a pessoa no qual Hayden está indo visitar no cemitério.

Desligou o carro e pegou o ramo de flores que estava no banco do passageiro. Algumas tulipas, alguns lisiantos e uma rosa branca no meio das coloridas. Saiu do carro e entrou desconfortável no cemitério. Estando de dia ou de noite, isso não importava. O motivo de seu desconforto era ter que visitar alguém no cemitério. Alguém que pensou que ficaria mais tempo ao seu lado.

Passou entre as várias lápides observando algumas flores mortas ao lado. Em sua opinião desde pequena, Hayden nunca acreditou em fantasmas e por isso nunca achou o cemitério, cenário de vários filmes de terror, assustador. Pra ela não passava de um local triste e repletos de arrependimentos.

Chegando perto da lápide de Jorge, o ritmo de seus passos foram diminuindo e ajoelhou-se na grama verde. Colocou o ramo de flores frente a lápide.

— Uma semana. Faltava uma semana para nós tocarmos nossa música na apresentação na qual fomos convidados. A apresentação é hoje, não sei se consigo tocar sem você. - Respirou fundo e olhou contra a ventania que levava seus cabelos em seus olhos. — Por que ainda os bares deixam seus clientes irem dirigir embriagados?

Se levantou e passou as mãos tirando a terra dos joelhos. Foi até o carro e entrou. Colocou o cinto de segurança mas não ligou o veículo. Estava em um olhar perdido com os olhos vidrados no seu parabrisa. Em sua mente vinha a lembrança de como esse dia fora tão esperando por eles. E como será difícil em ter que tocar uma música que os dois compuseram e pretendiam tocar juntos.

Deu a partida e foi para a casa.

Já se encontrava de noite. Hayden estava a frente do espelho colocando seus brincos e dando o toque final em seu cabelo. Estava elegante, com um leve vestido azul escuro e brilhante que batia um pouco acima dos joelhos, e saltos pretos.

  Desceu as escadas da casa e caminho até sua bolsa-carteira em cima da mesa de jantar. Conferiu se tudo que precisava estava dentro e caminha até a porta passando pelo belo carpete branco na sala de estar. Mas é surpreendida com o barulho do seu celular tocando. Revirou os olhos e soltou um baixo rosnar. Voltou e se sentou no sofá, cruzando as pernas e pegando o celular da bolsa.

— Alô, Cherry?

— Oi, Heyden. Estou ansiosa para vê-la tocar, está a caminho?

— Na hora que você me ligou já estava prestes a sair de casa.

— Ok, desculpe. Já estou aqui no Teatro de Galiseu. Venha logo! Beijos. - Encerrou a ligação.

Hayden olhou para o relógio e viu que não estava atrasada e ficou mais tranquila. Guardou o celular novamente na bolsa-carteira e andou até um porta-retratos onde estava Jorge e ela. Passou a mão levemente e olhou para o piano.

— Essa noite é nossa... Independente de onde esteja agora.

Largou a bolsa no sofá e correu até o piano. Aproximou os dedos das teclas e tocou a primeira nota. Um frio na barriga e lembrou de um momento que a ajudou a decorar as notas.

— Uma coisa que sempre acontece comigo, é que eu  acidentalmente crio uma bela música mas não lembro as notas.

— Caso você se esqueça, estou aqui para lembrar. - Disse sentando ao lado dela e clicou em uma tecla aleatória. Hayden fez o mesmo.

De um e outro tocando em teclas que achavam que ia caber perfeitamente, a música foi nascendo. Em algum momento feliz, como um jantar romântico ou em algum passeio, mais teclas que podiam se associar as outras passavam pelas cabeças dos dois.

— Lembre-se, Hayden. Nos momentos mais felizes que nasciam as notas e complementavam a música.

Tocou a primeira nota, a segunda, a terceira. Até fechar os olhos e só sentir a música e ver suas lembranças, o ritmo se associando aos leves “pra lás e pra cás” do corpo e estar tocando perfeitamente. O cenário não era mais sua sala, e sim o palco que sempre sonhou em tocar com Jorge. Quando abriu os olhos e não tocava mais, foi aplaudida de pé. Olhou para todos e se levantou, com os dedos entrelaçados na barriga. E quando tudo se acalmou e todos pararam de aplaudir, disse:

— Jorge, infelizmente nós tocamos no começo, mas fui eu que toquei no fim. Receba esses aplausos onde estiver. Obrigada.

No Toque Certo [Degustação]Stories to obsess over. Discover now