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Nova York - O Presente

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UM

            The Bank era um antiquíssimo edifício de pedra localizado no final da Houston Street, na última linha divisória entre o ousado East Village e a selvageria do Lower East Side. Antiga sede da respeitável corretora de investimentos Van Alen, o local era, ao mesmo tempo, atarrancado e imponente, um paradigma do estilo beaux-arts, com uma clássica fachada de seis colunas e uma assustadora fileira de "dentes"
- recortes bem afiados na superfície do frontão. Por muitos anos, ele permaneceu na esquina das ruas Houston e Essex, de solado, vazio e abandonado, até que em uma noite de inverno, quando um promoter de clube noturno, vestindo um tapa-olho, deu de cara com o edifício após devorar um cachorro-quente no Katz's Déli. Ele estava à procura de uma casa de shows para divulgar o novo som que seus DJs tocavam - um tipo sombrio, obscuro, ao qual chamavam de "trance".
            A música pulsante transpunha as paredes e chegava até a calçada, onde Schuyler Van Alen, uma menina de quinze anos, baixa, de cabelos escuros, olhos azuis brilhantes envoltos por uma sombra escura, aguardava inquieta no final da fila, em frente ao clube, enquanto mordiscava as lascas de esmalte preto, ela resmungou:
             -- Você acha mesmo que vamos conseguir entrar?
            -- Tranquilo - respondeu seu melhor amigo, Oliver Hazard-Perry, levantando a sombrancelha. - Dylan me garantiu que será moleza. Além do mais, se for preciso, podemos apontar para aquela placa ali em cima. Sua familia construiu este lugar, está lembrada? - sorriu o menino.
            -- Ah, me conta outra novidade! - Schuyler forçou um sorriso, olhando para cima. A Ilha de Manhattan tinha uma relação íntima com a história de sua família, e até onde conseguia se lembrar, tinha algum tipo de ligação com o Museu Frick, com o a Via Expressa Van Wyck e com o Planetário Hayden, além de uma ou duas instituições (ou ruas principais). Não que isso fezesse alguma diferença em sua vida, afinal, ela mal conseguia pagar a entrada de vinte e cinco dólares na porta do clube.
Oliver carinhosamente colocou o braço sobre o ombro dela.
            -- Pare de se preocupar! Você se preocupa demais. Será divertido, prometo pra você.
            -- Como queria que o Dylan tivesse nos esperado - afligiu - se Schuyler, arrepiando - se com o feio que entrava pelos buracos na altura do cotovelo de seu casaco de lã. Ela havia encontrado essa peça em um brechó de Manhattan Valley semana passada.
A roupa cheirava a velharia e a perfume de água de rosas, e sua fina estrutura perdia - se nas volumosas fibras. Parecia que Schuyler sempre ficava escondida nos tecidos que usava. O casaco preto quase batia na panturrilha, e sob ele a menina vestia uma camiseta toda preta que ainda encobria uma malha térmica surrada na cor cinza. Já na parte de baixo, usava uma longa saia, estilo camponês, que varria o chão. Assim como a roupa de um moleque de rua do século XIX, a bainha da saia ficava preta de sujeira de tanto arrastar nas calçadas. Nos pés, ela vestia tênis preto e branco da marca Jack Purcell, os seus preferidos, aqueles que tinam buracos no dedo direito tampados com silver tape. Seus cabelos escuros e ondulados estavam jogados para trás, com um lenço de miçangas que havia encontrado no armário de sua avó.
 

        Schuyler era irresistivelmente linda, com um rosto meigo, dócil; nariz voltado para cima, em perfeita posição; e pele macia, branca como o leite - mas havia algo quase irreal em sua beleza. Ela parecia uma boneca de Dresden em trajes de bruxa. As outras crianças da Duchesne School pensavam que ela se vestia como uma mendiga. E o fato de ser exageradamente tímida e retraída não ajudava nada, pois fazia com que pensassem que ela era convencida, o que não se confirmava. Era apenas uma menina de poucas palavras.
         Oliver era alto e esbelto, e seu rosto élfico alongado era emoldurado por fios de cabelo castanho. Ele tinha os ossos da face acentuados e olhos castanho-claro bem receptivos. Vestia um grosso sobretudo militar sobre a camisa de flanela e uma calça jeans azul esburacada. A camisa de flanela era da John Varvatos; os jeans, da Citizens of Humanity, é claro. Oliver gostava de agir como um jovem rebelde, mas apreciava ainda mais fazer compras no SoHo.
            Os dois eram melhorea amigos desde a segunda série, quando a babá de Schuyler se esqueceu de entregar a ela o lanche para levar à escola - Oliver acabou dando metade de seu sanduíche de alface e maionese para ela. Eles terminavam as frases um do outro e gostavam de ler em voz alta páginas aleatórias de Infinite Jest quando ficavam entediados. Ambas as crianças eram legado da Duchesne e tinham suas origens ligadas ao Mayflower. Schuyler contava seis presidentes dos EUA em sua árvore genealógica. Mas mesmo vindos de estirpes prestigiadas, eles não se adaptaram a Duchesne. Oliver preferia museus a lacrosse, e Schuyler nunca cortava o cabelo e só vestia roupas de lojas de segunda mão.
            Dylan Ward era um novo amigo - um menino de traços tristes, cílios longos, olhos que ardiam, e de reputação denegrida. Supostamente, ele possuía antecedentes criminais e tinha acabado de escapar da escola militar. Ao que consta, seu avô, para garantir a matrícula do neto, havia subornado a Duchesne School com fundos para um novo ginásio de esportes. Dylan imediatamente se aproximou de Schuyler e Oliver,  identificando - se com suas características de desajustados.
            Schuyler prendeu o ar com as bochechas e sentiu um poço de ansiedade formando - se no estômago. Eles se sentiam tão bem passando o tempo no quarto de Oliver, como de costume, ouvindo música e conferindo as ofertas em seu TiVo, ou quando Oliver colocava outro jogo do Vice City em tela dividida, enquanto ela folheava rapidamente páginas de revistas de luxo,  fantasiando estar deitada tranquilamente em uma jangada em Sardenha, dançando flamenco em Madrid ou vagando pensativa pelas ruas de Bombaim.
            -- Não sei se devemos fazer isso - disse ela, preferindo que estivessem no aconchegante quarto de Oliver em vez de estarem passando frio na calçada, do lado de fora do clube, aguardando para ver a passariam pela revista na entrada.
            -- Não seja pessimista - Oliver a repreendeu. Tinha sido ideia dele deixar o conforto de seu quarto para encarar a vida noturna de Nova York, e ele não queria se arrepender disso. -- Se você pensar que vamos conseguir entrar, então conseguiremos entrar. É tudouma questão de confiança, acredite em mim. - Logo depois, ouviu um aviso de seu BlackBerry. Ele o tirou do bolso e olhou para a tela. -- É o Dylan. Ele está lá dentro e nos encontrará perto das janelas, no segundo andar. Combinado?
            -- Eu pareço mesmo estar bem? - Ela perguntou, demonstrando repentina incerteza quanto a suas roupas.
            -- Você está bem - respondeu ele, sem parar para pensar. -- Você está ótima - reafirmou enquanto tocava com os dedos no dispositivo de plástico, à espera de uma resposta.
            -- Você nem está olhando pra mim.
            -- Mas eu olho pra você todo dia - caçoou Oliver focando em seus olhos, antes de ficar vermelho e desviar o olhar de forma atípica. Seu BlackBerry soou novamente, e desta vez ele se desculpou, afastando - se para atendê - lo.
            Só outro lado da rua, Schuyler avistou um táxi parando no meio - fio, e de dentro dele saiu um rapaz loiro e alto. Tão logo ele surgiu, outro táxi desceu em alta velocidade, pelo lado oposto da rua. Foi imprudente, brusco, e à primeira vista parecia que o carro erraria o alvo, mas, no último instante, o menino se atirou em seu caminho e desapareceu debaixo das rodas. O táxi sequer parou, apenas continuou acelerando como se nada tivesse acontecido.
            -- Oh, meu Deus! - gritou Schuyler.
            Ela estava certa de que o rapaz tinha sido atingido, atropelado. Com certeza já estava morto.
            -- Você vou aquilo? - perguntou ela, procurando freneticamente ao seu redor por Oliver, que parecia ter desaparecido. Schuyler atravessou a tua correndo, apenas na expectativa de encontrar um corpo já sem vida, mas o menino estava ali, de pé, bem em frente a ela, contando o troco em sua carteira. Ele bateu a porta e o táxi seguiu viagem. Ele estava inteirinho, sem um arranhão.
            -- Você devia estar morto - Ela sussurrou.
            -- Como é que é? - ele indagou, com um sorriso excêntrico no rosto.
            Schuyler ficou um pouco surpresa - Ela o reconhecia da escola. Era Jack Force. O famoso Jack Force. Um daqueles caras - Capitão da esquipe de lacrosse, ator principal no Teatro da escola, além de ter seu trabalho final de semestre sobre shopping centers publicado na revista Wired. Ele era tão bonito que ela não conseguia olha - lo nos olhos.
            Talvez ela estivesse imaginando coisas. Talvez apenas pensasse tê - lo visto mergulhar em frente ao táxi. Só podia ser isso. Estava apenas cansada.
            -- Não sabia que você era um noia - Ela deixou escapar, toda sem jeito, como se estivesse se referindo a um fã de trance.
            -- Para falar a verdade, eu não sou. Estou indo naquela direção - explicou ele, apontando para o clube vizinho ao The Bank, onde um astro do Rock pra lá de entorpecido conduzia várias groupies cheias de sorrisinhos para o outro lado da corda de veludo.
            Schuyler ficou vermelha.
            -- Ah, eu deveria saber disso, me desculpe.
            Ele sorriu para ela demonstrando simpatia.
            -- Por quê?
            -- Por que o quê?
            -- Por quê pedir desculpas? Como você poderia saber disso? Você lê pensamentos ou algo assim? - ele perguntou.
            -- Talvez eu leia. Devo estar num mal dia - sorriu Schuyler. Ele estava flertando com ela, e ela retribuindo o flerte. Certo, então tudo aquilo era definitivamente apenas feito de sua imaginação. Não havia a menor chance de ele ter se jogado na frente do táxi.
            Ela estava surpresa por seu comportamento tão amistoso.
A maioria dos rapazes de Duchesne era tão convencida que Schuyler nem se incomodava com eles. Eram todos farinha do mesmo saco - com suas calças de algodão da Duck Head e sua ponderada indiferença, piadas amenas e jaquetas para jogar lacrosse. Ela jamais tinha pensado em Jack Force por mais de alguns segundos - ele era so terceiro ano, do planeta Popularidade; eles até poderiam ir para a mesma escola, mais dificilmente respiravam o mesmo ar. Afinal de contas, a irmã gêmea dele era a indomável Mimi Force, cujo único objetivo de vida era fazer com que todos os outros se sentissem desprezíveis. "A caminho de um funeral?", "Quem morreu e lhe deixou sem casa para morar?" eram alguns de seus insultos nada criativos direcionados a Schuyler. Aliás, por onde andava Mimi? Os gémeos Force não eram uma dupla inseparável?
            -- Ouça, você quer entrar? - indagou Jack, sorrindo do nada ao seu lado. De onde ele poderia ter vindo? Schuyler ficou imaginando. Como ele conseguia fazer aquilo? Oliver sabia demonstrar uma grande habilidade em aparecer no exato momento em que você não queria sua presença.
            -- Aí está você, minha querida - disse ele, insinuando uma repreensão. 
            Schuyler piscou os olhos.
            -- Ei, Ollie. Você conhece o Jack?
            -- E quem não conhece? - respondeu Oliver, ignorando - o de propósito. -- Meu bem, você vem ou não? - ele insistiu, como se tivesse poder sobre ela. -- Eles finalmente estão deixando as pessoas entrarem. - Ele aponta para o The Bank, onde um estável grupo de adolescentes vestidos de preto estava sendo reunido em meio às colunas estriadas.
            -- Preciso ir - disse ela, desculpando - se.
            -- Mas já? - lamentou Jack, com os olhos seguindo seus movimentos.
            -- Já demorou até demais - completou Oliver, sorrindo num tom ameaçador.
            Jack encolheu os ombros.
            -- Até mais, Schuyler - ele se despediu, puxando o colar de seu casaco de lã colorido e caminhando em direção oposta.

            -- Algumas pessoas... - Oliver começou a reclamar, enquanto juntavam - se novamente à fila. Ele cruzou os braços e olhou irritado.

            Schuyler estava quieta, mas com o coração disparado no peito.
            Jack Force a conhecia pelo nome.
            Eles avançaram vagarosamente, aproximando - se mais do que nunca da drag queen, deslumbrante que só ela, com uma prancheta atrás da corda de veludo. O clone de Elvira, a rainha das trevas, avaliou cada grupo com um olhar penetrante, mas nenhum foi rejeitado.
            -- Agora, lembre - se: se eles desconfiarem da gente, fique calma e pense positivo. Você tem que imaginar que vamos entrar. Combinado? - sussurou Oliver firmemente.
            Schuyler concordou com a cabeça. Eles começaram a caminhar, mas foram interrompidos por um segurança que ostentava uma grande mão corpulenta.
            -- Identidades! - ele gritou
            Com os dedos tremendo, Schuyler colocou uma carteira de motorista com o nome de outra pessoa - mas com sua própria foto - sobre a superfície laminada. Oliver fez o mesmo. Ela mordia os lábios. Ela iria mesmo ser pega e jogada na cadeia por causa disso. Mas então lembrou - se do que Oliver havia dito. Fique calma. Confiança. Pensamento positivo.
            O segurança passou as identidades sob um leitor infravermelho, que não apitou. Ele parou, franziu a testa e ergueu as carteiras de habilitação para verificar, olhando os dois com um olhar de incerteza.
            Schuyler tentou demonstrar uma tranquilidade que não sentia; seu coração batia tão rápido sob suas finas camadas de pele. Mas é claro que aparento ter 21 anos. Eu já frequentei este local antes. Não há absolutente nada de errado com a identidade, ela pensava.
            O grandalhão passou o documento no leitor novamente. Em seguida balançou a cabeça.
            -- Tem alguma coisa errada - ele resmungou.
            Com o rosto pálido, Oliver olhou para Schuyler. Ela pensou que iria desmaiar. Nunca havia ficado tão nervosa em toda sua vida. E os minutos passavam. As pessoas da fila que aguardavam para entrar começaram a ficar impacientes.
            Não há nada de errado com a identidade. Calma e confiança. Calma e confiança. Então, ela imaginou o segurança acenando para os dois, que juntos entraram no clube. DEIXE A GENTE ENTRAR. DEIXE A GENTE ENTRAR. DEIXE A GENTE ENTRAR. APENAS DEIXE A GENTE ENTRAR!
             O segurança olhou para cima, assustado, quase como se estivesse ouvindo as preces da menina. Parecia que o tempo tinha parado. Então, ele devolveu os documentos e acenou para que seguissem adiante, do mesmo modo como Schuyler havia mentalizado.
            Schuyler respirou aliviada. Ela é Oliver trocaram um contido olhar de alegria.
           Estavam dentro.



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Oi genteee, bom para deixar claro que essa história é de um livro da autora Melissa De La Cruz. Estou escrevendo ele para que vocês também possam estar por dentro dessa história incrível. Espero que gostem bjs

Blue Bloods (Vampiros De Manhattan)Stories to obsess over. Discover now