1 - Who's the girl?

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- Harry! Olha isso... - Algo cativou a visão de Daisy, o que fez ela correr para longe de mim entre as inúmeras árvores que cobriam a floresta vazia de humanos. Meu peito apertava e o meu coração era fisgado. Eu não entendia porque estava sentindo tais coisas, mas eu a segui para ver o que lhe chamou atenção.

- Vem logo, você precisa ver essa paisagem. - A minha namorada cessou seus pés na beira de um rio com uma forte correnteza visível pelas águas claras, era possível visualizar alguns peixes. Eu encontrava-se alguns centímetros por trás dela, pois o medo de cair nesse lugar era maior que minha adrenalina.

- Daisy, vamos embora. Está escurecen.... - Ela cortou minha frase com um resmungo, seu dedo apontou para uma ponte de madeira que nos daria passagem para o lado oposto da floresta. A coragem dela realmente era algo impressionante, para uma garota.

- Amor, não. Precisamos ir. - Tentei agarrar o braço dela para impedi-la de fazer uma loucura assim, mas eu a conhecia, Daisy odiava ser desafiada e não admitia ninguém dizer o que ela deve fazer. Meu coração era torturado dentro de meu peito, porra, o que é isso? Por que me sinto assim?

- Hazz, apenas me siga. - Daisy me chamou quando colocou seu primeiro pé acima da ponte e em seguida o esquerdo, meu coração acelerou a mil quando ela começou a caminhar sobre a grande madeira. Eu não iria conseguir impedi-la então fiz o mesmo, o medo tentava me puxar para trás mas eu acompanhei a minha garota.

Ela encontrava-se no meio e eu um pouco distante, eu evitava olhar para baixo. Nunca me senti tão assustado, nem mesmo quando entrei numa roda gigante pela primeira vez. O arrependimento era maior que qualquer sentimento, pois eu a convidei para conhecer essa floresta.

- Querido! Olha onde eu estou, aqui é lindo... - Ela pausou seus pés e ficou de frente ao lago esticando os braços em direção ao seu enquanto seus cabelos loiros voavam no ritmo da ventania.

Eu tentava me manter calmo, já que não havia nada em que eu pudesse me segurar.

- HARRY! - Ouvi a voz grave dela clamar meu nome enquanto eu fitava as águas abaixo dos meus pés. Quando eu olhei para o lado, eu não a encontrei. Seu corpo não estava mais sobre o trono. Imediatamente olhei para baixo e não vi absolutamente nada além da forte correnteza movendo-se desesperadamente.

A Daisy foi levada, levada pelas águas. E nunca mais voltou. Eu pensei em pular, mas seria impossível salvá-la e eu iria morrer sem dúvidas.

- Eu não acredito, menino. De novo? Desse jeito você irá ficar sem emprego. - A minha mãe grita ao bater na porta despertando-me do repetido sonho. - Olha, eu não irei dizer mais nada. Você irá ver como está prejudicando seu futuro. - Ela afirma num tom cansado e se retira do quarto, a mamãe já estava vestida com seu jaleco, com certeza indo para o trabalho agora.

Ignorei seus comentários e pus minhas mãos abaixo de minha cabeça no travesseiro, parando para refletir em meu pesadelo. Pesadelo baseado em fatos reais.

A imagem de Daisy sendo engolida pelas águas fortes morava em minha mente. Perdi a conta das vezes em que fui em psicólogos, apenas para tentar superar tal perda.

Daisy. Oh, Daisy.

Daisy era o ser vivo que eu mais amei. Eu não conseguia obter a maturidade suficiente para aceitar que ela se foi. De uma forma tão horrível. Sempre que eu tento esquecer, essa cena cai em minha mente em sonhos.

Daisy, Daisy, Daisy...

Eu me sinto tão fora de mim, sem a minha garota. Tudo me lembra ela. Tudo. Até mesmo um dia de chuva num feriado. Me entrega a lembrança de quando assistíamos filmes clássicos juntos, embaixo do mais quente cobertor.

Afastei aqueles pensamentos, aliás, eu tenho uma vida para proceder. Por minha vontade, eu ficaria o dia inteiro nesta cama recordando ela.

O calendário pendurado na parede, me fez lembrar que eu estava atrasado para a entrega do livro que eu aluguei na biblioteca. Eu o li em cinco dias, confesso, deixou-me um tanto confuso com a quantidade de enigmas que o mesmo nos desafiava. Entretanto, este revela uma ótima moral.

[...]

Me certifiquei de que a porta matinha-se bem trancada. Era um costuma.

Hoje o dia está tão belo. As ruas, asfaltos totalmente cobertos por algumas poças de água que ontem caiu do céu. As folhas das árvores eram desenhadas por minúsculas gotas de chuva. E um sol, um tão esperado sol reinava naquele céu ausente de nuvens.

Inicio uma lenta caminhada rumando para a velha biblioteca do meu bairro, onde eu deveria devolver tal livro.

- Bom dia, cachinhos! - Uma voz doce e risonha me chama ao cutucar minha cintura. Ah, claro. Marie.

- Ei, gatinha. Quem tem cabelos ruivos, está com um vestido azul e deveria estar na escola agora, hm?

- Eu me atrasei, mas foi apenas hoje. Agora eu preciso ir comprar sorvete, e você deveria estar no trabalho, mocinho. - Ela prolonga suas palavras e aperta a nota de dez dólares em seus dedos.

- Eu preciso ir devolver este livro, me atrasei hoje também. - Montei um rosto triste ao terminar minha frase encarando a face da pequena perto de mim.

- Boa sorte, Hazz! - Marie acena a mão para mim num sinal de 'tchau' e começa a correr pulando nas poças de água.

Crianças são tão felizes, sem preocupações, ou tristezas graves. Quem me dera voltar ao tempo...

Empurrei a porta de vidro que possuía uma pequena placa 'Open'. Assim que pus meus pés dentro do local, Juliet me encarou com uma expressão de 'Ora, finalmente apareceu.' antes de levar seu óculos para a ponta do nariz.

- Eu vim devolver o livro. - Sorri sem revelar os dentes e deixei o objeto acima da mesa onde ela estava.

- Obrigado, querido. Fique à vontade para levar mais algum. Chegaram novos.
- Wow. Eu achei que ela me daria uma bronca pelo atraso.

Fui explorar os corredores em busca de algo interessante que cative minha leitura. A maioria eram obras antigas, isso justificava o fato das folhas serem amareladas. Mas, eram milhares de opções, pelo menos uma iria me agradar. Eu estava a observar os títulos quando uma garota de longos cabelos loiros, olhos azuis aproxima-se do corredor. Ela aponta seu indicador para os variados títulos.

- Hunf...Já achou algo interessante? - Ela dirigi-me a pergunta ainda encarando a fileira de livros. Ela falou mesmo comigo? Oras. Ela não me conhece...

- Não, mas vai depender de sua preferência. Posso ajudar, talvez.

- Eu gosto de Shakespeare. - Ela opina direcionando seu rosto ao meu. Céus! Seu rosto, parece que foi esculpido por anjos.

- Jura?! Eu também. Mas parece que aqui só tem Romeu e Julieta.

- Eu já li esse. Tantas vezes...Pode me indicar um? - Ela fica um pouco mais perto de mim, tornando a analisar algumas opções.

- Tem esse. - Tirei da fileira o primeiro livro que eu peguei aqui, o melhor que eu li.

- O chamado do monstro? Me soa bem. - Ela aprova a sinopse na capa de trás e me encara novamente. - Obrigado! Vai ser esse.

- Não me agradeça. Aliás, gostaria de me indicar algum? - Mordo minha gengiva.

- Claro! Um minuto. - Ela segue para outro corredor e em seguida retorna com um livro colorido em mãos.

- Se chama 'Anjos à mesa' é lindo. Conta uma bela história de amor em estilo natalino. - A loira me estende a mão para eu pegar o objeto.

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⏰ Last updated: Nov 20, 2017 ⏰

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