Acordo com frio e puxo o cobertor... me remexo na cama e ameaço abrir os olhos. Minha visão está embaçada, pela luz da manhã... Sinto que ainda é cedo, mas, ao mesmo tempo, é tarde demais para nós!
Com certo esforço, olho para o lado, e ela está lá: Linda, como na noite passada. Porém, há algo diferente; talvez seja o modo como ela me encara, com aqueles olhos.
Tento desviar, mas, eles me perseguem, me acusam, me chamam... Chego mais perto e lhe dou um beijo. Diferente dos que trocamos ontem, esse é calmo, sereno, cheio de amor... ou sei lá que porra é essa!
Pego meu celular e verifico as horas: 8 da manhã. "Merda!" - penso, sem querer "É hora dela ir embora". Ela também percebe, e se levanta da cama.
Eu a acompanho com os olhos, tentando gravar cada detalhe seu: Sua boca se abrindo, num bocejo, a forma como estica os braços, espreguiçando-se, até o jeito como junta seus cabelos, num coque bagunçado...
Tudo isso me parece especialmente nostálgico esta manhã.
Ela anda até perto da porta, tropeça em algo. Abaixa-se e ergue o copo de Coca-Cola que está em suas mãos; sorrindo, ela o joga no lixo e fala: "Junto com o amor" - e suspira por um instante, "Ou seja lá o que for" - completa...
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Me levanto também, vou até a janela e observo os outdoors, em frente ao prédio onde moro. Ontem á noite, eles pareciam tão mais... vivos.
Tenho alguns flashbacks da noite passada, ela misturando vodka e algum sintético, bebendo tudo num gole só, numa violência...
"Mais violento ainda, foi o sexo..." - pensei. E me surpreendi ao me encontrar duro... "Foi um tiro no tédio, né?" - ela parecia ter lido meus pensamentos, mordo os lábios.
Vejo pelo canto do olho, ela se aproximando... Quando me abraça por trás, e apoia a cabeça em meu ombro, eu me viro e começamos a nos beijar. Eu a carrego no colo, encaixando-a perfeitamente, em mim.
Então a coloco sentada no parapeito da janela e os beijos começam a ficar mais quentes...
Abro os olhos e miro os prédios, o Sol refletindo em um dos edifícios mais altos... essa cidade é foda!
Mais lembranças da noite passada me invadem: nós, em meu apartamento, eu, mais acordado do que nunca!
Ela sorrindo daquele jeito para mim, aquele jeito que me deixa louco, enquanto virava uma taça atrás da outra e depois jogava as garrafas vazias pela janela...
Ouvíamos o barulho do vidro se estilhaçando... e os vizinhos acordando e nos xingando, aos berros! E dizíamos: "Ninguém vai dormir!" e não dormiram mesmo... Não antes de conferirmos, até o fim, do sabor.
Aquele sabor que ainda ficou na minha boca, e na dela também...
"Ligou?" - ela perguntou, tirando-me dos meus devaneios. "Como é..?" - tentei dizer, confuso. "Ah, esquece!" - disse, revirando os olhos e saindo de perto de mim.
Sentou na beirada da cama e batucou os dedos no espaço vazio ao seu lado, como se dissesse "Vem cá" e eu fui... Com os olhos marejados, ela me falou: "Saudades de quando a vida foi doce, né?".
Eu não soube o que dizer, só a abracei e fechei os olhos, por alguns instantes, inalando o cheiro de seus cabelos.
De repente, ela começou a vasculhar embaixo da cama... "Olha" - disse ela, me mostrando uma garrafa, quase vazia - "Não acabou, ainda tem um pouco" disse, levando a garrafa à boca, "Ao licor" - brindou, e bebeu de uma vez.
"É..."- comecei a falar, mas me interrompi. Ela me olhou, pedindo para que eu continuasse, então falei: "Foi dos mais loucos" - sorri, e ela concordou.
Então, antes que eu pudesse me controlar, veio uma vontade imensa de desabar! É difícil ser forte, o tempo todo, é muito difícil. Mas, eu tinha de ser, tinha de passar essa segurança à ela.
Ela tinha que saber: "Eu tô com você, tá? E vou onde for!" - falei, segurando seu rosto e olhando bem no fundo de seus olhos.
Ela abriu o sorriso mais lindo que já vi na vida, e beijou meu pescoço.
"Eu sei" - suspirou. "Eu sei..."
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Nos deitamos: ela no meu ombro, eu fazendo carinho nos cabelos dela. Ficamos assim por um tempo, senti meu coração batendo cada vez mais rápido... Eu não podia evitar, era louco o efeito dela em mim!
Ela notou, e quando eu estava começando a ficar sem fôlego, encostou sua mão em meu peito e disse: "É disso que eu tô te falando, amor!", "É..." - comentei, "Química".
O tempo passa... Infelizmente, mais rápido do que eu esperava. Num piscar de olhos, já são quase 9 horas! - "Tenho de ir.." ela me diz, com aquela voz de quem quer ficar.
Meus olhos se enchem e só penso que não quero chorar; não na frente dela, ao menos... Apresso a despedida, que acaba sendo igualmente dolorosa, como das outras vezes.
Mas, sei que vou me recuperar, e sinto que ela também. Sempre é assim... Sempre foi.
Paramos junto à porta, ela me olha e eu a olho. Não é preciso dizer mais nada: Nós sabemos.
Um último beijo e acabou. Ela se foi,
E eu estou aqui...
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Nosso amor é plástico!
Romancehttps://m.letras.mus.br/don-l/plastico/ Não vejo necessidade de apresentar meus personagens, você os conhecerá bem rápido, sem serem apresentados nomes ou muitas características. Bom, não há descrição, não há sinopse, apenas isto: esta é uma históri...
