Prólogo

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Areia.

Deitada sobre muita areia, estava ela. Com suas mechas, o que nunca abrira mão, obviamente. Mas era ela, talvez não a mesma, mas era ela.
Ela ainda adorava a areia, aquela areia, aquela água, aquele sal, aquele céu, aqueles pinheiros que rodeavam a praia.
Ela ainda adorava as coisas que sempre adorou, amou, desde que se entende por gente. Com exceção dela própria, claro. Quão insana estaria para gostar de si mesma? Não havia porquê.
Havia tanta areia grudada em seu cabelo que ela saberia que não sairia tão fácil. Mas ela adorava isso também, era uma parte da praia que iria com ela para casa!
Quem disse? Ela não voltaria para a casa. Talvez cachorros que se perdem voltam para a casa. Guerreiros que saem para a guerra, voltam para a casa. Mas ela se perdeu e não vai voltar. Ela tentou lutar e vencer a guerra dentro de si, mas não venceu, e sequer vai voltar para a casa.
Ela vai ficar na praia hoje, sentindo a brisa do verão sulista, sentindo a areia batendo na sua pele, vendo o sol se pôr.
Vai fazer ações com seus braços, verbos simples. Vai levantar seu braço, vai estender a mão àqueles remédios exclusivamente triturados em compania de álcool e veneno.
Simples ações, mas cuidado para não sentir falta de algo!
Ações sem emoções. Ela só fez. Ela só levantou o braço, só estendeu a mão, só agarrou aquele recipiente cheio.
Ela viu pela última vez o azul gelo do mar e o castanho dos trocos dos pinheiros.

Tchau, praia.

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⏰ Última atualização: Oct 22, 2018 ⏰

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