Prólogo

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Me contorci quando mais uma nova onda de dor chegou acompanhada de mais uma contração, nunca tinha sentido tanta dor na vida, e parecia apenas o inicio o que era irônico já que fazia horas que eu estava acamada gemendo, e grunhindo de dor, meu corpo preparando-se para expulsar o pequeno ser que habitou nele por nove meses inteiros.

Me joguei contra a cama, me curvando com a dor, era insuportável, parecia que eu tinha sido esfaqueada incontáveis vezes no baixo ventre, ao pé da meu dilatado e contraído ventre.

Outra contração mais forte tensionou brutalmente minha barriga.

Ela se aproximou, seus olhos brilhantes em expectativa cruel o que me fez encolher, eu sabia bem qual era a sua intenção e o que eles planejavam e não podia fazer nada para fugir de seu alcance.

Um som semelhante a uma folha de papel sendo rasgada soou na habitação antes de um jorro de água eclodir entre minhas pernas molhando o colchão e lençol acomodados naquela parte.

Ela abriu um sorriso gigantesco enquanto lavava suas mãos na água quente na bacia ao lado da cama.

Tenho certeza de que estava tão pálida quanto uma estátua de cera mas me controlei, não poderia deixar que o horror me controlasse, eu poderia salva-la, deveria haver  no mínimo uma chance que eu pudesse tira-la de lá antes do cruel destino que lhe aguardava.

— Vamos começar querida - a mulher a quem me despertava todo tipo de aversão murmurou docemente sentando-se na cama e me abrindo as pernas brutalmente, ignorando a força que exercia para mante-las fechadas.

— Não seja má Bella! -

A encarei raivosamente e cuspi acertando seu rosto magro, um brilho perigoso cintilou em seus olhos quando ela ergueu uma das mãos e limpou a saliva de sua bochecha me fitando ameaçadora.

Subitamente ela avançou para a frente pressionando minha barriga com força logo abaixo dos meus seios e arrastando suas mãos em direção a virilha.

Gritei quando ao mesmo tempo uma contração me atingiu, contraindo dolorosamente todos os músculos do meu estômago, junto com a pressão que ela fazia era excruciante.

Pude sentir cada centímetro do corpo da minha filha ser empurrado, não só pela natureza mas também pela crueldade, em direção ao meu canal vaginal.

E gritei ao ponto de sentir minha garganta arder quando senti primeiro sua cabeça sair abrindo caminho  para logo depois seu corpo ser expulso.

A sensação que tive era de que tinha sido rasgada ao meio.

Eu senti os pequenos solavancos de onde seu pequeno corpo se debatia sobre a cama, e o choro forte e estridente misturado com pequenos grunhidos.

— Bom trabalho garota - elogiou tirando uma pequena tesoura do decote de seu vestido. 

Escutei o som de carne sendo rasgada e em seguida, ela se ergueu cuidadosamente saindo da cama

— Não! Me devolva! Me dê minha filha! - falei, minha voz mal passando de um sussurro gutural.

A mulher não me deu ouvidos, afastando-se com minha criança no colo.

Tentei me erguer, mas o cansaço me debilitava, senti tudo girar e então tudo escureceu por alguns segundos pude ouvir o choro, agora mais calmo mas ainda um lamurio distante, o som parecia vir de muito longe.

E só aquilo me fez desesperar ainda mais enquanto a inconsciência me sugava, eu nem mesmo tinha visto seu rostinho e sabia que quando acordasse nada poderia remotamente me lembrar sua existência a não ser o vazio em meu coração.

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