Capitulo 1 - Um pouco de diversão não faz mal a ninguém né?

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Dois meses antes, aniversário da Alice.

- Quanta roupa de secretária careta, cadê aqueles seus vestidos maravilhosos que tinha antes? Saudades Emma Safada, não gosto dessa psicóloga chata que você se tornou. – Alice praticamente berrava enquanto revirava meu guarda roupa

- Larga daí ou você apanha, não é porque sou uma pessoa séria e comportada que não posso te dar umas porradas por ser chata!

- Bater na amiguinha no aniversário dela é pecaadoo – Ela cantarolou e eu dei risada sentando na cama e olhando ela ficar revirando feito louca meu closet – Você precisa de um vestido e um sapato bem "periguete" para soltar essa safada que está presa aí. Como diz a minha mãe, precisamos tirar esse demônio trabalhador de você por uma noite.

- Sua mãe é doida, lembra aquela vez que ela ficou no meu pé dizendo que um capeta estava no recinto chamando meu nome, quase chamei a psiquiatria para ela.

- Como diz ela, sangue de Jesus tem poder. Vamos fazer um milagre. Vai pro banho e se depila, e bem depilada mocinha – Alice me olhou com sua cara séria que não importa o quanto passe, continuava sendo uma cara fofa – Para com essa cara, se rir de mim eu vou ficar muito puta!

- Está bem, está bem, vou me comportar, juro.

Eu e Alice nos conhecemos nos meados do quarto ano da faculdade. Ela moda, eu psicologia, e não sei como que na cerimônia de volta as aulas, deu "match". Dizem que algumas amizades não conseguem ser explicadas. É verdade. Algumas amizades acontecem com um simples "me empresta um lápis", ou um singelo "com licença, posso sentar aqui?", mas o meu caso e a de Alice foi diferente.

Como todo ano de volta as aulas, os veteranos ajudam os calouros a se adaptar à nova vida na faculdade, e naquele ano, eu e Alice estávamos como dupla para ajudar um grupo deles. Ela era explosiva naquela época, alegre demais, fofa demais, sorridente demais. E foi aí que aconteceu, dizem que os opostos se atraem, tanto no amor, tanto na amizade. E cá estamos nós, dois anos depois, tentando agir como universitárias e não adultas com trabalhos importantes.

- Morreu no banho? – Alice arrumou um salão improvisado no meu quarto, seu cabelo estava impecável num rabo de cavalo alto que destacava seus cabelos loiros com mechas azuis, sua maquiagem era carregada, que a deixava –não sei como- poderosa e pronta para pegar quem quiser naquela festa – Senta aí, vou fazer sua maquiagem e seu cabelo.

- Como vai ser essa sua festa Ali? – perguntei deixando ela fazer o que quisesse, seria louca se recusasse não é?

- Ah, coisa simples. Uns amigos vão estar na boate Bourbon nos esperando lá no camarote, eu tenho as pulseiras pra gente pode ficar tranquila. Aí é só se divertir e curtir a melhor balada da cidade! Isso vai ser tão divertido!

-Isso vai ser loucura, isso sim. Deve ter custado o olho da cara Alice! Bourbon é cara pra caralho.

-Larga de ser chata que já está tudo resolvido. Não exagerei na sua maquiagem, só coloque um batom vermelho para destacar. Te vejo na festa gostosa!

E assim, sem mais e nem menos, Alice Bianchi deixou o recinto, me dando a paz que mereço.

Tudo bem, vou admitir, a vaca da Alice tem bom gosto. Quem diria que eu teria um vestido rodadinho e simples no fundo do armário? Coloquei uma jaqueta de couro por cima e chequei minha bolsa pequena antes de sair e achar um táxi na cidade lotada de New York num típico sábado à noite. Meia hora depois, um táxi parou, sorri animada e fui até ele com aquele sentimento maravilhoso de conquista árdua, mas como tudo é difícil nessa vida um dos apressadinhos dessa cidade passou na frente, louco para entrar no meu táxi.

- Com licença moço, esse é o meu táxi, estou a meia hora tentando pegar um e se puder esperar o próximo, eu agradeço. – Dei o meu melhor sorriso de educada pela mamãe

- Está indo pra onde senhorita? Podemos dividir se não se importar – Ele retribuiu sorriso. E porra, que sorriso. O rapaz com certeza era pegavel, moreno, sorriso encantador e uma voz que faria qualquer uma jorrar quando falasse dirty talk.

- Estou indo pro Bourbon, se estiver indo pra lá podemos dividir.

- Olha que coincidência, entra aí, vamos lá. – O gostosão entrou no carro, e como qualquer mulher em sã consciência dei uma olhadinha. Com toda certeza eu vou pegar.

- Obrigada – Pigarreei entrando no táxi enquanto acalmava os hormônios que pegavam fogo por baixo desse vestido.

- Meu nome é Zayn, prazer em te conhecer –Ele sorriu de novo e estendeu a mão

-Sou a Emma, o prazer é meu – Com toda certeza é meu.

-Indo relaxar um pouco? Dizem que esse lugar é ótimo. – Ah, ele está puxando assunto, bom começo cara.

- Uma amiga está fazendo aniversário, ela ama aquele lugar. Você vai gostar de lá também, te garanto.

- Ah, bem que você podia me ajudar lá não é? Sou novo aqui, alguma coisa me diz que você é daqui.

- É, posso te ajudar sim, vai ser divertido! – Transa garantida querida, parabéns.

10 de janeiro de 2016 – Dois meses depois do aniversário.

- Saia da porra do banheiro Emmy, estou ficando preocupada! –Alice gritou esmurrando a porta, joguei o teste pelo buraco não arrumado da porta do banheiro para ver se ela calava a boca, não deu certo – Não, não acredito! Não creio nisso! E agora sua doida?!

- Eu não sei, droga! – E lá veio o choro de novo, droga de hormônios!

- Eu vou te ajudar, não vai estar sozinha nessa ok? Vou marcar o seu médico agora, vamos ser que nem duas mães na mesma casa, mas sem pegação. Saia desse banheiro pra gente conversar vai, você conhece o pai dessa cria mulher? Ah meu Deus, essa casa vai ser só fraldas e vômitos, que Deus nos ajude!

- Para de surtar porra! Uma de nós tem que ser a sensata – Funguei abrindo a porta e encaro uma Alice surtada no corredor.

- Sempre você foi a sensata e eu a louca, não dá não. Meu Deus, você vai ficar tão gorda. Ok, desculpa amiga, tu vai ficar linda! Deita na cama e relaxa que eu vou pegar uma comida bem gostosa para acalmar seus nervos, já volto com reforço!

Com toda certeza do mundo eu estava ferrada, meu estomago estava embrulhado e parecia que eu estava mais gorda agora que sabia. Como vou criar uma criança com a grana que eu tenho? Convenhamos que não é grande coisa e pedir ajuda aos meus pais é em último caso. Meus pais são conservadores, vai ser uma vergonha ter uma filha grávida de um filho ilegítimo, até imagino eles falando "Que vergonha para a nossa família Emma, o que vamos fazer com você?". Ainda bem que tenho Alice, ela sim não julga e entende as atitudes idiotas que eu faço, e eu a amo demais por isso, sei que por ela poderíamos criar esse bebê sozinhas e por mim tudo bem, mas eu preciso achar o pai dessa criança, ele tem o direito de saber mesmo eu só sabendo o primeiro nome dele e de nem ter o telefone ou o facebook do cara. Portanto, senhor Zayn Eu-Não-Tenho-A-Camisinha, se prepare porque vai virar papai.

One Night StandWhere stories live. Discover now