Era uma noite, fria e chuvosa, estava perdida, em meio a uma floresta de arranha-céus. Um hotel, pequeno e macabro, era tudo que eu havia encontrado. Adentrando, a atendente, velha e raquítica, se dirigiu a mim, ela se chamava Eva, cobrou-me pela noite e me deu a chave do quarto. Ele era pequeno, com goteiras, escuro, mas era tudo o que eu possuía temporariamente.
Ao abrir minha mala, percebo que minhas roupas, ao menos metade delas, estavam úmidas, apenas começo a me despir, ficando apenas com minhas roupas de baixo e separo minhas roupas em pilhas, de úmidas e secas. Exausta, deito na cama de colchão duro e furado, vai ser uma longa noite... A propósito, esqueci de me apresentar, meu nome é Violet, sempre disseram que esse foi o nome perfeito para mim, já que possuo olhos violetas. É admirável como coincidências podem ser tão estranhas.
No dia seguinte, levanto e vejo a pilha separada de roupas molhadas e secas, escolho apenas uma calça jeans preta simples e uma blusa branca, calço meu Allstar e desço para o café da manhã. A cozinheira estava fazendo ovos mexidos e um pedaço minúsculo e queimado de bacon, era o que tinha para comer, não havia pensando em como era tão confortável minha casa com a minha família antes do ocorrido...
Depois do café, volto ao quarto, arrumo meus longos cabelos negros e lisos, escovo os dentes e desço. É o dia de encontrar um emprego. Passei em vários lugares, até encontrar a "Coffee & Tea"- uma cafeteria, luxuosa e grande, com uma placa em frente a ela, dizendo 'Precisa-se de ajudante'. Entrei e falei com o gerente, assinei os papéis necessários e comecei a trabalhar no mesmo dia, como caixa.
O atendente foi gentil comigo, pela primeira vez nessa cidade alguém demonstrou se importar. Seu nome era Oliver, ele era alto, tinha cabelos pretos e ondulados, olhos verdes e uma pele tão branca que poderia se considerar pálida. Trabalhamos juntos por toda a tarde. Chegando ao horário da noite, fomos dispensados, ele me convidou para comer alguma coisa, eu de início neguei, mas ele insistiu e acabei dizendo sim.
Ele me levou a uma lanchonete bem grande, arrumada, sentamos em uma mesa e ele pediu um café e um hambúrguer, pedi apenas um suco e um pedaço de bolo de chocolate. Conversamos bastante, foi engraçado descobrir que ambos somos da Califórnia, ao final de tudo, ele me impediu de pagar meu lanche e pagou para mim, foi bem fofo da parte dele. Ao sair, ele me acompanhou até o hotel e me deixou lá. Quando cheguei, fui falar com Eva para aumentar minha estadia, já que eu iria ficar um longo tempo lá até encontrar uma moradia.
No dia seguinte, era um dia ensolarado, não era de se esperar, já que todos os dias antes estavam chuvosos. Vi uma mensagem no meu celular, era Oliver. Ele me chamara para conhecer a cidade, já que era nosso dia de folga. Vesti-me com um vestido preto e coloquei saltos brancos. Desci e tomei um café rápido, arrumei o cabelo em uma trança e fui ao seu encontro. Andamos por um terço da cidade em três horas, engraçado como Nova Iorque é grande, ele me levou ao Central Park para um piquenique como nosso almoço.
Ao fim do dia, já havíamos passado por toda a cidade, acabei encontrando uma bela casa para alugar. Ela era um pouco afastada de tudo, mas era perfeita, e inacreditavelmente barata, o único problema era sua entrada para uma floresta logo ao lado. O dono da casa logo advertiu-me "Nunca entre na floresta!" não vi sentido, mas resolvi aceitar.
A casa era grande, com cores básicas, porém atraentes, era bem iluminada e arejada, seu único defeito era o porão, trancado a sete chaves. O dono não me permitiu possuir a chave, disse que de forma alguma era para aquele porão ser aberto. A floresta era fechada, árvore altas e ao mesmo tempo sufocantes, ela era macabra, porém estranhamente encantadora. Eu iria adentra-la, até que Oliver me impediu de entrar, devido ao aviso do proprietário.
Um mês após isso tudo, me mudei para a casa, tudo ocorria bem, eu comprara meus mantimentos e móveis. À noite, quando me deitei em minha cama para dormir, escuto um barulho, vindo do porão "Isso só pode ser uma piada!" Pensei instantaneamente, como em um filme de terror, sempre ocorrem barulhos no porão à noite. Vesti um casaco longo por cima da minha roupa de baixo, caso seja o proprietário querendo me pregar uma peça e desci até a porta do porão. Como de se imaginar: Destrancada. Liguei a câmera do meu celular no modo de vídeo e abri a porta, apenas havia lá um espelho grande e uma estatua de uma mulher. Ela era idêntica a mim, mesmas características, mesmas curvas, o cabelo igualmente liso, era eu, mas como?
Ao me aproximar do espelho, vejo que ele não refletia a estátua, e a câmera também não a captava "Como? Por que?" Tudo o que eu conseguia pensar, em choque. Vi uma sombra enorme no canto do quarto uma mulher, alta e pálida, cabelos longos e ondulados, ele era acinzentado e cobria os olhos e o nariz, só dava para se ver sua boca, com um longo sorriso de dentes pontudos e afiados, eu acabei desmaiando instantaneamente, sem conseguir ver o que ocorrera.
No dia seguinte, ao olhar meu celular, percebi que não havia o vídeo do dia anterior, porém haviam três mensagens, elas diziam: "Ora ora, olha só quem desceu ao porão", "Assuma as consequências, Violet" e "Venha à floresta às 23:00, hoje à noite", ela instintivamente ligou para Oliver, contou tudo que aconteceu, e ele falou que já estava a caminho. Quando ele chegou, conduzi-o ao porão, quando apontei a estátua, ele, assim como o espelho e a imagem do vídeo do celular, ele não a viu. Eu estava assustada, mas ele não saía ao meu lado, mostrei-o as mensagens, ele queria me impedir de qualquer forma, porém eu não o escutava, estava tão focada em descobrir o que aconteceu, mas ao mesmo tempo apavorada...
Ao cair da noite, Oliver já havia ido embora, e eu já estava pronta para adentrar na floresta a procura do ser que me mandou as mensagens. Chegando na entrada da floresta, confiro a mensagem novamente, porém não foi informado nenhum ponto de encontro específico dentro da floresta. "Então lá vamos nós" pensei eu ao adentrar na floresta. A escuridão era assustadora, liguei a lanterna, mas ainda estava um pouco escuro. Eu via vultos diversas vezes, cada vez mais próximos, tanto que um deles foi ao meu lado, na hora dei um grito histérico, e conferi o horário no celular, 23:00, ouvi uma voz feminina chamando meu nome, uma voz doce mas ao mesmo tempo macabra.
Ao seguir a voz, percebi que eu me encontrava no centro da floresta, vi uma mulher encapuzada, de casaco branco, cabelos negros, lisos e grossos saindo do capuz, ela estava de shorts e com um cinto, havia uma faca presa no cinto, suas botas possuíam pregos presos de dentro para fora. Ela ao me ver começou a rir baixo, enquanto outra mulher e um homem saiam de trás de duas árvores. O homem vestia um terno preto de bom corte, ele era tão alto que galhos tampavam seu rosto, a mulher vestida igualmente de terno, porém justo, decotado e sem uma gravata como a de seu parceiro. Ela era a mulher que eu vi na noite passada. Quando voltei do meu estado de choque, a mulher de terno começou a falar:
-Bem vinda! -Era ela a dona da voz doce e assustadora- Agora estamos entre amigos, finalmente alguém que vê a estátua! Você nos libertou!
Eu estava tão confusa que não entendi o que ela queria dizer com isso, olhei-a de forma com que ela percebesse que eu não entendi. A mulher encapuzada começou a falar ao ver meu olhar de surpresa:
-Não me surpreende a burrice dessa guria! -Sua voz era fria e ao mesmo tempo áspera- Somos o que alguns chamariam de creepypastas, o que outros chamariam de deuses, já nós, nos chamamos de... Nós mesmos -Ela deu uma risada histérica - Vamos para as apresentações, isso não é comigo, guria, algum dos dois caladões, falem alguma coisa!
O homem, que até então estava de braços cruzados, os descruzou e começou a falar:
-Eu sou Slenderman, o homem sem face, o esguio e etcetera... A arrogante é a Jane, a assassina. E essa mulher linda e bem vestida, é a minha esposa, ela não é conhecida, já que nunca foi vista, diferente de nós dois...
Eu perdi a noção de realidade... Provavelmente... Isso não aconteceu, aconteceu? A mulher do Slender veio encostar em mim, mas me esquivei, ela falou com uma voz inacreditavelmente calma:
-Tudo bem estar com medo, nós somos claramente o oposto de lindos, mas precisamos da sua ajuda, por favor... Me dê sua mão...-Ela pegou a minha mão, seu toque era quente e ao mesmo tempo suave, era o oposto do que eu pensava (frio e áspero)- Você é a escolhida para nos salvar...
Então tudo começou a girar, o Slenderman saiu de trás das árvores e tirou tentáculos das costas. A Jane abaixou o capuz revelando seu rosto, pálido e inexpressivo, diferentemente de quando estava encapuzada, além de seus olhos completamente negros e brilhantes. A mulher Slenderman me segurou com força e correu me carregando, impedindo minha visão. Acabei desmaiando no meio do caminho.
No dia seguinte, assim que acordei, deparei-me com as três figuras da noite anterior. Eles estavam vasculhando minhas coisas.
-Você precisa urgentemente de uns conselhos de moda! -Disse Jane com sua forma fria e irônica. Slenderman estava apenas olhando pela fresta da porta, vigilante, como se algo pudesse nos matar a qualquer momento. Jane jogou uma blusa bem decotada, uma jaqueta de couro e um shorts curtos, todos igualmente pretos, em cima de mim.
-Veste isso, foi o melhor que pude arrumar nessa montanha de roupa de velha gótica...
Dessa vez não consegui me manter calada e resolvi responder:
-Diz a pessoa mais bem vestida do mundo, um casaco enorme com um shortinho curto, até parece uma das piranhas da Califórnia no inverno!
Todos me olharam de forma assustada, não sei como o Slenderman pode me olhar sem olhos, mas senti o olhar dele junto aos das duas. Jane estava ao mesmo tempo furiosa e assustada, parecia que ninguém nunca havia lhe respondido daquela maneira. Apenas me vesti e saí do quarto, estavam tentando me parar, quando vi um homem na sala de estar, ele estava vestido com um casaco branco, tinha cabelos negros e uma pele pálida, tentaram me segurar, até que eu vi que era Oliver, saí correndo pulando em seus braços, eles me olharam de forma estranha, como se tivesse alho estranho. Ele aparentemente não os viu ainda, quando olhou para eles, ele caiu no chão, gritando, como se tivesse visto um fantasma. Jane foi para cima dele com o punho estendido, eu fiquei na frente dela, não poderia deixa-la machucar meu único amigo. Slenderman e a mulher Slenderman seguraram seus braços e a mulher disse:
-Violet, ele nos é suspeito, ele aparenta ser o Jeff, o assassino, diferente da Jane, ele é do mal, ele é perigoso, se afaste para sua morte ser rápida e segura!
Eu não poderia acreditar nessas palavras, a agonia percorria todo o meu corpo. Eu não permiti nada disso:
-Ele não é nada disso, por favor, deem uma chance a ele... Eu os imploro...
Eles decidiram não mata-lo, mas disseram que no primeiro deslize, ele morreria. Era melhor do que perdê-lo instantaneamente... Eles explicaram toda a história para Oliver, ele parecia ao mesmo tempo assustado e interessado pelo assunto. Ao final de tudo, eles se retiraram e a mulher disse:
-Mesmo horário, mesmo lugar, você se lembra onde era, não?
Assenti com a cabeça e ela de foi. Oliver se levantou para sair e eu o acompanhei, ele me chamou para tomar café da manhã na mesma lanchonete em que comemos no dia em que nos conhecemos. Aceitei, mas avisei-o que depois disso eu teria que ir à biblioteca sozinha. Ao chegar na lanchonete ele pediu um cappuccino e um pedaço de bolo, eu pedi um café grande e um sonho. Após isso, ele pagou o dele e eu o impedi de pagar o meu, pagando-o, e fui embora.
Chegando na biblioteca, fui direto à bibliotecária para perguntar sobre o tipo de livro que eu procurava, ela me indicou a seção do porão, geralmente é incomum uma seção em um porão, mas eu apenas segui. Lá era um lugar pouco iluminado e úmido. Não havia quase ninguém lá, apenas eu e uma garota de cabelos descoloridos, presos em um rabo-de-cavalo e modelado em um babyliss, pele clara, não tanto quanto a de Oliver, mas ainda sim branca, olhos cor de mel com algumas pontinhas azuis. Ela achou estranha a minha presença, provavelmente ninguém além dela iria naquela seção. Ignorei seu olhar de espanto e fui procurar o livro, estava entre pegar 'Demônios da Floresta', 'Slenderman: Fantasma da Floresta' e 'Jane a Assassina' todos me serviriam. A garota se aproximou e viu os livros na minha mão:
-Ah... Já li todos esses... Se está procurando a história real, tem que ler esse aqui...
Ela colocou um livro em cima de todos os outros 'Floresta de Eireen'
-Prazer, meu nome é Shelby! -Ela estendeu sua mão para que eu a apertasse, mas com tantos livros era meio difícil
-Violet, o que você vem fazer nessa seção? -Perguntei com certa desconfiança
-O mesmo que você, saber a história sobre aquela floresta, mas acho que os motivos são diferentes... Eu quero saber o porquê de todos que entram naquela floresta morre... Assim como a minha mãe... E você? -Me deu uma certa pena dela ao ouvir isso... Tentei falar alguma coisa, mas nada saía da minha boca -Tudo bem, não precisa falar agora de não quiser... Bom, mas quer que eu te ajude com suas pesquisas?
Eu assenti com a cabeça de forma envergonhada ela me explicou uma grande lista de livros que são claramente falsos e alguns reais. Após meia hora explicando o motivo de 'Slenderman: O Fantasma da Floresta' ser um livro completamente errado e sem nenhuma fonte real:
-... além disso foi escrito por pessoas do Cansas... -Depois de tudo, ela veio me resumir sobre 'Floresta de Eireen' -Esse foi o melhor livro sobre o assunto. Até relatava rituais e sobre a escolhida para a salvação...
No mesmo instante eu a interrompi com um grito alto:
-Como? Escolhida para a salvação? Do que isso se trata? O que acontece com ela? Quem é ela? Por que foi exatamente ela a escolhida?
Shelby se assustou com o grito e deu um passo para trás, ao perceber, me acalmei, fazendo com que ela saísse de seu estado de choque e me explicando:
-A escolhida é a garota que irá salvá-los do Jeff, ele se apresenta como um humano comum à visão dela, mas não se trata apenas dele, existem mais dois, o Rake e o Zozo, o Rake é um ser esguio e traiçoeiro, nunca se sabe de forma certa suas intenções, mas não é bom confiar nele. O Zozo é o demônio do Ouija, não há muito o que se falar dele, sua presença é sinal de morte certa, não se sabe sua origem, mas sabe-se que ele é um demônio cruel e extremamente perigoso. A garota... -Ela folheou o livro até achar uma página em específico -Aqui diz "A garota escolhida é muito bela sempre com uma característica básica, olhos violetas, ela é a única além dos 'monstros' que veem sua estátua. Ela, diferente dos outros, possui poderes de magia, podendo fazer rituais. Quando aprende a fazê-los ela se torna uma oponente perigosa e invencível." Bom... Essa é uma breve descrição da escolhida... -Ela fitou meus olhos violetas profundamente e estreitou os dela -Violet... Por isso você não me contou o seu motivo... Você é a escolhida?
Assenti com a cabeça, abaixando-a no final. Ela me abraçou apertado, um abraço muito reconfortante. Passamos o dia pesquisando, formando e quebrando teorias. A teoria mais convincente foi "eles são os 'heróis', Jeff, Zozo e Rake são os 'vilões', os seis são pessoas comuns amaldiçoadas" porém eu ainda quero descobrir a realidade.
No horário marcado fui ao ponto de encontro e vi os três discutindo de uma forma um pouco estranha com uma mulher mascarada com um capuz vindo de um sobretudo, me escondi atrás de um arbusto e ouvi a discussão:
-Isso é muito idiota, por que deveríamos confiar em você? -Disse Jane, estranhamente calma- Olha, você é a única que não é igual a nós, além da Violet, então não podemos nos deixar confiar de forma tão clara, mas por que você acha ser de tão grande ajuda?
A mulher misteriosa apenas riu e falou:
-Será que é porque eu sei mais sobre cada um de vocês e sobre ela do que vocês mesmos? Olha! Vinte e três horas! Vou embora antes que ela apareça!
Ela saiu pulando pelas árvores, fazendo com que uma mecha de seu cabelo saísse pelo capuz, era um loiro extremamente claro e os fios com cachos lindos e abertos, como um babyliss. Esperei um tempo e saí do meu esconderijo. Cheguei como da última vez, olhando para todos os lados, eles não suspeitaram de nada, e Jane começou a falar:
-Já chegou a praga número um! Savannah, explica essa história toda pra ela logo, tô cansada dessa enrolação que estamos fazendo!
Eu, confusa, perguntei:
-Quem é Savannah?
A mulher do Slenderman respondeu:
-Eu sou a Savannah. A questão é: Nós já fomos humanos assim como vocês, sou a Savannah, a Jane não alterou seu nome ao se tornar o ser que ela é e o Slenderman é o Slendy, o nome não se alterou muito, ele quis manter sua "essência", meio idiota, mas foi bem aplicado! Enfim, era isso que queríamos te explicar... Ah! Me lembrei! Também devo te explicar dos nossos e dos seus 'poderes'.
Fiquei uns cinco minutos atordoada sem entender o que estava ocorrendo até ligar os pontos. Quando voltei à minha consciência, pedi para que ela continuasse:
-Então -Disse Savannah calmamente- Cada um de nós tem uma habilidade especial diferenciada, eu consigo me conectar mentalmente com as pessoas em questão de milésimos de segundos. Slenderman consegue criar tentáculos e se transportar através das árvores. Jane consegue prever dois segundos antes dos movimentos de alguém em uma briga. Já você, pode conjurar feitiços. Feitiços extremamente poderosos, como explodir coisas em um raio de quilômetros.
Me empolguei um pouquinho além do normal:
-Espera aí, então eu sou uma bruxa?- Perguntei gritando de empolgação- Não acredito! Eu vou voar em vassouras como o Harry Potter?
Jane foi quem me respondeu dessa vez:
-Não, você não é uma bruxa. Pode ficar sem acreditar, porque você não é uma bruxa. E não, vassouras não voam e Harry Potter são livros de ficção. Para o seu próprio bem, para de misturar imaginação com realidade!
Fiquei um pouco decepcionada, mas continuei ouvindo eles, o Slender dessa vez:
-Você está aqui nos vendo e entendendo seus poderes por um motivo: Nós precisamos que você nos ajude a destruir a maldição. Jeff é nosso inimigo? Sim, mas já foi nosso amigo, antes disso tudo, a maldição mexeu com seu psicológico, destruiu toda a sua base sóbria e hoje ele é um psicopata. Não o culpe, não foi culpa dele. O Rake é nosso inimigo também, por exemplo, mas não o conhecíamos, ele era apenas uma pessoa estranha, quando humano, era silencioso e um pouco instável mentalmente. Quem sempre foi o culpado da história é o Zozo. Ele era um demônio mesmo antes de jogar a maldição, ele foi o causador de toda essa acrimônia. Precisamos que você quebre a maldição, prendendo-o no tabuleiro novamente.
Confusa perguntei:
-Certo, eu entendi, mas como vou fazer isso se ainda não sei controlar meus poderes? Na realidade nem sei como eu tenho poderes...
Jane e Savannah responderam juntas e felizes:
-Nós vamos te ensinar!
No dia seguinte não me lembrei muito bem da última noite, apenas que tive que correr de alguma coisa enquanto Slenderman e Savannah lutavam com alguém. Instintivamente liguei para Oliver, ele parecia exausto pelo telefone, achei estranho, já que sempre parecia ter todas as suas energias recarregadas, como se nunca se cansasse. Ele me chamou para sua casa. Eu não pude recusar, era uma oportunidade única.
Eu decidi me arrumar como Jane sempre dizia. Peguei uma blusa decotada preta, um short cintura-alta branco, botas de couro cano longo até a coxa e me vesti. Fiz uma maquiagem preta que destacava meus olhos com alguns detalhes em purpurina branca. Passei uma chapinha no cabelo e fui até lá. Quando cheguei, bati na porta e chamei o nome dele com uma voz sedutora. Ao abrir, percebi que ele estava desarrumado e com olheiras, ao perceber a forma que eu estava, ele se assustou, como se eu fosse um monstro, mas logo em seguida começou a rir e disse:
-Você veio para minha casa ou para uma balada?
Eu ri envergonhada e ele saiu da frente da porta, fazendo sinal para que eu entre. A casa era pequena, mas arrumada e aconchegante. Sentei no sofá e ele sentou ao meu lado, me puxando para que eu encostasse a cabeça em seu ombro. Ele falou com uma voz calma:
-Por que você não dorme aqui? Tipo, essa noite?
Eu não sabia o que dizer, isso nunca havia acontecido comigo, mas era uma coisa que eu não sabia se diria que não, porque eu queria dizer sim. Antes de pensar em como responder, recebi uma mensagem, era de Savannah, ela dizia 'Não faça qualquer coisa essa noite, treinaremos novamente. No porão da sua casa, dessa vez, também será mais cedo, às 20 horas'. Isso foi minha salvação. Expliquei a situação a ele, falei sobre o treinamento, mas não sobre os meus poderes, não me senti confortável para isso. Quando estava próximo às seis da noite, voltei para casa e me troquei, vesti uma calça de moletom preta e larga, uma blusa branca larga e prendi o cabelo em um rabo de cavalo com uma parcela de franja caída no meu rosto, sendo ao mesmo tempo confortável e sedutor. Dando a hora marcada, desci para o porão e encontrei todos lá.
O treinamento iria começar.
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Não vá para a floresta...
Mistério / SuspenseViolet vai para Nova Iorque para uma vida nova, para se esquecer de seu passado, mas acaba descobrindo algo sobre si mesma, ela deve desembaralhar esse mistério, mas em quem realmente ela deve confiar?
