Não pare!

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É um dia normal, tão comum quanto o anterior.

O sol ainda está baixo, parecendo tímido sob as nuvens, enquanto isso as pessoas correm de um lado a outro, indo e vindo do aeroporto, sempre ocupadas demais pra notar a beleza do nublado fresco da manhã.

Adrian, sentado no banco do motorista, inclina sua cabeça pra trás esperando que alguém requeira seus serviços, contudo as pessoas parecem nem nota-lo naquela fila de táxis, todos iguais.

Então, entre a multidão de corpos, surgem três moças apressadas, carregando apenas uma mala de mão e cada qual com uma case de instrumento musical.

A loira, com seus cabelos sedosos e esvoaçantes, parece carregar uma clarineta, observa ele pelo objeto pequeno em sua mão; Já a segunda, com andar mais firme e longos cabelos escuros, carrega o que obviamente é um violão; e a terceira, por sua vez, com um chanel acobreado, carrega o que parece conter uma tuba, bem desproporcional a sua baixa estatura, pensa ele.

- Com licença. – chama a loira, que usa um vestido florido inadequado para o clima – está disponível?

- Claro.

Antes que termine a pequena palavra, a jovem entra no veículo, sentando-se no banco da frente, enquanto as outras duas, a morena usando um jeans surrado e botas de cano longo e a mais jovem com um shorts jeans e tênis All Star preto, terminam de se acomodar no banco traseiro.

Adrian olha cada uma delas e enfim encara a loira, que fecha a porta.

- Por favor, siga ao sul e não pare até que eu diga. – pontua ela com seriedade - É muito importante que não haja interrupções.

O jovem taxista fica curioso, mas uma das coisas que aprendera em sua profissão era não fazer perguntas demais aos passageiros, que poderia gerar certo desconforto ou até mesmo arrependimentos, por isso liga o taxímetro dando a partida e saindo de sua vaga em seguida.

Seguem em silêncio durante os primeiros dez quilômetros de percurso.

Atravessam a via urbana, chegando à estrada rodeada por eucaliptos. Então a loira abre sua bolsa de mão, tirando dela um espelho e um batom.

- Que horas está marcado Silver? – a garota ruiva pergunta à loira, num tom de voz doce e sensível.

- Duas horas.

- E porque precisamos chegar mais cedo mesmo? – o tom seco da morena surpreende o taxista, que permanece em silêncio.

- Já falamos sobre isso Sue. – responde Silver, sem desviar o olhar do espelho.

O silêncio se assenta mais uma vez, deixando Adrian ligeiramente incomodado.

- Então – tenta ele, na intenção de quebrar a monotonia ambiente – estão indo a um concerto ou algum tipo de show?

Atrás de si ele nota a jovem morena rir.

- É, digamos que seja algum tipo de show. – responde a loira com um riso.

- Sim, um show. – afirma a ruiva calmamente.

- Que legal! – continua, entusiasmado – presumo que estejam nervosas.

- Na verdade acredito que nervosas não seja o termo correto – Silver responde, guardando o espelho e o batom novamente – já fizemos isso outras vezes, então acho que posso falar por todas que estamos, digamos, ansiosas pelo fim.

É confuso, no entanto, antes que ele pergunte mais alguma coisa, atrás de si a morena a corrige.

- Diga por você. Eu estou ansiosa pra dar logo o meu show.

Jogo de RecompensaWhere stories live. Discover now