O despertador em cima do criado mudo tocava pela terceira vez. Bati a mão derrubando-o novamente no chão. Já era o segundo que eu comprava naquele mês. Abri os olhos sem a menor vontade de levantar e olhei as horas no relógio da parede, enquanto tentava bloquear com a mão os raios de sol que escapavam pela janela entreaberta. Eram seis e quarenta e cinco, estava atrasada.
Cambaleei até o banheiro. Uma garota de longos cabelos negros desgrenhados e olhos pequenos fez uma careta para mim no espelho.
— Bom dia, você está péssima. — Disse para a imagem refletida. Tomei banho às pressas e sai molhando todo o chão do quarto enquanto vestia o uniforme da escola. Consegui prender o cabelo em um rabo de cavalo, peguei a mochila e desci as escadas correndo. Na geladeira encontrei um bilhete da minha mãe.
"Luiza, não volto para almoçar. Tem comida congelada na geladeira"
— Ótimo — Murmurei. Odiava comida congelada, mas ainda assim conseguia ser melhor que a da minha mãe. Peguei uma maçã e saí de casa, recolhendo as correspondências na caixa do correio e guardando-as na mochila.
— Bom dia, Sr. Antônio! — Disse para o vizinho que estava varrendo o quintal.
— Bom dia, Luiza. Atrasada hoje?
— Sim, perdi a hora de novo. Até mais tarde.
— Até mais, boa aula.
— Obrigada. — Respondi apesar de ter certeza que ele não podia mais ouvir.
A escola ficava a cinco quarteirões da minha casa, se eu andasse depressa talvez conseguisse chegar a tempo. As ruas estavam movimentadas como uma típica manhã de quarta-feira, as pessoas saíam de suas casas apressadas para mais um dia de trabalho, e poucas te notavam passando por elas.
— Que droga! — Pensei em voz alta. O portão da escola estava fechado, o único jeito agora era entrar pelo outro lado, que ficava em frente a diretoria. Era a emboscada perfeita.
Parei no portão observando. Me surpreendi ao ver que a porta da direção estava fechada. Entrei rapidamente, indo para minha sala sem que ninguém me visse.
Era aula de História, e o professor estava fazendo a chamada.
— Com licença, professor.
— Isso são horas. Srta. Villar?
— Desculpa, Sr. Bortolotto.
— Só poderá entrar na minha aula com autorização da diretora. — Saí bufando. Eu detestava aquele professor, nunca conheci alguém tão insuportável. Com exceção, talvez, do meu irmão.
A diretora estava entrando na sala quando eu cheguei.
— O que houve, Srta. Villar?
— Cheguei atrasada.
— Outra vez, Luiza? Assim fica difícil te ajudar. — A acompanhei até dentro da sala, me sentando na cadeira em frente à mesa. — Já é a segunda vez nessa semana que a senhorita chega atrasada, se isso continuar vou ter que comunicar aos seus pais.
Precisava arrumar uma desculpa rápido, ou meus planos para o fim de semana estariam estragados. Minha mãe era muito rígida com os estudos, ela trabalhava o dia inteiro em um escritório de advocacia, e não ficaria nada contente em ter que deixar o trabalho para uma visita forçada na escola.
— Sinto muito, Sra. Sanchez, estou tendo problemas com meu despertador. — Não era totalmente mentira.
— Seu irmão chegou no horário. — Ela me lançou um olhar por cima dos óculos quadrados, enquanto revirava alguns papeis em cima da mesa. Não pude deixar de reparar que ela parecia péssima. Ainda estávamos no começo da manhã e ela já demonstrava sinais de cansaço.
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Diário de uma fã
FanfictionEla era uma garota comum, ele um ídolo internacional. Ela o amava mais que qualquer coisa, ele não sabia da sua existência. O universo conspirou a favor dos dois, eles se conheceram. Ela realizou seu sonho, ele descobriu o amor. Ela se tornou o s...
