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Eu não estava pronto

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Eu definitivamente não estava pronto. Ainda
assim consegui encontrar forças para sair do táxi e caminhar em direção ao edifício.

Eu precisava fazer aquilo. Eu tinha de ser forte.

Eu não era forte.

Coragem! Você vai conseguir! Tentei me animar. Não deu certo.

Pensei em correr. Muito inteligente da minha parte.

Pensei em fugir. Não foi isso mesmo que eu estava fazendo?

Pensei em morrer. Isso podia acontecer em breve.

Será que não dava para eu mesmo me iludir?

As pontas de vidro se abriram quando me aproximei. Tarde demais para voltar, pensei. Eu agora teria realmente que enfrentá-lo. Eu não queria. Eu não precisava. Eu nunca precisei dele.

Errado. Eu agora definitivamente preciso dele.

Caminho em direção ao elevador. Todos os funcionários olham para mim, porém ninguém me impede ou me pergunta o que eu vim fazer aqui. É claro que não, afinal sou filho do chefe deles.

Quero correr dali o mais rápido que eu conseguir.

Entro no elevador e aperto o botão do ultimo andar. Pronto. As portas se fecharam. Sem volta agora.

Tomara que aconteça uma queda de energia e eu fique preso aqui.

Não, não, não. Você precisa ser corajoso garoto. Coragem.

Quando as portas se abrem eu respiro fundo e saio da minha pequena zona de conforto. Enquanto caminho lentamente em direção ao seu escritório e penso o quanto estou nervoso. Minhas pernas parecem gelatina e eu acho que esqueci como se anda.

Que ótimo!

Quando chego à porta da sala dele é impossível não pensar no que vou enfrentar lá dentro, principalmente quando vejo a grande placa de ouro maciço com o dizer: Dr. Marciel Angel. O brilho da placa é tão forte e está tão devidamente polida que eu tenho quase certeza que ele deve pagar uma pessoa só para cuidar dela. Muito a cara dele.

Reúno toda a minha força restante e bato na porta. Uma, duas, três vezes, até que finalmente uma voz rouca e grave se faz ouvir.

- Entre. - Estremeço apenas com o som dessa simples palavra.

Quando entro eu vejo que ele está de costa para mim sentado em sua gigantesca cadeira de couro em seu tão bem arrumado e perfeitamente decorado escritório. É inegável que ele tem um bom gosto, quadros de arte contemporânea enfeitam as paredes brancas e cinza em pontos estratégicos. A grande mesa de mármore esta tão limpa que consigo ver o reflexo de toda sala. Estantes recheadas de livros estão em quase todos os cantos, e a vista daqui é simplesmente perfeita, consigo ver os principais pontos da cidade daqui e todos lá embaixo parecem tão pequenos e insignificantes como se suas vidas não significasse mais nada, acho bem difícil não se tornar um pouco arrogante quando se tem uma visão assim. Sei lá.

Sou tomado do meu devaneio quando ele se vira para mim e me fita com aqueles olhos escuros e frios.

Quero fugir daqui.

- Frankie, que surpresa agradável lhe ver por aqui. - Quando meu nome sai de sua boca eu sinto vontade de socar sua cara ou de correr, talvez os dois. Mentira, eu quero mesmo é me trancar em um banheiro e chorar até desmaiar.

Que pensamento mais maduro.

- É uma surpresa para min também, senhor Angel.- Isso é uma verdade. Estou surpreso com o fato de eu realmente estar aqui. - Só não sei se sou agradável.

Eu, culpado Stories to obsess over. Discover now