Desculpe!
Como o ar, em meu corpo de criança que crescia a cada dia e cada nova e assustadora descoberta infantil, aquele, ou ele como preferir fazia parte do que era normal, no mundo e na descoberta dele.
Nunca imaginei que as músicas que aprendia com ele, que muitos pejorativamente chamavam de cantigos obscuros não fazia parte do mundo em que eu habitava.
Era tão sublime. Era encantadora a forma com que mesmo em total falta de foco ele vinha a mim.
No meu sétimo ano de vida questionei meu amado ser fora de foco, se ele era um anjo? Ele negou de forma quase acanhada, como se não ser um anjo fosse errado. Mesmo não o sendo meu leite continuava quente na caneca, afinal esse pode ser um problema enorme quando se tem sete anos, pior seria se tragicamente minha caneca com peixes coloridos desenhados na porcelana se quebrasse.
A pouca definição de forma de seus traços foram mudando com o tempo, assim como eu, assim como as perguntas.
Se ele era um fantasma foi a pergunta dos meus doze anos, quando sozinha no inverno em um dia de chuva ele fez todo meu redor se encher de orquídeas brancas.
̶ Um dia me disseram que orquídeas são um símbolo de riqueza e nobreza. Tirando uma das centenas de orquídeas brancas soltas ele colocou carinhosamente uma delas na minha orelha esquerda.
A voz dele era como vapor, que aos poucos ia se perdendo e que apenas eu saberia quanto tempo continuaria solta dissipando no ar.
Nada que vivi com ele me gerou medo de forma alguma, mas os trinta alunos assombrados e berrando foi realmente assustador. Principalmente quando todas as orquídeas morreram a vista de todos.
Com ele aprendi coisas, essas que não podia mostrar a ninguém, mas nada pode ser tão oculto a ponto de quase não existir.
Então eu soube o que o veneno que inunda cada ser humano e o faz nadar eternamente em ignorância, pode causar na vida de alguém indefeso. Em como ficamos à mercê de pessoas que sabem menos do que nós. Espero um dia me perdoar, ou ao menos encontrar a certeza, ou qualquer coisa que me conforte.
Tudo que fiz foi apenas pela convicção de que era o melhor para mim e para ele. Não me arrependo de nada, nem mesmo de todo o mal que precedeu os dias e me atormentou as noites.
Pensando bem, eu não temia nada. Conhecia o meu futuro, e ele fazia parte dele.
(Gostaria que soubesse disso)
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- Como se sente com a nova medição Anabell? Perguntava o jovem medico que observava com espanto dissimulado sua paciente.
̶- Me sinto muito bem. Na verdade, eu acho muito saudável não sentir gosto na comida e só tenho muito medo de engolir todo bolo de algodão que parece nunca sair da minha boca. Disse a paciente olhando fixamente para os olhos do médico.
Ela não era esquizofrênica. O prontuário contava outra história, mas pensar em Ana horas e horas do dia todos os dias, poderia confundir a perícia de qualquer medico antiético como ele.
̶- De uns tempos pra cá ela não come, e não está bem. Sempre acorda gritando e com febre. Talvez aumentar a medicação pudesse ajudar, não é?
̶- Dona Beatriz as coisas não são tão simples. Falou o médico evitando olhar para Beatriz. A mulher prejudicava os nervos de qualquer pessoa muito controlada.
̶- Doutor Gabriel, apenas diga a minha tia se vou ou não para uma clinica, assim ela poderá dormir melhor. Anabell assim como o médico entendia a ansiedade de Beatriz em encerrar de vez a sobrinha em uma clínica.
KAMU SEDANG MEMBACA
Cinco Almas
HororUm Duque amaldiçoado por uma bruxa, busca a imortalidade em um pacto sombrio. Nascendo e renascendo ele atravessou séculos espalhando confusão, caos, loucura e morte. Escolhida por esse espírito, Anabell, sente por ele todos os afetos humanos possív...
