O lugar era sombrio, frio e úmido. Seus passos ressoavam através das colunas daquelas ruínas. Um imenso e rústico umbral se abriu enquanto o vento soprava contra seus cabelos longos. Uma luz refletia em seus olhos esverdeados e cansados. Eles pestanejavam contra a ardência que a luz lhe provocava. Porém, não era real.
Seu celular vibrou e lhe despertou.
Atônito, Rafael se revirou na cama e deslizou o TouchScreen de seu Smartphone. Era Cassio ligando.
O rapaz suspirou e deslizou a chamada para o "accept"
- Alô?
Aguardou a voz do outro lado.
- Hey, cara! - Dizia alegremente.
- Opa? - A voz de sono lhe tomara.
- Te acordei, meu velho? - Perguntou Cassio.
- É, posso dizer que sim.
- Desculpe, cara. Foi mal.
Houve uma pausa na ligação.
Rafael verificou que horas eram pelo visor do celular 00h20min.
Puta merda, pensou.
- Está aí ainda, meu? - Perguntava a outra voz do outro lado.
- Oi? - Perdeu-se em devaneios - Sim, estou.
- Enfim, cara. Há quanto tempo você está preso em casa?
- Bem, não estou preso em casa - Fora interrompido.
- Há, não paga essa, bicho. Há mais de semanas que não te vejo.
O jovem suspirou novamente e se aprofundou na cama.
- Apenas não me sinto bem - Respondeu.
Cassio apenas concordou com uma vocalização.
- Te entendo, Rafa. Mas não podes ficar assim. Ela te deixou. Porém, a vida segue!
Rafael bocejou e tentou relutar contra as palavras de seu antigo amigo.
- Nem vêm, cara. Não adianta. Ainda temos 7 horas para até o amanhecer - Retomou - Se veste aí que estou indo te buscar. Ponto.
- Mas eu não estou afim - Respondeu.
- Falô, meu - Finalizou.
Recostou o rosto contra o travesseiro e coçou o rosto. Sua barba por fazer dera um ligeira coceira em suas mãos, mas não ligou para isso.
Sentou e aguardou alguns minutos para levantar da cama, enquanto observava a luz do luar invadir sua janela. Havia esquecido de fechar as persianas antes de deitar.
A noite estava calma, entretanto, fria. Nada diferente de uma noite em Porto Alegre.
Ao levantar deu-se de encontro com Samael. O gato ronronou e entrelaçou-se entre suas canelas. Por fim, miou.
Rafael se direcionou ao pote de ração de seu felino. Serviu-o e caminhou para o banheiro.
Tateou a parede ao seu lado direito em busca do interruptor enquanto esfregava o rosto despachando o sono. A luz piscou e acendeu.
Logo, ligou a torneira da pia e molhou o rosto várias vezes. A água estava congelando e isto era bom para dispersar a sonolência, ou não. Observou seu rosto no espelho, estava cansado e relaxado. A barba por fazer em alguns dias iria se tornar uma maçaroca em seu rosto. Ele sorriu em seus pensamentos de devaneio.
