Mas como que eu ia saber que aquela era neta da diretora?
...
Era meu primeiro mês ali, tivemos as aulas normais até o almoço, e como sempre eu não conhecia ninguém, e ninguém parecia querer me conhecer.
Peguei a bandeja e me servi, ia me sentar na mesma mesa vazia do canto, então fui andando calmamente até ela.
Confesso quê estava nervosa, meus primeiros dias nunca eram bons, por quê esse seria diferente? Antes de chegar na mesa, alguém colocou o pé no meio do caminho e eu caí, foi um tombo feio e barulhento. O refeitório todo parou pra olhar o quê tinha acontecido e quando viram, gargalhadas altas foram ouvidas. Olhei pro pé que tinha me derrubado e vi a garota.
Ela me olhava com um sorriso cínico, eu era uma piada na mesa dos famosos populares.
- Sinto muito, eu não vi você. Aliás, quem vê? -Ela continuou rindo.
Eu tentei, juro que tentei me controlar, mas quando vi, ela estava gritando, o pé torto, e a feição assustada. Vários se reuniam ao redor da loira falsificada. E quando a direção chegou, me acusaram mesmo quê não tenham visto eu sequer tocar nela. Lógico que eles estavam certos, e provavelmente eu seria expulsa novamente.
Todos me olharam assustados: "Como fez.." como se eu fosse um monstro, bom, talvez eu seja, eu deveria ter dito que não queria machuca-lá, dito que não fiz por querer, mas isso era mesmo a verdade? Eu queria, queria machuca-lá o quê fez eu odiar-me mais do que os outros em minha volta.
Isso sempre acontecia, eu não conseguia aceitar. Por quê isso veio justo pra mim? Por quê não posso ser normal ? Eu queria ser igual aos outros, sem esse "poder" inútil que só machucava as pessoas, que impede de eu me encaixe. Eu odeio isso, não aguento mais.
Encarava o meu reflexo no espelho do armarinho de troféus, minhas íris estavam vermelhas de raiva, era mais uma coisa desse poder, modificava a cor dos meus olhos. Eu os fechei, e uma lágrima quente escorreu por minha bochecha.
- Adália -Minha mãe chamou-me, ela foi chamada imediatamente assim que a diretoria soube do ocorrido - O botijão de vestido te expulsou - eu fiquei quieta a olhando. Ela era uma boa pessoa, mas estava estressada - Vamos embora
Adália, significava a que exala perfume, o senhor é justo. Não combinava nada comigo. Eu era sempre a estranha na escola, aquela que os outros evitavam. Mas era melhor assim.
Eu sai do carro o mais rápido que consegui e entrei em casa. Mas isso não impediu mamãe.
- Oque aconteceu Dália? - Ela cruzou os braços e me encarou. Mamãe se encontrava com muita raiva, e eu teria que aguentar, afinal, ela saiu do trabalho pra brigar com a diretora e comigo.
- Você sabe - Eu olhava pra qualquer lugar, menos pros seus olhos. Me encostei na mesa, cruzando os braços também - Sabe que eu não controlo, sabe que eu não sei parar!
- Tente, tente Adália. - Ela passou a mão pelos cabelos e se sentou - Eu tinha uma reunião importante, não posso sair toda vez que você tem uma crise de raiva e machuca alguém! É a quaarta escola em um ano! As outras escolas tem medo de aceitar você, os professores particulares cobram uma fortuna por causa disso. As pessoas falam Adália!
- Tentar? Você acha que eu não tentei? Acho que eu não tento todo dia? Que eu não me sinta uma miserável por não conseguir me controlar? - Estávamos discutindo de novo - Eu sei o quê falam, eu também escuto!
- E agora? Pra onde acha que vai? Quê colégio vai aceitar uma garota com quatro expulsões e um ano? Hein? Conte o quê aconteceu.
- Você já sabe ... - murmurei
- Conte! - Ela gritou
Eu contei tudo que aconteceu naquele mês. Mas mesmo assim ela gritou comigo, me chamou de irresponsável, falou, ou melhor gritou que eu não devia ter feito aquilo por causa disso, era sempre isso, berros e mais berros. Ela nunca entendia, claro, não era ela a aberração.
- CHEGA! - Foi a minha vez de berrar - Será que você não entende? EU ODEIO isso, não pode ao menos tentar me entender? Cansei das suas broncas, não vai adiantar porra nenhuma, eu fiz por que eu quis! Essa sou eu! EU! É parte de mim mãe, e não vai mudar, não importa o quanto grite - Eu falei para ela, falei tudo o quê eu guardei por anos.
Ela se afastou de mim, estava assustada. Minhas íris estavam vermelhas, sei que tava, sei que ela ficou com medo, minha mãe estava com medo, medo de mim!
Mas logo voltou a pose de autoridade.
Ia começar a gritar de novo, quando escutamos suaves batidas na porta.
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Amarantha
RomanceAdália, significava a que exala perfume, o senhor é justo. Não combinava nada comigo, eu era sempre a estranha na escola, aquela que os outros evitavam. Mas era melhor assim. Eu sai do carro o mais rápido que consegui, entrei em casa, mas isso não i...
