A primeira parada para o meu sonho

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Todos nós temos um objetivo, algo que queremos mais que tudo na vida...E eu não sou diferente, também tenho algo que quero muito, o meu sonho que carrego desde a infância, a vontade de lutar, isso mesmo, virar uma lutadora profissional.
Eu lembro do dia que essa vontade nasceu como se fosse ontem, aos meus 5 anos de idade fui em um evento que por um milagre aconteceu na minha cidadezinha esquecida por Deus, e lá eu vi, em um tatame improvisado tinha dois caras lutando... Foi meu primeiro contato com a luta e eu nunca vi algo que pudesse me prender tanto, a cada soco dado eu vibrava, a cada chute eu pulava, cada golpe deixava meus olhos arregalados, eu encontrei o meu tesouro naquele momento e a primeira coisa que me lembro foi dizer à minha mãe:
— Quando eu crescer vou ser igualzinha a esses caras!- Mas minha vontade recém nascida já foi golpeada pelas palavras da minha mãe
— Nunca será igual a eles minha querida, isso é um esporte para homens, então você deve esquecer disso e se concentrar em algo que tenha mais a ver com você.- Isso doeu mais que qualquer chute na cara, eu era apenas uma criança e naquela época tudo o que minha mãe dizia era uma verdade absoluta, então eu dei uma última olhada para aquela luta e contra a minha vontade virei as costas e fui embora.
Pelos próximos anos continuei lutando contra mim mesma, sempre me condenando por pensar naquela luta, por desejar estar no lugar de um deles, lutando e sentindo a adrenalina de estar em um tatame, mas em um dia tudo mudou, pois aos meus 8 anos, quando fui dormir na casa de uma amiga pela primeira vez, pude ver uma cena que desenterrou minha vontade novamente... Numa pequena TV passava uma luta e eu vi uma mulher sendo ovacionada depois de derrubar a adversária... A felicidade nos olhos dela era nítido, o olhar de quem conquistou um sonho, de quem finalmente chegou no lugar que queria, e foi aí que eu percebi, eu queria chegar no lugar que aquela mulher estava... Não, eu queria chegar ainda mais longe, e pela primeira vez em três anos eu tive a esperança de que se eu me dedicasse eu conseguiria, ser mulher não seria um impedimento... Eu só precisava provar isso a minha mãe.
Com um sonho revitalizado e com uma nova convicção eu só precisava de uma terceira coisa, precisava de um treinamento, afinal não ia aprender a lutar de um dia pra outro, mas onde uma garota de 8 anos iria arranjar alguém para ensiná-la? Eu não tinha dinheiro e minha cidade era pequena, então eu fiz a primeira coisa que veio na minha cabecinha, fui a academia da minha cidade e observei todos os dias às aulas escondidas, depois chegava em casa e treinava tudo o que meu cérebro absorvia.
No princípio parecia que não ia dar resultados, mas aos poucos eu peguei um pouco o jeito das coisas, algumas técnicas saiam mais ou menos, outras eu não conseguia fazer nem ferrando, mas isso não me impedia de continuar tentando e todos os dias lá estava eu, estudando de manhã, treinando sozinha no quarto em casa e fugindo todas as noites para poder ver mais uma aula. Por um tempo as coisas deram certo e até que foi divertido, mas quando eu menos esperava outra reviravolta aconteceu na minha vida.
O professor da academia acabou percebendo a minha presença um dia, e claro, ele foi me confrontar:
—Hey! O que você está fazendo aqui?- Foram suas palavras na época
—Eu...só estou aqui pra ver uma aula...- Eu disse naquele momento, rezando para que ele não me perguntasse mais nada, mas não era bem o meu dia de sorte
—Algum responsável por você sabe que está aqui?- Pronto, a pior pergunta tinha sido lançada, e eu com toda a minha genialidade infantil respondi:
—Hm... Bem... Saber é uma palavra muito forte... Mas...- o suspiro dele de frustração foi ouvido por toda a academia
—Sinto muito pirralha, não posso deixar você ficar sabendo que está aqui sem o conhecimento dos seus pais, pegue suas coisas, eu vou te levar pra casa.- eu até tentei insistir mas não teve jeito, e tudo o que eu pude pensar naquele momento foi o quanto eu estava ferrada.
O resto da noite foi um borrão, entre o cara me levando pra casa, o suspense na conversa entre ele e minha mãe e os berros dela pela casa o resto da noite, ela estava tão furiosa comigo... Sem aceitar o fato de eu ter fugido...
Por que tudo era tão complicado?
E mais uma vez meu sonho foi esmagado e trancado pelas dificuldades, foram 6 meses de tortura e de choro, até ela finalmente ceder e perceber que ficar sem lutar só me deixaria doente, então finalmente ela liberou:
— Por enquanto eu deixarei você lutar, mas nunca transforme isso numa prioridade, tenho certeza que vai ser apenas um passatempo bobo e você logo vai enjoar.- Nem as palavras duras dela estragaram minha felicidade, finalmente eu iria pra academia e lutaria, meu sonho estava sendo realizado, eu estava dando mais um passo para o meu grande objetivo.
Pois é mãe... Parece que o passatempo bobo durou muito mais que você esperava, esse passatempo me jogou em um ônibus que vai em direção à metrópole. O que me espera lá? Sinceramente eu não sei,só sei que ir em direção a um destino incerto e desconhecido nunca me deixou tão segura.
Meu nome é Eliza Souza, tenho 18 anos e minha história começa com a parada desse ônibus.
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Olá a todos, eu espero que tenham gostado do primeiro capítulo dessa história, é um pequeno projeto que estava martelando na minha cabeça a um certo tempo e que eu resolvi dar vida agora, enfim, eu espero que dê certo.
Por fim muito obrigada a você que leu até aqui, e se você gostar da história deixe seu voto e o seu comentário dizendo o que você gostou, o que pode melhorar e o que você espera que venha no futuro da Eliza.
Beijos 😘😘

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⏰ Last updated: Aug 15, 2017 ⏰

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