15 de Janeiro, 2068.
Na pouca luz de uma luminária de pé na mesa à sua frente no velho e minúsculo apartamento, ele sentiu a primeira pontada da faca perfurando sua carne não muito longe de seu pulso, a dor fez ele apertar os punhos e morder com força o pano em sua boca. Não houve tempo para comprar remédios anti-dor, teve que ser feito dessa maneira. Rasgou a parte de cima de sua pele do antebraço; semanas antes tinha estudado o procedimento pois tinha certeza que essa hora chegaria. Continuou abrindo sua pele ao longo do antebraço, passando a lâmina lentamente, observando o sangue sair e abafando seus gritos com o pano. Cortou cerca de sete centímetros em linha reta e desceu a faca, criando uma espécie de retângulo incompleto cortado nela.
Com o máximo de destreza que conseguiu, pegou a ponta cortada de sua pele e puxou com calma para ver sua "carne", e lá estava: o processador e projetor de seu holophone instalados em seu braço, para projetar tudo acima de sua pele. Uma placa finíssima que unia os dois tinha de ser arrancada, ele sabia que em pouco tempo ativariam o rastreador e ele estaria ferrado. "Merda de tecnologia!" Xingou mentalmente seu Holophone, se arrependendo muito da decisão do dia em que comprou ele.
A pequena placa estampava a logomarca da Vasser Technology Unlimited, com suas iniciais VTU gravadas no metal com uma pequena profundidade, seu símbolo passava glória e imponência quando era visto nos grandes outdoors de Upper City, exibindo em seus comerciais uma marca tradicional e cheia de "confiabilidade" como slogan principal.
Agarrou com seu dedo indicador e polegar o holophone implantado em seu braço esquerdo e minuciosamente começou a retirar. O pano caiu de sua boca pela agonia que sentiu quando os pequenos fios conectados à ponta de seus dedos providos pelo holophone começaram a se movimentar dentro de sua carne, causando uma sensação de estranheza tremenda parecendo que suas veias estavam sendo arrancadas para fora de seu braço. A dor nessa parte não foi tão intensa, e aos poucos a placa começou a sair. Conseguiu desgrudá-la de si e continuou puxando os fios que vinham em seguida. Pelo pano ter caído de sua boca, no momento em que o holophone se desprendeu de seu braço soltou um grito tão alto que ecoou pelos corredores do prédio, "Droga! E se alguém escutou? Não tenho tempo!". Os últimos finíssimos fios saíram de dentro dele, toda a placa estava suja de sangue mas coberta por uma camada impermeável, ao todo era um fio para cada dedo, servia para o envio de dados pela ponta dos dedos.
Seu braço aberto ardia, mordeu seus lábios com força e apertou mais os punhos. Largou o holophone no chão e iniciou o procedimento para costurar sua pele de volta: Primeiro despejou um pouco do líquido que um amigo doutor lhe deu dias antes, não sabia exatamente do que se tratava mas confiou na palavra do médico. Não ardeu, pelo contrário, aliviou toda a dor que vinha de dentro. Então apanhou logo ao lado do pequeno frasco um aparelho no formato de um paralelepípedo branco, sua parte de baixo possuía o que pareciam ser dentes metálicos. Tinha sido feito exatamente para ocorrências como essas, do tamanho perfeito da ferida provocada pela remoção do holophone. Posicionou o paralelepípedo sobre a ferida com sua pele já cobrindo a mesma. Apertou um botão camuflado na face de cima do aparelho que mordeu todos seus pontos em que a pele estava solta, sentiu uma forte fisgada, em seguida relaxou aos dentes soltarem e revelar sua ferida costurada perfeitamente. Enfaixou mesmo assim para evitar mais complicações.
Olhou seu holophone caído e ensanguentado. Sem pensar por muito tempo pisou nele com força, uma, duas, três vezes até ele se espatifar completamente.
Sem mochila, celular ou computador e apenas uma passagem de ida, largou tudo para trás, bateu a porta daquele velho apartamento e partiu.
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Connection
Science FictionEssa história se trata da continuação de Selva de Aço e Concreto que agiu como uma prelúdio para os eventos desse livro. Cheque ela antes para melhor entendimento dessa história (apesar de não ser 100% necessário). Quando se brinca no jogo corpora...
