Moro no complexo da penha desde os meus cinco anos de idade, sou paraibana e vim para o Rio de Janeiro com meus pais em busca de uma vida melhor. Na época quando viemos para cá, eu era filha única, depois vieram mais 3 irmãos: Laís tem 14 anos, Gabriel tem 12 e Manuela tem 10 anos. Amo eles.
Cresci no complexo da penha, especificamente no morro da caixa d'água que é uma das favelas do complexo. A vida aqui é difícil principalmente a rotina de viver com tiros, conflitos, drogas mas também temos alegrias nas simples coisas da vida que são os amigos, família. Vi amigos meus morreram nas drogas, e também vitimas de bala perdida. Meus pais criaram eu e meus irmãos com suor, amor e aconselhando para não entrar no mundo do crime como acontece com vários jovens da minha idade ou até mais novos do que eu. Meu pai Edson é motorista de ônibus e minha mãe Celina é dona de casa mas revende produtos da Natura para tentar nos sustentar, eu sou estudante de direito e também trabalho num supermercado como operadora de caixa.
- mãe já vou pro trampo qualquer coisa me liga. Bença.
- Deus te abençoe filha, cuidado.
Me despedi dela, e fui descendo o morro até chegar lá em baixo e pegar a mototaxi para chegar ao ponto de ônibus. Isso era 5:00 da manhã, de segunda a sexta feira é essa minha rotina para chegar de 7:00 no trabalho que fica na Zona Sul do outro lado da cidade. Pego de 8:00, paro pro almoço de 12:00 e de 13:00 eu volto e pego até 17:00 e quem disse que eu vou para casa? Rsrs não mesmo. Do trabalho já vou para a faculdade aonde curso direito. Chego em casa de costume de 23:30 por aí. Vida difícil e muito mas é isso, se você não ralar, não chega à lugar nenhum.
Narração Rafael
Moro na Ilha do governador, tenho 32 anos, sou policial do Bope, servi ao exército aos 18 aonde passei 7 anos, e hoje amo o que faço e me considero realizado profissionalmente. Quando falo que eu nasci e cresci em comunidade, as pessoas não acreditam. Nasci no complexo do Lins e vivi até os 22 anos em comunidade com meus pais e minha irmã que é 4 anos mais nova que eu. Quando decidir entrar para a polícia minha mãe não me apoiou, mas depois ela teve que aceitar minha profissão. Meus trabalham como feirantes e minha irmã é dentista mas não mora mais conosco, já tem a família dela e mora perto da gente também na Ilha do governador.
- Bom mano, seus dentes estão ótimos.
-Obrigado Raquel, você arrasa.
-Tenho que ir para o trabalho, se cuida.
- Se cuida também hein, ser policial no Rio não é fácil. Depois vai lá em casa.
-Tá bom. Me despedi dela com um abraço e fui para o batalhão em Laranjeiras. Além de trabalhar em operações também ministro aulas de práticas esportivas em uma comunidade. Não sinto prazer em matar, gosto de ajudar no que posso.
KAMU SEDANG MEMBACA
Meu Soldado do Bope
RomansaCarolina é uma jovem de 20 anos, universitária, moradora do complexo da penha no Rio de Janeiro. Rafael Virginio é Soldado do Bope, 32 anos, ama a profissão. Um dia os dois se conhecem e tudo muda, milhões de incertezas e ao mesmo tempo sentimentos...
