as luzes do meu quarto apagadas, o riso e o debate lá fora. eu sequer faço parte disso?
oh sim, eu faço. sou eu quem fica nos bastidores da merda toda, corro de um lado pro outro, faço os favores pra todo mundo e ninguém.
às vezes é como não existir pra mim mesma. só pros outros. em função dos outros.
dói. eu posso ser até a mais mimada, a mais carente, a mais preguiçosa. mas dói, de qualquer forma. e eu ouço quando falam de mim pelas minhas costas, ouço quando reclamam, ouço a desconfiança e ouço as piadinhas.
eu brinco pra não ficar pior, me faço de forte e caçoo de volta. rio junto. mas tem horas que eu só quero ficar sozinha com as luzes apagadas e um cobertor pra chorar.
meus gostos são criticados, não posso apresentar música pra eles. enquanto a brasa estala debaixo da grade eles conversam e riem e eu só queria contar algo que descobri ou tentar fazer alguém rir. não posso.
as luzes do meu quarto apagadas. as cobertas me envolvendo e o travesseiro ficando salgado e úmido. hora ou outra eles vêm importunar, acendem a luz. mamãe não faz por mal, eu sei. mas os comentários que não são dela e às vezes até mesmo os dela machucam. "o próximo que acender a luz eu mato!", eu brinco. mas quem está pensando em morrer mesmo sou eu, deixar tudo pra trás; meu amor, meus sonhos, meus amigos.
as luzes continuam apagadas e eu preciso conseguir acendê-las por mim mesma.
