– Meu Deus Felipe! – Suplico o seu nome com todas as forças sentindo a dor em minha bunda, o objeto não era nem um pouco confortável para a dor, era um couro tão rústico que dava para sentir suas partes ásperas.
– Da próxima vez veja bem o que você faz. – Ele levanta a mão com força e o objeto grudado em seus dedos vem à tona chocando com a minha bunda.
– Ahhh!! – Dou um grito tão forte que minha garganta rosna saindo um som totalmente medonho, aperto o colchão fechando meus olhos ao sentir o objeto em minha bunda, mordo o meu lábio inferior sentindo o gosto de sangue, tento segurar a vontade de chorar mas não concluo.
Bom, deixa eu me apresentar. Meu nome é Erick, atualmente tenho 19 anos, faço um curso profissional de teatro e estou a caminho do meu futuro, infelizmente eu tenho que contar essa história para vocês, não pra vocês ficarem com medo, ou com nojo, mas sim, para vocês prestarem atenção com quem vocês se relacionam, e ter cuidado com o que as pessoas maldosas são capazes de fazer. Acomode-se e preste atenção.
10 de janeiro de 2012, colegial, inocente. Era um dia normal como outro qualquer. Sentado no banco do ônibus com a mesma rotina de sempre, fones no ouvido, comendo uma fruta, esperando chegar ao ponto da escola. Era totalmente nítido a minha invisibilidade, confuso falar isso, mas é como realmente me sinto, invisível, a única pessoa que me enxerga é a minha mãe, e não é um exagero.
Chegando à escola me sento em uma arquibancada que tinha no pátio, vejo as pessoas passarem com aqueles lindos sorrisos em seus rostos, dava pra ver a felicidade da alma, tudo estava em câmera lenta, os cabelos viajavam no ar lentamente com a ajuda dos ventos, os dentes brilhavam com os raios solares, a beleza das pessoas, impecáveis, e logo volto à realidade vendo tudo o que eu realmente tinha que ver, pessoas normais, normais como eu ou como você, eram bonitas sim, não vou negar, mas não tanto quanto eu ou você. O sinal bate e minha primeira aula era de ciências, eu sempre tive mania de deixar todas as pessoas subirem pra depois eu acompanha-las, mas nesse dia foi diferente, o menino que eu era apaixonado entrou pelo portão segurando o seu telefone na mão e endireitando o seu topete, em segundos estava sentindo minha articulação da boca mexer, e quando vejo estava sorrindo, ele estava de sandália, calça jeans clarinha e uma camisa toda preta dando um belo contraste em seu rosto. Ele é do 2º ano.
– Vai ficar aí parado? – Pergunta ele ao parar em minha frente colocando a mão em um de seus bolsos.
– Eu vou esperar o pessoal subir. – Retruco rapidamente não sabendo o que poderia sair de meus lábios.
Ele desce um degrau que tinha em nossa frente e meu olhar sobe pelo seu corpo até chegar a sua cabeça, e logo deixo um sorriso escapar.
– Vamos cara, vocês deve ter aula agora! – Ele literalmente estava sendo direto e me dando algum tipo de ordem, a voz dele era bem grossa, era inevitável ter medo, então sem pensar muito fico de pé e ele anda ao meu lado até o corredor dele.
– Até mais cara. – Ele coloca dois dedos em sua testa e faz um movimento que eu era apaixonado.
Concordo com a cabeça e depois desse meio tempo sinto meu coração bater, levo minha mão ao peito sentindo o batimento rígido do tal.
Termina a aula de ciências e eu decido ir ao bebedouro, estava perdido em pensamentos sobre o Felipe, ele era um puta de um homem, era o meu sonho de consumo, a aula toda não parava de pensar nele nem um minuto. Chego ao bebedouro, era uma salinha bem pequena que cabia umas três pessoas e meia, era consideravelmente escuro, inclino meu corpo deixando minhas costas em forma de ponte, aperto o botão para a água sair e sinto um tapa em minha bunda, podia dizer que foi forte porque eu tive que segurar a borda do bebedouro, na mesma hora sinto meu corpo ser virado de uma tal maneira que a única coisa que eu consigo pensar é "morri".
– Se assustou? – Ele ri ironicamente.
Era o Felipe, sinto um ódio incontrolável subir pelas minhas veias e nego a cabeça várias vezes.
– Qual é o seu problema, Felipe? – Pergunto totalmente irritado olhando em seus olhos, eu nunca encarei tanto aqueles olhos, sinto meu corpo quente, mas logo desvio os pensamentos surgidos pela minha cabeça inútil.
– Você! – Ele me responde na mesma hora, curto e grosso, tão rápido que a minha única reação foi tentar sair do ambiente. Só tentar mesmo.
– Olha, não tenho tempo. – Falo me preparando para sair.
O braço dele estava na parede ocupando todo o espaço da porta, eu estava completamente sem saída, sem pensar muito dou um passo curto tentando tirar sua mão da parede para me dar espaço, mas eu falho.
– Vai a algum lugar? Eu não terminei de falar com você! – Em um movimento rápido ele pega o meu braço e anda em minha frente até chocar as minhas costas na parede, sentindo a dor em minha espinha, o frio da parede passa para o meu corpo me deixando inseguro, ele segura o meu braço em falso contra a minha barriga e encara os meus olhos, não dava para identificar se era ódio ou algo parecido.
Eu estava com medo, o que eu tinha feito para ele? Eu falei alguma coisa errada e ele não gostou? Eu feri os sentimentos dele? Eram ideias que apareciam naquele momento de desespero, mas não tinha uma resposta. Então eu me dei duas opções: ou eu vou morrer, ou eu vou morrer.
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Eu sinto dor como você
RomanceUm estudante de família de baixa renda onde sua mãe é e sempre foi dona de casa pelo machismo de seu pai, que além de tudo era alcoólatra. Era uma vida difícil, discussões desnecessárias e ter que visualizar as porradas que sua mãe levava de seu pai...
