- Capítulo [1]

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Fazem seis meses desde que eu perdi minha melhor amiga, poderia dizer que dá forma mais bruta possível, talvez até seja, mas essas coisas são tão freqüentes, mas nós nunca esperamos que alguém perto de nós faça isso. Nós não acreditamos até estar feito.
Nós nunca esperamos perder alguém e talvez por isso que na maioria das vezes não damos a devida importância.

Ela se suicidou.

Essas palavras ainda tapam a minha garganta e maltratam o meu corpo, mas tentar negar não mudará a ordem e a veracidade dos acontecimentos. Não vai mudar que eu sinto falta.

E eu passei esses últimos seis meses chutando paredes e gritando com todos,eu passei os últimos seis meses xingando-a ,me perguntando porquê, e esperando inutilmente que ela voltasse.

Mas ela não voltou,não vai voltar,e a única coisa que me restou foi uma carta amassada e suja de café. Carta essa que de primeira eu não quis ler, porque seria como se ela estivesse lá,e na verdade ela não poderia.

Hoje de manhã quando acordei foi quando decidi que finalmente leria as palavras ali escritas, porque todos os dias eu acordava e olhava pra carta , alguns dias eu queria que ela sumisse, outros, que as palavras simplesmente flutuassem e então eu não precisaria abri-la. Finalmente criei coragem.

Levantei dá cama e desci as escadas com a carta em mãos,dando um susto na minha mãe que não me via saindo do quarto à dias , com o pijama mesmo eu segui em direção a rua,indo para o parquinho duas quadras depois dá minha casa.

Indo pra o nosso lugarzinho de quando éramos bem menores e não sabíamos o que a vida podia nos proporcionar.

Sentei-me na ponta do escorregador e segurei firme a carta entre minhas mãos, lá no fundo querendo que o vento a levasse.

Perdendo a coragem.

E sentindo todos aqueles sentimentos novamente,as lágrimas voltando.

Quando finalmente abri a carta minhas mãos tremiam tanto quanto a mão de alguém que sofre epilepsia. As letras estavam lá, uma coisa que me arrancou um sorriso, porque por seis meses eu imaginei como seria essa carta por dentro, imaginando se teria uma letra bem desenhada escritas com canetinha piloto com glitter, mas não,eram apenas as velhas e desorganizadas letras dá Beatriz.

O dia estava nublado e estava ventando muito, parecia que a tempestade dentro de mim havia explodido para o lado de fora.

A carta :

"Querida Bia, aposto que você já deve estar a beira de lágrimas (se já não estiver chorando).

Eu vim aqui e decidi que escrever algumas coisas pra você era bom , pensei que seria fácil, mas confesso que é ainda mais difícil que  a decisão que tomei, porque eu não sei por onde começar Bia.

Eu não me sentiria bem em partir sem deixar nem mesmo que fosse uma das minhas figurinhas dos Beatles .
Bem , você deve ter percebido que nos últimos dias eu tenho estado muito ausente,e te conhecendo como eu conheço, você já deve estar pensando que eu estou ressentida com você por alguma coisa errada que na sua cabeça você fez, mas não Bia,a culpa não é sua,e por incrível que pareça,nem minha.

Bia, antes de tudo,eu gostaria de que você soubesse de uma coisa que eu guardei por um bom tempo, talvez não tenha mais sentido eu te contar isso agora, talvez você tenha percebido, mas mesmo assim,eu preciso que você saiba por mim,eu quero que você escute/leia as minhas palavras.:

Eu sempre gostei mais de você,no meio das garotas que andavam conosco, talvez até mais do que eu deveria,a questão é que aparentemente você nunca percebeu.

"De Bia para Bia"Stories to obsess over. Discover now