| ú n i c o |

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Faz cinco anos que não venho para cá. É incrível como em um ano de intercâmbio na adolescência considerei França minha casa. Talvez porque eu tenha me sentido em um lar. O país é lindo, principalmente Paris. Mas não foi exatamente por isso que voltei, na verdade... tem o nome de uma flor. Violet. A garota que conheci quando era jovem e não consegui tirar da mente até hoje. Quando voltei para casa, ela ficou e pediu que eu fizesse o mesmo, mas a deixei sozinha. Nunca deixei de amá-la, um bobo apaixonado, como diria minha mãe. Ou um idiota, como diriam meus amigos. 

Imaginei que ela nunca iria me perdoar, mas sempre estive enganado. Descobrira há alguns meses, em um grupo literário francês, seu número de celular e não perdi tempo ao mandar uma mensagem. Olho pela janela do hotel, o céu em uma mistura de laranja, rosa e roxo, inspirando o ar perfumado demais e escutando os cantores de rua. Como senti falta. Suspiro, e olho novamente a mensagem em meu celular: "Estarei esperando perto do rio ao pôr do sol".

Entro novamente no quarto, me olhando no espelho pela última vez. O cabelo desalinhado e a barba feita. Espirro um pouco mais do perfume que lembro que ela gostava. Pego minhas chaves, e saio do hotel, andando livremente pelos corredores até a saída, e indo ansioso até seu encontro. Chego ao rio Sena, e ela está olhando com o cenho franzido para a grade cheia de cadeados, como juras de amor. Me aproximo, e ela vira o rosto para mim, abrindo um sorriso preguiçoso. Aquela beleza era no mínimo exótica.

- Violet – paro a poucos centímetros dela, sinto seu cheiro doce de baunilha e solto o ar que estive prendendo pela expectativa. Me sinto como um ex-viciado perto demais da droga que pode me arruinar pela segunda vez.

- Dan!– alarga o sorriso e joga seus braços ao redor de meu pescoço, me abraçando.

Ando com ela pela ponte, de braços dados, como antigamente. Converso sobre o que ela faz _Sou uma escritora! Preciso divulgar minha obra._ Me diz com sua fala cantada. Conversamos sobre coisas banais, sobre como éramos naquela época e sobre como mudamos. Já é mais de meia noite quando me dou conta, e ela diz que deve ir e que nos vemos por aí.

Volto para o hotel, o cheiro dela ainda impregnado em meu nariz. Como é possível que um amor dure tanto e me faça tão bobo, me faça sentir adolescente de novo? Nunca imaginei que seria tão forte, tão louca a vontade de tê-la comigo. Acho que é verdade o que dizem sobre o primeiro amor. 

Encontro-me com ela outras vezes... Na sorveteria, na floricultura, na divulgação do livro, no Marco Zero, na Catedral, no hotel... E tudo que penso é em uma abordagem menos impulsiva para que meu maior desejo se realize, mas não consigo chegar a lugar algum. Eu deveria ser mais direto, eu acho... 

Ela está falando e falando, mas mal presto atenção. 

- Você anda tirando muitas noites minhas, sabe? –digo a ela, claramente pegando-a de surpresa.

-Sério? Ando tirando suas noites? Por que está dizendo isso, Dan? – Percebo o tom de desafio em sua voz melódica.

-Você não tem ideia... Está cada vez mais difícil não pensar em você. – aproximo-me dela, quase a encostando na parede, levando uma mão a seu rosto, e acariciando sua bochecha com tanta delicadeza que imaginei que ela fosse quebrar. Fico alguns segundos distante encarando seus lábios, dando chance para que ela desvie se quiser. Violet não sai e me encara de volta, com a respiração lenta demais. Levo minha mão até sua nuca, indo com meus lábios de encontro aos dela.

Quando corresponde, pousando sua mão sobre meu tórax, agarrando minha camisa e puxando-me mais para perto, levo a minha mão livre até sua cintura, apertando meu corpo contra o dela. Minha mente voando, só sentindo-a, meu coração parecendo que ia explodir. E é então que ela me empurra. Tamanho é o choque, que praticamente vou de encontro a outra parede, pelo corredor ser tão estreito. A olho confuso, sem ter ideia do que fazer.

-Me desculpe, eu preciso ir...

- Violet! - Com o rosto triste, ela entra em seu quarto, deixando-me sozinho no corredor, e não consigo pensar em mais nada além de tentar deixá-la respirar e encontrá-la no outro dia. Demoro horas para chegar ao meu hotel, tamanha a distração. Não sei o que eu fiz de errado!

Com as malas prontas na manhã seguinte, resolvo ir até o hotel em que ela está hospedada e sigo para o quarto, indo me despedir. Eu tenho de ir embora, mas não sem vê-la uma última vez. Bato na porta e ninguém atende. Bato várias vezes, e o quarto parece inabitado. Passo para a recepção, e pergunto sobre Violet, e a atendente me diz que acabou de sair com um rapaz logo cedo.

Confuso, sigo pela rua em direção ao táxi, pensando em mandar uma mensagem, dizendo adeus. É quando a vejo. Do outro lado da rua a mão no rosto, porém os olhos felizes, com Louis, um antigo colega, ajoelhado a sua frente, abrindo uma caixinha com um anel. Ela grita um Oui e ele levanta abraçando-a. Onde meus braços estiveram ontem. Beijando-a, como eu a beijei ontem a noite. A desilusão cai sobre mim. Fito os dois ali, extremamente felizes. E é aí que ela me olha, e o rosto transparece o choque. Os olhos claros arregalados, a boca ligeiramente aberta. Entro no carro, e só a ouço gritando meu nome. Eu não olho para trás. E nunca mais irei. 

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{notas da autora}

Oh, hi, chuchu

Eu amo esse conto do fundo do meu coração, e espero que tenha amado da mesma forma, o escrevi para uma aula de português e desde então, foi meu xodó. Meu objetivo foi mostrar que nem sempre os homens são os babacas badboys, e também que nem sempre a vida será favorável mas meu Dan vai superar. A inspiração veio de um momento muito ruim em que eu não sabia como dar um fora em alguém ISHAOHASOOU ai eu fiz essa merda com meu personagem lindinho. 

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See ya. 

Não olhe para trásWhere stories live. Discover now