O garoto estava sentado na maca, á pelos menos 4 horas, ele fitava o mesmo papel em branco, com um lápis na mão trêmula. Os sons do hospital já não o incomodavam mais, na verdade, nos últimos 6 meses, esses tinham sido os únicos sons que ele ouvia.
A mãe do menino, sentada ao lado da maca, o fitava, o olhar distante, triste, ela sabia o que estava por vir. JaeBum sempre foi uma criança alegre, cheia de vida, com um sorriso cheio de esperança. Apesar de cada vez que era obrigado á ir até o hospital, receber medicamentos nas veias, renovar as esperanças de sua mãe de que seria curado, ele sempre soube, no fundo da alma, que não haveria muito mais tempo para ele.
Entre idas e vindas do hospital, foram jogados na mesa de cirurgia 10 anos de sua vida, as primeiras o assustavam, porque ele era apenas uma criança... Mas com o passar dos anos, JaeBum aprendeu á lidar com a dor que vinha antes da cirurgia, e também com a que vinha depois. Ele aprendeu que viveria para sempre daquele jeito, que quando aquilo acabasse, seria porque sua vida já não tinha mais saídas.
O rapaz olhou a mãe, o rosto pálido, em conjunto com as mãos frias e o par de olheiras desenhadas no rosto dele eram resultado de noites mal dormidas, por causa das constantes dores, mesmo assim ele ainda sorriu, e com certa dificuldade, rabiscou o número 1 na folha em branco, começando a lista de desejos.
1. Ir á praia e ver o pôr do sol.
2. Dançar uma noite inteira até não poder mais.
3. Voltar a tocar violão.
4. Conhecer o amor da minha vida, mesmo que eu morra depois.
5. Rever, por um dia, todos os meus amigos de infância.
6. VOAR!
7. Fazer a mamãe entender que quando eu morrer, ainda vou ser filho dela e do meu pai.
8. Dar o meu primeiro beijo.
9. Andar á cavalo.
10. Dormir sob as estrelas.
JaeBum fechou os olhos e respirou fundo, o que últimamente havia se tornado difícil. Ouviu a porta do quarto do C.T.I do hospital se abrir, e uma nuvem de gente de branco entrou. - Mais estagiários que vão me tratar como uma pesquisa e depois esquecer que eu existo.- O rapaz suspirou e deitou na maca, fingindo um sono repentino.
-E este é Im JaeBum... Um caso raro na medicina hoje em dia, já são 10 anos. O prazo prolongou-se por muito tempo. - O garoto, deitado na maca fingindo dormir, fez careta, como que para dizer "eu estou ouvindo" , e a mãe apertou sua mão, dolorida, o fazendo soltar um breve gemido-.
Um dos estagiários fitou JaeBum, ele podia ver pelo canto dos olhos que o rapaz tinha os cabelos castanhos, lisos e bagunçados, os olhos puxados e só um pouco maiores do que os dele mesmo, duas tatuagens, uma parecia um pássaro, e a outra era um desenho impossível de se decifrar.
-Eu posso?... -O garoto acastanhado perguntava ao seu preceptor, tendo a permissão concedida. Ele se desvencilhou do resto da turma e caminhou até a maca, se aproximando de um JaeBum quase adormecido - agora ele realmente estava quase adormecido.
-Oi senhora... - O estagiário sorriu, estendendo a mão para a mãe de JaeBum -Eu sou Choi Youngjae, será que... Eu posso fazer algumas perguntas? - JaeBum viu apenas o borrão da mãe assentindo para o Choi, e adormeceu.
A mãe de JaeBum fitava Youngjae, enquanto o futuro enfermeiro se sentava á frente dela, meio desajeitado, a fazendo sorrir um pouco, e começava a perguntar.
-A quanto tempo... Bem... A quanto tempo ele tem a doença? - Youngjae pareceu incerto se devia perguntar isso, mas logo firmou a voz, ouvindo a resposta direta da mulher.
-10 anos, quero dizer, 10 anos que foi descoberta, mas os médicos suspeitam que ele já estava doente antes disso. - A mulher revelou, séria. Youngjae pareceu anotar alguma coisa em suas folhas e fez outra pergunta.
-Ele sabe em que estado se encontra? - Perguntou, agora sem gaguejar.
-Sabe, em partes... Mas acho que ele desconfia de todo o resto. É provavel que ele saiba. - A mulher suspirou, engolindo um grande nada.
-Qual a idade dele e como foi descoberto? - Youngjae fitou, por alguns segundos, o JaeBum ainda adormecido.
-Ele faz 19 esse ano, e descobrimos porque ele teve alguns problemas na escola, como desmaios repentinos. - A mulher vascilou e Youngjae presumiu que era hora de parar. E foi quando a voz de JaeBum irrompeu.
-Desmaios, sangramentos, caroços estranhos pelo corpo, e uma semana depois eu estava na porcaria de uma mesa de cirurgia. - O garoto pediu á mãe para erguer a maca o deixando sentado, ela assim o fez.
- Dez anos, quase 35 cirurgias, melhoras e pioras, idas e vindas de casa, os últimos seis meses eu passei na droga desse quarto. E agora eu provavelmente estou morrendo. O que mais você precisa saber para a sua merda de pesquisa? - JaeBum pareceu triste, chateado, frágil, e tudo o que não parecia á segundos atrás. - Já podem sair e deixar minha mãe em paz? - Youngjae fitava JaeBum, enquanto o mesmo bufava de irritação, cabisbaixo. - Eu tenho a droga de não sei quantos cânceres me corroendo por dentro, Choi Youngjae - Ele pareceu ler o crachá do estagiário. - Mas eu não sou uma pesquisa. E minha mãe não precisa responder as porcarias das suas perguntas interesseiras. - Youngjae levantou-se, parecendo ofendido, a mãe de JaeBum o fitava, incrédula no que o filho fizera, e JaeBum jogou a nova lista de desejos fora. Na direção do cestinho de lixo, mas ela caiu nos pés de Youngjae, e assim que JaeBum se virou, emburrado, Youngjae deu um jeito de pegar o papel e guardar no bolso do jaleco.
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10 Meses E Uma Vida
Fanfiction"Ele era um paciente terminal com uma lista de desejos, e encontrou um enfermeiro com tempo para realizar sonhos alheios." Avisos : 1 Plágio é crime, bird. 2 Sim, nessa fanfic o Youngjae é mais velho que o Jaebum. 3 Espero que gostem
