A viagem de carro havia sido longa. Ao descer dei adeus ao motorista que me acompanhou em todas as viagens da minha vida pela última vez. Ele sorriu com tristeza por saber que depois de tantos anos talvez nunca mais nos veríamos. Arrasto minha única mala com cansaço, ao chegar na porta toco a campainha, uma mulher que tinha o rosto enrugado, cabelos pretos com a raiz branca que começava a aparecer, abriu. Era minha avó paterna.
- Minha filha, seja bem vinda! – me disse, com um tom meigo – Entre, fique à vontade.
- Obrigada vó! – eu disse tímida com um sorriso – Como a senhora está?
- Estou bem. – respondeu enquanto entrávamos. – seu quarto fica no corredor, a segunda porta. – desapareceu pela casa.
Subi a escada, um pouco triste pelo gelo que minha vó me deu, avistei a porta e abri. Reparei no quarto, era simples, tinha apenas uma cama e um guarda roupa. Me deitei e fiquei lá por um tempo, tentando não pensar no acidente que me trouxera pra cá.
- Megan, vem almoçar! – minha avó gritou.
Desci as escadas rapidamente, estava faminta. Depois de comer, subi e resolvi arrumar minhas coisas. Encontrei uma pequena caixa cheia de fotos, quase não tive coragem de abri-la, mas resolvi que eu teria que enfrentar situações como essa mais cedo ou mais tarde.
"Desci a escada correndo, era meu primeiro dia de aula e estava super animada, dei um beijo em mamãe e depois no papai. Entrei no carro e fiquei buzinando para meu pai vir rápido, quando cheguei no colégio fiquei observando uma menina que estava sozinha em um banco enquanto outra caçoava dela, cheguei mais perto e sentei no banco.
- Oi, sou Megan. – falei com um sorriso – Não precisa ter medo.
- Oi, sou Emma. – me disse tímida, enquanto observava o chão.
- Você quer ser minha amiga? – perguntei animada.
- Posso tentar! – falou sorrindo."
Observei a foto com as duas garotinhas sorridentes, uma sem os dois dentes da frente e a outra com esses nascendo. Uma lágrima desceu, mas limpei rapidamente, não teria coragem de ver as fotos que viriam em seguida, dos meus pais, ainda era tudo muito recente pra mim, uma semana e eu não tinha conseguido dormir uma noite inteira por causa de pesadelos que me remetiam de volta aquela noite.
Já estava a noite, então, resolvi tomar banho. Levantei com preguiça e fui ao banheiro, fiz minhas higienes e voltei para o meu quarto. Resolvi deitar, estava com muito sono e amanhã será o meu primeiro dia de aula.
"Eu e meus pais íamos para a casa no lago, era nossa tradição de domingo. Dei uma última olhada no espelho e desci as escadas.
- Estou pronta, mamãe. – falei, ao avista-la sentada no sofá.
- Seu pai está colocando as coisas dentro do carro. Hoje vamos nos encontrar com aquele amigo do seu pai que tem um filho bonitinho. – deu um sorriso insinuante para mim.
- Aí mãe... – revirei os olhos rindo.
- Vamos garotas! – papai apareceu a soleira da porta, sorrindo.
Entramos no carro, todos felizes e sorridentes. Hoje seria um dia maravilhoso. Depois de um tempo de viagem, resolvi cochilar até chegarmos ao nosso destino.
- Eu não sei do que você está falando! – ouvi a voz do meu pai gritar, mas ainda mantive meus olhos fechados.
- Sabe sim, não negue! – minha mãe acusou.
Espiei a discussão dos dois, por algo que eu não estava entendendo. Papai olhava raivoso para mamãe, que o ignorava. Por um segundo, sorri em minha mente, até ver o caminhão vindo em nossa direção, meu coração acelerou em adrenalina e medo.
- Pai! – gritei assustada, apontando para frente, mas já era tarde demais..."
Acordei gritando, os lençóis ensopados de suor. Esses pesadelos estavam me perseguindo desde o dia do acidente. Era horrível. Todos diziam que era um milagre eu ter sobrevivido apenas com alguns arranhões.
Respirei fundo, olhando as horas no celular, ainda faltava muito para amanhecer. Tentei dormir novamente, mas não consegui, então fiquei deitada olhando para o teto e pensando em como seria tudo diferente.
O alarme tocou, me assustando. Era hora de levantar para ir para a escola. Me arrumei rapidamente, sem nenhum pingo de ansiedade para enfrentar estranhos nessa fase que estou passando. Peguei minha mochila e fui na cozinha procurar algo, mas não tinha literalmente nada comestível.
Minha avó ainda não tinha acordado, e ela sempre foi assim, descuidada com tudo. Lembro de vir na casa dela apenas umas três vezes na vida. Meus avós maternos morreram quando eu ainda era criança. Meu avô paterno deixou meu pai e minha avó quando ele ainda tinha cinco anos, ele era um viciando em apostas e ficou devendo um homem nessa região. Meu pai disse que depois disso minha avó nunca mais foi a mesma, começou a fumar, mudou hábitos, não cuidou dele direito. Se meus pais soubessem que ela foi a única família que me restou, nunca deixariam eu estar com ela. Sei que ela só me aceitou dentro da casa dela, por causa do dinheiro mensal que eu receberia até completar dezoito anos. Ela ficaria com o dinheiro, mas eu não ligava. Só queria meus pais de volta.
Saio de casa, balançando a cabeça para espantar esses sentimentos horríveis que me rodeavam. Caminho por três quadras, ate chegar no grande portão de ferro. Observo todos aqueles estudantes felizes conversando uns com os outros. Respirei fundo e entrei.
GENTE, VAI TER CAPÍTULO UMA VEZ POR SEMANA! ESPERO QUE GOSTEM, BEIJOS!
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Best Mistake
RomanceMegan Ward perdeu seus pais em um acidente de carro. Abalada, vai morar com a sua avó paterna, que não se importa com ela nem com ninguém. Sozinha e triste, conhece um garoto chamado Oliver Carter, que faz seu mundo virar de ponta cabeça, mas ele es...
