Just Hold On

16 2 0
                                        

Hoje completam três meses. Três meses desde que vi seu belo rosto cheio de lágrimas, seus olhos abertos sem qualquer sinal de vida, eles não brilhavam mais.

É um desafio entrar naquele prédio que eles chamam de faculdade todos os dias, ver as pessoas cochicharem seu nome ao me verem passar, ouvir um "eu sinto muito" de alguém que me olha com pena. Mas eles não sentem, você sabe Kimberly, eles não sentem muito, eles sequer sabem quem você era. Mas eu sei. 

Talvez eu esteja sendo punido com isso, talvez eu devesse ter me esforçado um pouco mais, ainda me culpo por não ter aparecido naquele dia. Sabe, eu estava apenas saindo com ela para tentar te fazer ciúmes, eu te amo, sempre amei e vou amar pra sempre. Mas agora você não está mais aqui para eu poder te dizer isso e te beijar logo em seguida. Você não está mais aqui. 

Minha punição é não ter você comigo.

Sabe o quanto é difícil acordar, olhar pro lado e não te ver na cama? Sabe como é difícil lembrar apenas do nosso término, de quando você saiu por aquela porta chorando? Lembrar de que você estava tentando, que estava realmente tentando viver e voltar a ser a Kimberly, melhor amiga do Tyler novamente? E essa Kim, essa é a minha verdadeira punição. Não ter você, ter lembranças, culpa. Eu causei sua morte, e todos sabemos disso. 

Se eu tivesse aparecido na hora, não uma hora depois, no momento exato em que você me chamou, eu não teria te visto no chão do banheiro. Não teria te segurado, chorado, você podia ouvir meus gritos? Eu pedia para você aguentar, eu prometia te amar por toda a minha vida, eu queria você de volta, eu precisava de você. Eu queria ouvir seu coração batendo, mas eu não conseguia. As pílulas, as malditas pílulas antidepressivas que você estava tomando.

Kim, eu queria poder voltar no tempo, queria mudar isso, queria mudar tudo isso.

"Como foi?" me perguntam, e eu respondo que foi a pior experiência da minha vida, eles me dão tapinhas nas costas e dizem que sentem muito, mas eles não sentem, tapinhas nas costas e palavras vazias não vão fazer você voltar, não vão fazer o seu coração voltar a bater.

Eu joguei uma margarida no seu caixão, uma margarida amarela. Margaridas amarelas eram suas flores favoritas, eu te dei um buquê delas quando nos formamos no colégio, naquela época seus olhos verdes tinham um brilho de felicidade, você amava a vida, então porque Kim? Fui eu? Apenas eu?

Minhas mãos estão machucadas, minha mãe me pergunta oque aconteceu com elas, e eu digo que soquei uma parede com força total. É, eu soquei mesmo. Lembra de quando nos juntamos no seu apartamento e bebemos por horas, e nós dois quebramos todos aqueles troféus da feira de ciências e acabamos com as mãos cortadas? Acabamos dormindo na sala mesmo, e no outro dia matamos aula, era a primeira semana da faculdade e já estávamos matando aula.

Se eu fechar os olhos nesse momento posso me lembrar do seu sorriso. Oh meu Deus, você tinha colocado um piercing  no septo, e eu te zoei demais, te chamei de vaca, e você apenas ria.

Posso lembrar dos nosso beijos. Dana e Will eram totalmente a favor do nosso relacionamento, éramos um quarteto, os dois estavam juntos e nós dois. Hoje eles vieram me visitar. Foram os únicos que não disseram eu sinto muito, e por isso eu sei que eles sentem muito de verdade.

Quando íamos até os trilhos de trem da nossa cidade e andávamos pelos vagões abandonados depois da faculdade, levávamos bebidas, e foi lá que tudo aconteceu. Foi lá que demos início ao nosso relacionamento e seis meses depois estávamos morando juntos, no seu apartamento. Você tinha mania de usar moletons largos ou as minhas camisas, mas eu amava essa sua mania. Você era louca por café, e como estudante de artes, vivia desenhando.

Aguente.

Volte.

Eu ainda preciso de você Kim.

Gritos vazios. Pode me ouvir?

Eles te levaram em uma mesa Kim, checaram se seu coração estava batendo e fizeram que não com a cabeça. Eu estava no canto do seu banheiro, agachado, abraçando meus próprios joelhos, chorando silenciosamente. 

Apenas aguente.

Era terrível. Eu me culpava, eu queria morrer, eu não podia imaginar um mundo sem você.

Eu não precisava Kim, eu preciso de você. E talvez seja por isso que eu estou sempre chorando, sempre sozinho, sempre pensando em você. Talvez seja por isso que a cada dia que se passa eu penso em acabar com a minha vida e me juntar a você.

Me deixe pegar sua mão, vai ficar tudo bem.

Eu juro te amar pelo resto da minha vida.

Sua mão estava fria, sem vida, eu podia sentir. 

Pode me ouvir gritar? 

Por favor não me deixe!

Você estava naquele caixão. Olhos fechados, pele branca, cabelos impecáveis, estava usando um vestido azul com detalhes pratas. Todos naquele lugar choravam, mas eu segurei sua mão. Fria, rígida.

Você não ia mais voltar. Você não vai mais voltar.

E é por isso Kim, é por isso que hoje eu digo adeus a você.

Eu não vou me encontrar com você agora. Pode ser daqui há dias, semanas, meses ou anos, eu não sei dizer, mas eu sei que um dia vou te encontrar, sorrindo, me chamando de retardado como você sempre fazia, pulando em mim, me dando uma abraço apertado, bagunçando meu cabelo e dizendo que é bom me ver. 

Ah Kim, eu vou te abraçar forte e te pedir para me perdoar, e então, tudo vai ficar bem.

Aguente. Apenas aguente. 

Hold OnWhere stories live. Discover now