DEZOITO ANOS ATRÁS...
Mamãe chora enquanto penteia meus cabelos molhados. Eu não sei porque mamãe está chorando, ela nunca chora.
- AnnaB, me prometa que você vai ser uma boa menina? - Sua mão está trêmula enquanto ela continua penteando.
- Mãe, o que está acontecendo? - Meu cabelo não precisa ser mais penteado, mas ela não para.
- Droga, Annabeth! Me prometa que vai ser uma boa menina! - Ela está irritada agora, mas continua a pentear meus cabelos freneticamente.
Eu não consigo prometer nada porque meu pai bate na porta e grita com a mamãe. Ele sempre faz isso, sempre grita e a chama de vários nomes, mas a minha mãe não é aquilo que significam os nomes, não comigo.
- Grace, você pode trazer a porra da menina para baixo logo? Não temos o dia todo de merda. - Ah, ele me chama de uns nomes também, mas é algo que já me acostumei. Papai esbraveja por tudo.
- AnnaB, me prometa!! - Mamãe é quem está gritando agora. Por que todos têm que gritar? Eu não sou mais uma criança.
- Eu prometo, mamãe. Pare de gritar! - Ela não sabe, mas eu coloco a merda fora de mim quando gritam comigo.
- Me desculpe, doce menina - Ela beija a minha testa e pega a minha mão e é só isso que me diz. Me sinto perdida, não sei o que está acontecendo.
Descemos a escada mal feita e acabada da casa em silêncio. Posso ouvir papai conversando com alguém na sala, a conversa não parece amigável.
Quando mamãe e eu chegamos até a sala todos se calam e a atenção está voltada para mim. O homem que está acompanhado por três brutamontes, parece ter quarenta anos, é alto, tem cabelo preto ou castanho, eu ainda não sei dizer, pois está misturado com fios grisalhos, e tem olhos negros e eu posso ver coisas ruins nele: maldade, crueldade, malícia e... Desejo. Desvio os olhos da face perturbadora e no canto da sala vejo um menino. Ele é mais velho que eu, mas está assustado, ele é extremamente bonito e poderia ser confundido fácil com aqueles meninos que estampam as capas das revistas adolescentes que eu e minhas amigas lemos no intervalo do colégio.
Ele olha para mim com curiosidade, o homem mais velho e perturbador percebe.
- Lian, tire os seus malditos olhos. Você não está autorizado a olhar. - Ele esbraveja com o menino como o meu pai faz comigo, ele se encolhe ainda mais e desvia os olhos de mim.
- Bom, Julian. Aí está ela, nossa doce Annabeth. - Meu pai aponta para mim com a cabeça e eu não sei porque ele faz isso, eu não sei de nada que está acontecendo comigo. Mamãe aperta mais a minha mão e dá um sorriso forçado para Julian.
- Então essa é a doce Annabeth! Enfim conheço a responsável por tantos elogios. - O homem que agora identifico como Julian me olha de cima para baixo e quando seu olhar para nos meus eu sinto meu alarme de perigo soar descontroladamente. O que está acontecendo?
- Nós não podemos reconsiderar, Marcos? - Minha mãe aperta mais a minha mão e olha com olhar de súplica para o papai, mas não é ele quem responde e sim, Julian.
- Querida Grace, não tem mais escapatória e eu já fui tão benevolente com vocês. A doce menina agora é minha. - Olho para o papai em desespero, mas ele não olha para mim. O que está acontecendo? Eu sou dele? Não, eu não sou.
Olho para minha mãe e uma lágrima solitária escorre em seu rosto, puxo sua mão para chamar a sua atenção, parece que funciona.
- Apenas Seja uma boa menina, Annabeth. - Um dos brutamontes puxa meu braço e me leva para longe da minha mãe enquanto vejo o meu pai conversando com Julian. Então nesse momento eu sei exatamente o que está acontecendo; os meus pais me usaram como moeda de troca.
- Mamãe, não faça isso! Me desculpa, eu não vou desobedecer mais. Mamãe, não deixe que eles me levem, eu amo você, mamãe. - Minha mãe apenas agita sua cabeça em negação e sobe escada acima chorando descontroladamente.
O brutamontes aperta meu braço mais e eu tomo nota de onde estou quando começo a me debater chorando desesperadamente. Julian se abaixa na minha frente e olha em meus olhos.
- Eu adoro as que lutam - Levanta e se vira para o meu pai - Marcos, foi um prazer fazer negócios com você.
E é aí que eu vejo que está tudo perdido e agora só resta o meu pai - Papai, não me deixe ir embora. Por favor, papai - Eu estou gritando, meu rosto é uma confusão de cabelos, lágrimas e desespero - Eu prometo arrumar toda a casa mais rápido, por favor papai, eu prometo dormir no sofá quando você quiser transar alto com a mamãe. Não me deixe ir, eu sou só uma criança.
Meus apelos desesperados não funcionam. E antes do brutamontes pressionar um pano contra meu nariz e boca eu vejo Julian sorrindo e me desejando, vejo o menino no canto da parede assustado. Quando olho para papai ele diz:
- Pelo menos você serviu para alguma coisa, saquinho de merda.
E aí eu vejo a minha destruição. Por que o menino não fez nada? Pra onde eu vou? Onde vou morar? O que vão fazer comigo?
Eu sou só uma criança...
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Black Swan
RomancePrazer, meu nome é Swan, no meu meio agora, mais conhecida como Black Swan: A mais fria, impiedosa e selvagem assassina; e ladra de aluguel. Essa é uma história onde o destino é uma vadia imprevisível que me coloca anos depois, cara a cara com Lian...
