Manhattan, 3:15. Terça-feira. Três de agosto de 2016;
P.O.V Lauren Jauregui
"DROGA! Cadê a Lucy quando eu preciso?!" Pensei completamente exausta, ainda tentando achar o antigo medalhão da minha família no meio de todas aquelas tralhas que a senhora Phillips guardava no sótão da minha antiga casa. E eu acho que foi exatamente por isso que eu quase desmaiei de felicidade e deixei cair a estranha estatua de gato da velha rabugenta quando recebi sua mensagem.
"Estou nas portas dos fundos, consegue chegar aqui sem acorda-lá? - Lucy"
"Sabe que sim. - Lauren"
Apaguei a tela do meu celular e suspirei aliviada assim que desci o alçapão que levava ao sótão, e com cuidado, fechei a portinhola daquele lugar. Pelo menos na casa eu já tinha certeza que o medalhão não estava.
Como eu sabia que a Constance Phillips tinha um sono leve, e não me pergunte como eu descobri isso, eu rapidamente mudei a rota da minha direção pra não ter perigo de ser capturada nem por ela e nem por seu gato mais velho, rabugento e fedido chamado Robert, ou até pior, ter de ouvir seu ronco alto no meio da noite. Sinceramente, já perdi as contas de quantas vezes eu me assustei com seu ronco e ela também, acordando várias vezes e me deixando sem paz – isso em menos de três dias. Bom, até seria cômico se não fosse trágico para meus ouvidos ouvir aquilo.
Abri a janela do corredor do segundo andar calmamente pra não fazer barulho e dei um salto de fé na direção da imensa arvore ao lado da janela, esperando de coração me segurar e não cair de bunda na grama. Graças a deus que consegui me segurar firmemente em um galho forte e somente o pequeno ruído das folhas se mexendo foi capaz de atrair a atenção da Lucy, minha melhor amiga. Sorri debochada quando ela se aproximou rindo baixinho ao me ver estirada na árvore, se oferecendo a me ajudar logo em seguida, mas antes que ela pudesse tentar eu já tinha me soltado e pisado firmemente no chão, bem na sua frente.
- Tem certeza que não tinha nenhum outro jeito mais fácil de descer, tipo sei lá, usar as escadas, como uma pessoa normal? – Limpei meu moletom que estava com algumas folhas secas antes de responder seu comentário.
- Lucy querida, até que tinha sim, mas eu queria imitar uma espiã – Disse sarcástica- Então, por que demorou tanto infeliz?
Ela riu com a careta que eu fiz e checou o celular rapidamente, logo voltando sua atenção pra mim – Estava terminando minha lição de casa – Eu a encarei desacreditada, já que ela nunca se importou com a escola em nenhum momento da sua jovem vida e ela deu de ombros – Que foi? A professora Van Der Bileth é rígida com as lições.
- Que seja.
-Pois bem, o que eu vim fazer aqui exatamente seu esboço de gótica das trevas?
-Eu não consegui achar o medalhão – Bufei irritada sem olhar pra ela e continuei – Aqui nesta maldita casa não está, já procurei em todos os cantos. Urgh... Estou ficando desesperada Lucy, tenho que ir para Miami em menos de uma semana e não achei nada!
- Calma Lolo. – Revirei os olhos com seu comentário.
-Eu estou calma, ainda. Mas Clara disse que o medalhão estaria escondido aqui antes de tudo aquilo acontecer e disse que eu saberia acha-lo, aquela mentirosa, as únicas coisas que eu achei foram ratos nojentos...
- Bom, está bem Lolo, mas vamos sair daqui antes de qualquer coisa. Esse lugar me causa arrepios desde os assassinatos – Ela gemeu ao tocar na lembrança, pois dizia ter muito medo de espíritos.
- E em relação ao medalhão?
- Eu sempre desconfiei que não estaria aqui na verdade, mas no caminho eu te explico tudo, vai que enquanto a gente está aqui não vem um demônio e tenta se apossar desse meu lindo corpinho – Lucy sorriu amarelo, dava pra ver que ela estava com um pouco de medo.
Concordei com ela, colocando o meu capuz logo em seguida e juntas nós pulamos o alto muro da casa da senhora Constance Phillips, na pequena ilha de Manhattan, exatamente onde tudo começou.
[...]
- Tá, eu já entendi que você gosta de biscoitos Lucy, mas você ainda não respondeu a minha pergunta – Disse impaciente com a sua enrolação.
Ela fechou a porta do seu quarto e limpou os cantos da boca que estava sujo de biscoito. Seu semblante era engraçado e ela me encarou rindo.
- LUCY VIVES, RESPONDE A PERGUNTA, ESTRUPÍCIO.
- Shiu! Infernos Lauren, você quer acordar os meus pais? Calma que eu já vou te explicar, eu hein...
- Então vai logo. Me diz por que você me deixou que nem uma trouxa procurando um negócio que nem estava lá?
- Okay, mas primeiro tenho que te mostrar uma coisa. – Lucy me deu seu MacBook enquanto se ajeitava do meu lado na cama. – Olhe, desde que nós hackeamos a conta dos seus pais no banco verão retrasado qualquer transação ocorrida iria aparecer no meu e-mail que eu uso pra essa tipo de coisa certo? Pois bem.
Ela clicou no seu ID de: VANONLMUSV. E conseguiu conectar ao servidor do banco, me mostrando os e-mails que o banco dos meus pais mandaram. – O mais impressionante é que a conte deles está tão zerada como a conta de um mendigo qualquer. E todas as transações retiradas da conta vieram de um mesmo endereço de e-mail; Os Jauregui's nunca tiveram tão pouco dinheiro assim Lauren. Mesmo sendo pobres.
A onde você quer chegar Vives? Eu conheço essa sua cara diabólica quando você pensa em algo maldoso. – Sussurrei meio rouca quando ouvi o barulho do vento batendo na janela.
- É você realmente me conhece, mas antes de eu te explicar a minha maravilhosa teoria preciso esclarecer alguns fatos – A verdade é que mesmo de longe dá pra ver que tem algo muito grande envolvido nessa coisa toda, desde a morte dos seus pais até o desaparecimento do dinheiro, disso eu não tenho a menor dúvida. – Ela parou sua explicação e começou a pesquisar algo na internet, entrando dessa vez sem ser rastreada em um dos servidores da Deep Web, lugar onde ela pesquisava e aprendia qualquer tipo de coisa, literalmente.
- Bom, eu posso não ser a melhor hacker desse mundo, mas consegui descobrir quem era o destinatário de toda a sua grana. E sim, você pode me agradecer depois por isso. – Ela se vangloriou jogando seus cabelos pro lado como se estivesse num comercial de shampoo, mas acabou se atrapalhando com um fio de cabelo na boca e começou a tossir loucamente. Não pude evitar a risada.
- Okay. Mas quem era a pessoa? Minha tia-avó Felícia? – Voltei ao assunto ainda mantendo uma leve risada.
- Escuta aqui querida, eu sei que eu sou muito engraçada, mas agora não é hora de brincadeiras, boboca. – Lucy Vives realmente sabe como xingar uma pessoa, definitivamente as suas habilidades se superam a cada dia que passa.
- Continuando, bom, no que consta aqui nos dados bancários o dinheiro que sumiu da conta está nas mãos do dono da empresa mais famosa de Miami, as empresas Cabello. Dirigida por ninguém mais, ninguém menos que Alejandro Cabello.
Me espantei a ouvir aquele nome, tinha quase que absoluta certeza que já tinha ouvido falar dele antes. Até que lembrei da onde o conhecia.
- Você está querendo dizer que...
-Sim, quem roubou o dinheiro dos seus pais foi uns dos suspeitos de mata-los.
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The Evil Within (Camren)
RomanceSinopse: Lauren Jauregui nunca fora uma garota normal e ela sabia disso. Sabia que seus pais eram diferentes dos outros, e que também nunca seria igual àquelas garotas quase anoréxicas que apareciam nas capas de revistas como Cosmopolitan, Channel e...
