Diretriz

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Estava fazendo sua entediante tarefa da escola pela tela holográfica, enquanto assistia desenhos antigos dos anos de 2015. Um tipo de aventureiro que usava um chapéu branco estranho enfrentava hordas de doces malignos ao lado de um cão amarelo, que se esticava e conseguia assumir a forma de qualquer coisa. Ela não fazia ideia de como as pessoas daquela época criavam coisas tão absurdas e aleatórias, mas reconhecia que era divertido. Assim que o episódio acabou entrou uma propaganda do novo Zeta-4:

– Senhores e senhoras, crianças e até cachorros. Chegou para a comodidade de todos o novo Zeta-4, último modelo em robô utilitário para o lar! – disse euforicamente um senhor que parecia ser o presidente da FPH – Facilidades para Humanos. – Encomende já o seu por apenas mil créditos, e para aqueles que não quiserem esperar muito, venham visitar a montagem em nossa fábrica para retirar no mesmo dia. Inteligência artificial, com atendimento humano sempre! – encerrou o homem com o conhecido jargão.

Quase que repentinamente, entrou no quarto de Rachel o robô servente daquela família, um modelo Zeta-3 com três anos de uso, que jazia quase obsoleto.

– Trouxe seu lanche natural como pedido Senhorita Croif. – deixando o prato próximo à garota.

– O que foi que lhe disse sobre entrar em meu quarto sem anunciar, seu robô desregulado! Já faz meia hora que lhe pedi este lanche e ainda me traz com tomate? O que foi que fritou seus circuitos?! – esbravejou a garota.

– Desculpe Senhorita, irei memorizar seu gosto em específico para não repetir o erro. Quanto a meus circuitos, posso afirmar que estão em ordem, com todas as manutenções em dia, conforme solicitações de seu pai. – respondeu daquela maneira robótica, neutra, sem demonstrar qualquer esboço de emoção pela enérgica repreensão que levara.

– Pode afirmar o que quiser, mas para mim você já passou do uso. Espero que meus pais tragam logo este Zeta-4, para que nos livremos dos seus erros!

– Entendo Senhorita. Se meus serviços já não atendem a família com a eficiência desejada eu peço desculpas. Seu pai está fazendo uma ótima atualização indo buscar o Zeta-4 amanhã. Até lá estou total dispor da família. – respondeu o robô com um certo tipo de mesura, a qual tinha sido programado e então saiu do quarto.

Os pais de Rachel se despediram logo de manhã, deixando instruções ao Zeta-3 para até quando voltassem dali a dois dias. Assim que saíram, Rachel olhou para o robô e pediu que não a perturbasse, pois ficaria estudando para uma prova. O robô confirmou positivamente o desejo e ficou no seu local designado para quando não havia nenhuma tarefa pendente a cumprir: num canto da cozinha.

Rachel havia terminado seus estudos e já estava assistindo programas na sala à tarde inteira, quando gritou ordenando ao robô que lhe trouxesse um copo de água. O modelo Zeta-3 atendeu prontamente a tarefa, mas quando se aproximou da garota deu uma leve tropeçada numa almofada que estava jogada no chão, derrubando um pouco de água no colo de Rachel.

– Peço desculpas Senhorita Croif, não foi a minha intenção. – disse sem demonstrar nem medo nem expressão alguma.

Um rubor quente subiu às bochechas de Rachel quando ela olhou para aqueles olhos de led azuis e para aquela face sem expressão do robô. Mas em vez de descontar sua raiva de forma descontrolada, um outro sentimento tomou conta dela e fez com que agisse de forma diferente:

– Diga-me servo robótico, quais são as três diretrizes nas quais foi programado?

– Prontamente Senhorita. Diretriz um: nunca devo ferir um ser humano, ou deixar que algum sofra algum mal sem agir. Diretriz dois: eu devo obedecer as ordens dadas por seres humanos, exceto caso entrem em conflito com a primeira diretriz. Diretriz três: eu devo proteger minha própria existência, desde que isso não entre em conflito com as duas primeiras diretrizes. Estas são as diretrizes Senhorita.

DiretrizWhere stories live. Discover now