Sentindo a brisa da tarde em meu rosto, com os olhos fechados, esfrego meus pés pela areia fofa e fina, enquanto ouço o ir e vir das ondas. O mar era calmo, quieto com suas ondas que quebravam longe da praia. Amigo bipolar que ja levou muitos, mas também trouxe outros de volta à orla.
Entretendo meus dedos com os presentes que a maré trouxera, senti algo espetar de leve minha palma.
Antes de jogá-lo fora, dei uma olhada no que me causara o pequeno incômodo. Percebi um brilho escondido pela areia. Fiquei curioso.
Levei-o à água para tirar a sujeira encrustada nele. A cada mergulho que lhe dava, se revelava uma superfície metálica com um sutil tom arroxeado.
Era denso e maciço, confortável para segurar.
Em minha mão, se mostrava um objeto belo em sua estranheza. Algo semelhante a um pingente em formato de gota, achatado, decorado com ranhuras delicadamente espiraladas. No seu centro, estava encaixada uma pérola, branca, levemente amarelada, perfeitamente encaixada. Ao redor dela, haviam oito cristais igualmente espaçados.
Por alguns minutos, permaneci parado, contemplando cada detalhe daquela peça incomum, formulando hipóteses de como aquilo fora parar naquela praia, do que era feito, a quem pertencia.
Apesar de estagnado por sua beleza, retornei ao meu plano corpóreo e voltei a onde estava sentado. Agachei e o segurei cuidadosamente em minhas mãos.
Um calor intenso passou de minhas palmas para meus braços, peito e pernas. Uma cegante luz ocupou todo o meu campo de visão. Senti como se tivesse levado um soco no estômago. Uma onda de visões distorcidas, acompanhadas de um ruído ensurdecedor, tomou conta de mim. As imagens eram embaçadas e curtas, não conseguia decifrar nenhuma delas. Já não sentia meu corpo, parecia estar flutuando. O ruido ficou mais e mais alto, até que tudo ficou preto.
