Por que os pais tem que ser tão dramáticos? Será que vem em algum tipo de "manual dos pais"? Eu só vou ao um internato, não é como se eu fosse me mudar para um outro país e nunca mais fosse vê - los, mas eu acho que para eles é a mesma coisa. Enfim, cá estou em frente ao quarto que vou passar meus próximos três anos.
Depois que eu despeço dos meus pais, junto com um monte de recomendações, adentro o meu quarto e percebo que já há malas dentro dele.
-Parece que eu não fui o primeiro a chegar.- Digo um pouco mais alto do que pretendia.
-Parece que não.- Diz um menino que acabará de sair do que julgo ser o banheiro.
Olho para ele e dou um sorriso amarelo. Não passou pela minha cabeça que já havia chegado alguém.
-Oh! Desculpa pelo susto e pela falta de educação. Meu nome é Leonard, mas pode me chamar só de Leo.- O garoto de cabelos castanhos claros estende a mão para eu cumprimenta - lo.
-Prazer, Marcos.- Aperto a mão dele calorosamente.
...
Vinte minutos depois escuto uma batida na porta e um homem, com a aparência de no máximo uns 30 anos, entra no quarto e diz:
-Rapazes, daqui a cinco minutos apresentem - se no auditório para darmos as boas vindas a vocês.
-Claro.- Respondo. E o homem sai logo em seguida.
-Você sabe aonde fica o auditório? - Leo pergunta.
-Não; e você?
-Eu acho melhor irmos andando e procurarmos logo esse lugar ou iremos chegar atrasados, já que nenhum dos dois sabe aonde fica.
-Boa idéia.
Saímos do quarto e fomos andando até sair do dormitório masculino.
-E então, por que você veio estudar aqui?- Pergunta Leo, curioso.
-Sei lá, aqui é ótima escola, nunca estudei em escola interna. Achei que poderia ser bom passar um tempo fora de casa, sem todo o drama familiar, sabe?- Digo dando de ombros.
-Sei sim. Eu vim para cá porque é um bom lugar para fugir de seus problemas.- Ele parecia não querer tocar no assunto, então, fiz questão de mudar o rumo da conversa.
-Eu aposto que essa reunião é só para falar besteira.
-Aposto que...
-Aí!- Digo quando sinto um corpo esbarrar contra o meu.
-Será que dá para me ajudar a levantar e parar de sorrir Isabella.- Diz a garota no chão para a que eu acho ser a Isabella.
-Foi mau, mas é que foi engraçado.- Diz Isabella, agora controlando um pouco mais o riso e ajudando a amiga.
-E você poderia olhar por onde anda.- A garota aponta me acusando.
-Você também.- Leo responde por mim.
-E quem são vocês afinal?- Ela pergunta um pouco mais calma.
-Eu sou Leo e ele é o Marcos. E vocês?
-Julia e aquela é a Isabella.
-Só Isa, por favor.
-Vocês estão indo para o auditório?- Pergunto.
-E para onde mais seria?- Pergunta Julia. Já percebi que ela muda de humor muito rápido.
-Vou aceitar isso como um sim.
-E eu acho melhor irmos logo.- Diz Leo olhando as horas.
-Verdade, já estamos atrasados.- Concorda Isa.
Finalmente conseguimos encontrar o maldito auditório. Até que as garotas são legais, a Isa é bem engraçada e a Julia é bem bipolar, mas parece ser uma pessoa legal. O Leo é bem sarcástico, ele e a Isa se deram super bem.
Já estava bastante cheio quando chegamos, não o suficiente para lotar, mas bem cheio. Sentamos no meio, que comparado ao auditório da minha antiga escola já era o fundo.
-Sejam bem vindos alunos.- Diz um homem de cabelos um pouco grisalho, deveria ter no máximo 50 anos.- Mais um ano que se inicia. Quero desejar aos antigos e novos alunos um ótimo ano letivo e apresenta - los os seus inspetores, eles que vão verificar os seus quartos, horários, certificar se estão seguindo as regras e entre outras coisas.
-Que saco.- Resmunga Julia.
-Você tem?- Responde Leo, num tom de brincadeira.
-Por que? Você curti?
-Será que dá para vocês discutirem o fato dele gostar ou não de saco, bolas ou pênis em um outro momento?- Diz uma garota de cabelos loiros.
-Desculpas.- Digo segurando o riso.
Quando volto a prestar a atenção, o diretor já está apresentando os inspetores.
-Bem crianças, apresento a vocês o senhor Bruno, ele cuidará dos garotos...
-Sério que ele nos chamou de crianças? Eu exijo ser chamada, de no mínimo, de adolescente. Sério, cadê os meus direitos?- Pergunta Isa como se estivesse realmente indignada.
-Você está falando sério? - Pergunto.
-Sabe, eu acho que você está precisando de umas aulas para saber quando as pessoas estão brincando, engomadinho.
-Eu não sou engomadinho.
-Eu só o conheço faz uma hora, mas posso dizer que ele é sim.- Leo se debruça sobre Julia só para dizer isso, mas ela logo o empurra de volta ao seu lugar.
-E essa é a senhorita Penelope, ela ficará responsável pelas meninas. Por hoje é só, descansem que amanhã terão um dia cheio.- Diz, por fim, o diretor.
-Afinal de contas qual é o nome dele?- Pergunto confuso.
-João Moreira.- Diz a mesma garota que se intrometeu na pequena discussão de Julia e do Leo. - Vocês falam para caramba, mas eu gostei de vocês. Meu nome é Luna e esses são Carol e Lucas.
-Sou Marcos, aquele é o Leo, a Julia e a Isa.
Saímos do auditório e continuamos conversando, a Luna é bem legal, doida, mas legal. A Carol tem uma beleza extraordinária, ela é morena, tem os olhos verdes e um corpo muito bonito, é um pouco tímida também. O Lucas é do tipo mais másculo, tem uma beleza que chama a atenção de várias garotas.
Até que gostei desse lugar, é bem diferente da minha antiga escola, mas eu acho que tem um pouco do efeito do chamado "ensino médio".
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Nightingale
De TodoO que acontece quando diferentes adolescentes que jamais se viram criam uma amizade? Quando um novo ano começa na ETFN, um grupo de alunos vão ter que aprender a lidar com diferentes problemas e personalidades de cada um. E ainda tentar sobreviver...
