"Stay true to yourself, yet always be open to learn. Work hard, and never give up on your dreams, even when nobody else believes they can come true but you. These are not cliches but real tools you need no matter what you do in life to stay focused...
13 anos depois e a aldeia onde vivo nada mudou. Lembro-me de quando me mudei para este lugar onde nada acontece mas há sempre alguma coisa nova para a dona do café contar aos seus clientes. Cheguei quando tinha 4 anos, na mão trazia o livro que os meus pais me tinham comprado na livraria do aeroporto.
- Vai ajudar-te no lugar para onde vamos.- Disse a minha mãe estendendo-me o livro.
Olhei para o livro que me entregava, "Alice no país das maravilhas" diziam as letras douradas da capa, mal sabia eu que este livro sempre me marcaria.
- Obrigado mamã.- Disse eu maravilhando-me com os maravilhosos desenhos que ilustravam o belo livro. É verdade que com 4 anos a minha capacidade de compreensão não era muito vasta, mas entendi o que a minha mãe pretendia dizer-me ao dar-me aquele livro: Sê tu própria e luta por aquilo que acreditas mesmo que mais ninguém o faça.
Nos primeiros anos que vivi nesta aldeia fiquei encantada com o facto de todos se conhecerem e de estarmos aqui num meio tão pequeno. No entanto, por volta dos meus 10 anos, quando comecei a expressar os meus sonhos e objetivos, passei a odiar este sítio estagnado no tempo com todas as minhas forças.
- Minha menina desce à terra.- Diziam uns.
- Escolhe algo que te dê um futuro.- Diziam outros.
- Não te podes dar ao luxo de fazeres o que gostas nestes tempos.- Acrescentavam os terceiros.
Era nessas alturas que corria até casa do "Sábio", como carinhosamente o apelidava com 10 anos, e traçava com ele o mapa do meu futuro, que mudou tantas e tantas vezes no espaço de um ano. O velhote ria-se e nunca se cansava de me dar conselhos e de me ouvir mesmo que num dia eu quisesse ser professora e no outro uma astronauta. Depois do lanche que partilhávamos, o senhor sorria e levava-me ate minha casa antes de se ir embora afagava-me carinhosamente o cimo da cabeça e dizia-me com um olhar triste mas a sorrir:
- Não estás preparada para este mundo, minha pequena.
Ao que eu sempre respondia:
- Talvez o mundo é que não esteja preparado para mim.
Agora com 17 anos entendo perfeitamente o sábio. O mundo não é como nos livros. Nem todos têm um lado bom ou motivações válidas para justificar as suas ações e eu, tendo crescido entre livros, procurava um lado profundo nas pessoas, as suas motivações os seus objetivos, mas neste mundo poucos são os profundos, ser oco está tão mais in, porquê? Porque sim.
- Porque sim e porque não não é razão.- Teimava eu com o sábio nas nossas "discussões literárias".
Ele apenas abanava a cabeça e bebia o seu chá, no final dava-me outro livro da sua imensa biblioteca e combinávamos uma nova discussão para o fim de semana seguinte.
Perguntam-se o que aconteceu ao sábio? Bom, infelizmente, morreu vítima de cancro o ano passado. Fiquei inconsolável, revoltei-me com tudo e todos até que questionei a minha mãe, porquê? Porque teve de ir ele? Ao que ela me respondeu com uma questão:
- Quando colhes flores de um jardim quais arrancas primeiro?
Alguns meses após a sua morte um advogado veio a nossa casa à minha procura.
- É você a menina Zoey Jonas?- Perguntou ele.
- Sim sou eu. O que precisa?- Respondi.
- O senhor Jenkins ( o meu sábio) deixou-lhe a casa bem como o seu recheio e disse-me, passo a citar: "Diga-lhe que não chore a minha morte que fui apenas mais um dos presentes da vida para a sua apaixonada morte."- Disse o advogado passando-me a chave da pequena casa.
Senti um aperto no coração. A velha história. Sorri apertando a chave para mim.
Aquela casa dera-me as melhores memórias de infância mas também me deu a conhecê-lo: Leroy Sanders, aquele que se tornaria o meu espelho, o meu reflexo, no fundo , se tornaria em mim.
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Zoey Jonas
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