P.V.O. Marcos
Bom, você deve estar se perguntando quem eu sou.
Meu nome é Marcos. Tenho quatorze anos — ou, para ser mais preciso, três mil anos.
Sim, você leu certo.
Sou filho de Poseidon, o deus dos mares, e meio-irmão de Percy Jackson, o famoso Herói do Olimpo. Embora minha história seja um pouco mais complicada do que simplesmente ser um semideus.
Naquele dia, eu estava no meu chalé com Percy quando alguém bateu à porta.
— Eu atendo — disse Percy, levantando-se.
Ele abriu a porta e, do outro lado, estavam Jason e Piper, sua namorada, Annabeth, namorada do meu irmão, e um garoto acompanhado de uma garota que me parecia estranhamente familiar.
Percy deu espaço para que eles se aproximassem, mas não exatamente para que entrassem.
Na verdade, ele abriu a porta para outra coisa.
A água da fonte que nosso pai havia dado a ele começou a se mover. Um jato se desprendeu da fonte e atravessou o espaço até atingir em cheio o garoto no meio do peito.
O garoto cambaleou para trás, completamente ensopado.
Percy cruzou os braços.
— Leo Valdez! Quem você pensa que é para simplesmente desaparecer, deixar todo mundo achando que você tinha morrido e depois aparecer do nada?
Percy foi até ele e o ajudou a se levantar. Logo em seguida, abraçou o garoto com força.
Ouvi Leo murmurar:
— Bipolar...
Então ele se afastou e falou, rindo:
— Pra que isso, Percy? Já não bastava o Jason me receber com um raio? Agora você me acerta com água? Ah, fala sério!
Percy soltou uma risada.
— Sorte sua que não estávamos na praia. Poderia ter sido muito pior!
Ele então olhou para a garota ao lado de Leo.
— Deixe-me apresentar minha namorada: Calipso, filha de Atlas.
Naquele instante, eu praticamente pulei da cama.
Os olhos de todos se voltaram para mim.
A garota arregalou os olhos.
— Marcos?!
Eu não consegui conter minha surpresa.
— Calipso?!
Corri até ela e a abracei.
Por alguns segundos, ninguém disse nada.
Leo olhou de mim para Calipso, completamente confuso.
— Espera... vocês já se conheciam?
Eu e Calipso nos encaramos.
Não precisamos dizer uma palavra. Um simples olhar foi suficiente para entendermos que teríamos de contar a verdade.
Afastei-me dela e respondi:
— Sim.
— Desde quando? — Leo perguntou.
Suspirei.
— É uma longa história. Melhor nos sentarmos.
Todos concordaram.
Saímos do chalé e nos sentamos em círculo, do lado de fora. Era evidente que todos estavam curiosos, embora alguns parecessem mais desconfiados do que outros.
Calipso respirou fundo antes de começar.
— Bom... vocês sabem que eu sou filha de Atlas. Quando nasci, tive um irmão gêmeo. Mas, para mantê-lo seguro, minha mãe decidiu entregá-lo a um deus e pediu que ele cuidasse dele.
Ela fez uma pequena pausa.
— Esse deus era Poseidon.
Todos ficaram em silêncio.
Calipso então apontou para mim.
— E esse irmão gêmeo é o Marcos.
O silêncio que se seguiu foi ainda maior.
Todos me encaravam, tentando processar aquela informação.
Annabeth foi a primeira a quebrar o silêncio.
— Como nós nunca percebemos que ele era filho de um Titã?
— Tecnicamente, não sou filho de um Titã — interrompi. — Pelo menos, não fui criado como um.
Todos voltaram a atenção para mim.
— Mas, continuando o que minha irmã estava dizendo...
Respirei fundo.
— Eu fui adotado por Poseidon. Ele me concedeu os poderes de um filho dele e também a imortalidade. Durante muito tempo, vivi escondido no reino de meu pai, longe do mundo dos mortais e até mesmo dos outros deuses.
Parei por um instante.
— Quando aconteceu a guerra contra os Titãs, eu escolhi ficar ao lado dos deuses. Eu sabia quem realmente era. Sabia que era filho de um Titã e também sabia da existência da minha irmã.
Olhei para Calipso.
— Quando a guerra terminou, Calipso foi condenada a viver em Ogígia.
Minha voz ficou mais séria.
— Fiquei furioso com isso. Afinal, ela não era má. Apenas estava do lado errado durante a guerra. Mas eu não podia fazer nada. Se tentasse libertá-la, provavelmente receberia o mesmo destino.
Calipso abaixou os olhos.
— Então voltei para o reino de Poseidon. De tempos em tempos, recebia uma permissão temporária para visitar minha irmã. Podia conversar com ela, passar algum tempo ao seu lado... mas jamais poderia tentar tirá-la de Ogígia.
Fiz uma pausa.
— Depois de alguns séculos, decidi vir para o Acampamento Meio-Sangue. Como era adotado por Poseidon, consegui entrar sem grandes problemas. E, desde então, estou aqui.
Quando terminei, ninguém falou por alguns segundos.
Percy foi o primeiro a reagir.
— Eu não estou conseguindo acreditar nessa história.
Ele me observou atentamente.
— Quer dizer... você realmente não parece muito com um filho de Poseidon. Mas, ainda assim, é difícil acreditar em tudo isso.
Os outros concordaram, alguns ainda tão confusos quanto ele.
Eu estava prestes a responder quando uma voz profunda e retumbante ecoou atrás de nós.
Uma voz que eu conhecia muito bem.
— Mas ele deve acreditar.
Todos se viraram ao mesmo tempo.
O vento vindo do mar ficou mais forte.
As ondas começaram a se agitar.
E, caminhando pela areia em nossa direção, estava ele.
Meu pai.
Poseidon.
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(Percy Jackson) O Deus escondido e a batalha contra Urano. (Livro 1)
FanfictionO que aconteceria com você se descobrisse que o seu irmão é "adotado" e pior ele é imortal? Tudo isso é o que acontece com Percy Jackson quando descobre que seu irmão Marcos Deotti não é filho legítimo de Poseidon... Após está revelação Percy, Marco...
