É Impressão Sua

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O jovem executivo parecia ter envelhecido uns vinte anos na última meia hora; estava suando litros, mesmo com o ar condicionado no máximo, a camisa amarrotada, uns botões abertos, deixando à mostra parte do peito, mais cabeludo que o do Tony Ramos, a gravata afrouxada e amarfanhada, enroscada no colarinho, o paletó já tinha sido jogado em cima duma cadeira. Ele andava de um lado para o outro, coçando a cabeça, descabelando-se todo, os olhos injetados, parecendo um bicho enjaulado na sua sala.

Nisso, adentra o escritório uma bela mulher, de óculos de armação grossa, vermelha, e lentes redondas, o cabelo castanho claro com volume e comprido até o meio das costas, vestindo um tailleur e saia beges e uma blusa branca decotada, parecendo tão justa que os seios estavam prestes a estourá-la.

-- E aí? – começou a falar com sua voz rouca e suave – está pronto pra reunião...? O que aconteceu, por que você está assim!? – indagou ela, de repente preocupada.

-- Não consegui aprontar as coisas pra reunião – disse ele num tom choroso, completamente desesperado – a impressora não está funcionando!

Ela aproximou-se e afagou-lhe os cabelos, procurando confortá-lo, dizendo que encontrariam uma solução para o problema juntos e estaria tudo pronto pra reunião com os clientes. Foi até a mesa de trabalho do rapaz, testou todos os cabos, para certificar-se de que estavam todos ligados, sem nenhum mau contato, mexeu o mouse, pra ver se o sistema operacional não havia travado, selecionou o documento no editor de textos, enviou para a impressão e... a impressora nem se mexeu, não funcionou! Ela levantou uma sobrancelha, intrigada, verificou se a impressora estava configurada para aquele PC, deu mais uma olhada na própria impressora, segurou pelo ombro o rapaz e pediu com todo carinho:

-- Gato, pega aquele maço de A4 ali pra mim, sim...?

O moço lhe alcançou o papel, ela agradeceu e colocou na bandeja com todo cuidado e então, em poucos instantes, começou a imprimir os documentos. O rapaz arregalou os olhos, depois começou a rir de nervoso, sentindo-se entre aliviado e envergonhado, passando a mão na cabeça.

-- Puxa vida, nem me toquei que faltava papel!

Ela deu uma risada divertida e curta, observando-o por sobre as lentes, ao mesmo tempo que controlava a impressão.

-- Normal, isso acontece... – disse apenas, parecendo displicente.

-- Nossa, não sei nem como te agradecer... – disse ele, sentindo-se aliviado e muito grato, como se ela tivesse lhe salvado a vida. Débora, porém, olhou bem nos seus olhos, com um sorrisinho malicioso e, num tom de voz bem sacana, falou, enquanto arredava o teclado, sentando-se na mesa de trabalho, abrindo as pernas bem torneadas e puxando-o pela gravata amassada, fazendo-o ajoelhar-se sem muito esforço:

--Ah, eu acho que você sabe, sim, sabe muito bem como!

E quando ele encontrava-se prostrado diante dela, com a cabeça presa entre suas coxas grossas...

-- PARANHOS! Ô, PARANHOS!!

wXI

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