Escandinávia, 2017, 18:30, uma pequena vila que insistia em resistir aos novos tempos com seus prédios com tamanhos estratosféricos e pessoas com tempos diminutos, aquela vila continuava com seu ritmo parado com casas de madeira simples , chão de pedra e pessoas voltando do campo, o tempo estava claro e o sol se pondo, no ar havia uma sensação de tranquilidade, como se as preocupações do nosso mundo caótico não tivesse chegado até aquele lugar, parecia um refúgio de paz , quase como uma viagem no tempo.
As crianças brincavam nas ruas de todo o tipo de coisa, em seu mundo eram deuses, monstros, heróis, bandidos, e todo o tipo de coisa que sua fértil imaginação criava, só não eram donos do próprio nariz, e as donas de seus narizes o chamavam para parar de brincar e vir para casa.
-Henkel venha já pra casa! É perigoso ficar na rua tão tarde
-Ah mãe! Quero ficar mais
-Me obedeça! Agora!
-Mas mãe...
-Henkel... Agora!
Logo aquele diálogo acalorado entre mãe e filho termina e ele volta ao seio de sua cuidadora, ele repete o mesmo ato de todas as outras crianças que se dirigem de volta as suas casas, os homens também adentram seus lares e até os mais idosos entram para descansar, e logo as ruas do vilarejo ficam vazias e silenciosas, porém esse silêncio é quebrado por uma pequena carroça puxada por dois cavalos jovens, e encima dela dois jovens homens se dirigiam até o norte do vilarejo, local temido pelas supostas lendas de vampiros que vivem na floresta ao norte da vila.
Henkel da janela de sua casa avista os dois homens conversando enquanto continuam o caminho rumo ao norte, os olhos castanhos de Henkel se enchem de surpresa ao ver que quem estava no comando da carroça era um conhecido de sua família.
-Ei mãe, aquele ali não é o senhor Selis?
-Sim, parece mesmo o Selis, só acho estranho o fato de que ele não pegou o carro dele ao invés dá carroça, mas quem será aquele outro senhor que está com ele? Deve ser alguém muito rico vindo de muito distante é muito inteligente
-São muitos "muito" não é mãe?
-Sim meu filho, contudo se esse homem ama mesmo sua vida deve ficar muito longe do norte da cidade
-Por causa dos vampiros?
-Que história é essa filho? Vampiros não existem
-Mãe...?
- Sim meu filho?
-Por que a senhora tá tremendo tanto? E por causa do papai?
-Eu já disse! Seu pai nos abandonou!
-Mas por que ele fez isso?
-Por que ele é mau, muito mau! Ele é um egoísta que só pensa nele mesmo!
-Mãe...Meu pai é mau mesmo?
-Sim meu filho, muito...
O luto, sentimento que mostra a impotência do ser humano frente a um destino que ele jamais poderá mudar, se a luta é uma mulher intempestiva e feroz, o luto é um homem mesquinho e maldoso, que faz sempre questão de dizer na sua cara, você é fraco e inútil.
Mas saindo da cena comovente de uma mãe abalada pela partida de seu marido vamos até os alvos da atenção de Henkel e sua mãe, Selis estava dando carona a um homem chamado Philmore Allen, negro alto, cabeça raspada, óculos escuros que escondem seus olhos igualmente escuros, tinha aparência aplumada, vestia um terno Armani muito caro, ele até hoje se pergunta o que seus amigos do Brooklin diriam se o vissem assim, diriam "olha só esse manicurado da Park Avenue", ele ri consigo mesmo e nem percebe que Selis está falando com ele.
-Senhor Allen? Ei senhor Allen?
-Sim diga?
-O senhor parece meio disperso, está preocupado?
-Não, por que estaria?
-Aquele lugar é muito perigoso
-Você falado dessas lendas antigas? Eu não acredito nessas coisas
-Senhor... Não são lendas
-O senhor já viu algum deles
-Não, mas eu conheço alguém que viu um deles
-Ah "alguém que viu", o senhor acha mesmo que pode confiar nesse testemunho?
-Eu não diria que alguém que treme e chora toda vez que escuta a palavra vampiro esteja com medo de uma mentira
-Então o senhor acha que é real mesmo?
-Sim
-Mas se sabe que é mesmo perigoso então por qual motivo resolveu me levar até lá?
-Tenho contas a acertar com os monstros que vivem no norte.
-Era conhecido seu esse que foi morto pelos tais vampiros?
-Sim, era meu amigo de muitos anos, a única testemunha do que aconteceu foi a mulher dele e por causa disso todos na vila a chamaram de louca
-Eu não tiro a razão deles, o que me estranha nessa história é você acreditar nela
-E quanto ao senhor? Se essa história for verdade, estará em mais lençóis
-Não é como se eu acreditasse nisso mas mesmo que coisas assim existam eu não tenho muito o que temer
-Sério? Por qual razão tem toda essa coragem
-A criatura mais perigosa de todas é aquela que vejo no espelho todo o dia.
-Não precisa ser tão duro consigo mesmo
-Vai por mim, eu não estou, mas se acha tão perigoso assim, por que ainda vai fazer isso?
-eles mataram meu amigo, deixaram o Henkel sem pai, e Éris passara o resto dá vida sendo chamada de louca, só de pensar nisso eu fico possesso!
-Compreendo
-Mas e o senhor? O que pretende fazer lá? Até onde sei a única coisa que tem naquele lugar é uma mansão velha e abandonada
-E dela que estou atrás, sou advogado e estou cuidando dos trâmites de um testamento, e aquela mansão está na lista dá divisão de bens
-Mas acha mesmo que vale a pena arriscar por um trabalho?
-Acho
-Mas isso é loucura!
-Acha mesmo? O senhor vai até lá para vingar alguém, sendo que matar o autor não muda o fato de que a pessoa já se foi, no fim mesmo que alcance seu objetivo não ganhará nada, se parar pra pensar eu devo ter mais motivos para ir lá do que o senhor.
-Não é apenas por vingança, se eu mata-los e depois trazer as carcaças deles até a vila todos teriam que admitir que Éris estava certa e que não era louca
-Mas são vários deles, por que está vindo aqui sozinho?
-Disseram que eu também era louco por acreditar na história da Éris, no fim ninguém quis vir, mas não importa, eu farei sozinho e calarei a boca daqueles malditos
-No fim das contas será uma batalha de Honra de qualquer maneira, mas e como dizem, Só o fim da vida dá sentido a toda vida
-Bonito, de quem é essa frase?
-Sei lá, e uma daquelas coisas que lemos em algum lugar e depois esquecemos onde foi.
-Compreendo
-Uma última coisa, por que não veio aqui de carro, o senhor ainda não comprou um?
-Não não eu tenho, mas ficou na oficina
-Não terá sido um preságio para não vir?
-Talvez, mas não fazer significa que vou desistir, só será uma luta entre eu e o destino
-É, estou torcendo por você
KAMU SEDANG MEMBACA
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